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A Química pode contribuir para melhorias no tratamento da água

A Química é essencial para as melhorias dos processos de tratamento de água. É por meio de processos físicos e químicos que são retiradas as impurezas da água bruta e o esgoto bruto se torna efluente final e retorna ao curso do rio. Além disso, a Química pode contribuir com o desenvolvimento de novos produtos para o tratamento de água ou esgoto que sejam provenientes de fontes renováveis e que diminuam a perda de materiais, melhoria dos processos de reuso de água, diminuição do consumo de energia e produção de resíduos.

“No tratamento de água, existem processos como coagulação, decantação, flotação, filtração direta, indireta, ou membranas de ultrafiltração. Cada Estação de Tratamento de Água [ETA] é projetada conforme as características da água a ser tratada. As análises mais frequentemente realizadas para controle de processo são, em geral, pH, cor, turbidez, flúor e cloro residual livre”, explica Alessandra Morales Momesso, engenheira química, mestre em Hidráulica e Saneamento e gerente de operação da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).

Ela esclarece que o profissional de Química é imprescindível em uma empresa de saneamento e que pode atuar em diversas áreas, como controle operacional, meio ambiente, laboratório de controle de qualidade e até na área de compras, entre outras.

“Ele [químico] pode trabalhar diretamente nas ETAs ou nas ETEs [Estações de Tratamento de Esgoto] no controle operacional, avaliando os parâmetros operacionais de controle como pH, cor, turbidez, cloro residual livre, flúor, sólidos, fósforo, oxigênio dissolvido, coliformes (que são indicadores biológicos) e, assim, fazer os ajustes necessários no processo de tratamento de água ou esgoto”, afirma.

A engenheira química ainda argumenta que há possibilidade de o químico trabalhar no laboratório de controle de qualidade desenvolvendo metodologias de ensaio, preparando soluções de trabalho, realizando análises espectrofotométricas, colorimétricas, titulométricas e cromatográficas. 

“Os químicos também são responsáveis pela especificação de insumos e reagentes dentro dos laboratórios e pelo controle metrológico dos processos”, ressalta a analista. 

Alessandra dá um conselho para os futuros profissionais da Química: “Sigam em frente com os seus planos, porque trabalhar com tratamento de água e esgoto é muito gratificante, pois garantimos saúde e bem-estar para toda a população.”

Ela conta que escolheu a engenharia química porque sempre foi fascinada em processos de transformação. “Sempre me interessei em saber como os produtos que chegam às nossas casas são produzidos, e isso inclui a água tratada. A Química é fundamental para a transformação dos hábitos da humanidade, pois o desenvolvimento de processos mais eficientes diminui a poluição, permite a reciclagem de materiais e a redução da produção de resíduos, além do desenvolvimento de tecnologias de produção de alimentos e medicamentos para melhorar a qualidade de vida.”

Para o técnico químico da Caesb, Álison Loiola Santos, que trabalha na Estação de Tratamento de Água Brasília(ETA Brasíia), as análises de laboratório atestam a qualidade da água tratada pela Companhia. Segundo ele, o papel do técnico químico é realizar essas análises e fornecer dados que assegurem a potabilidade da água que distribuímos para a população. 

“Nosso trabalho é enviar água tratada de qualidade para a população do Distrito Federal, que atenda aos padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde. Portanto, acredito que o técnico químico atua junto com o químico na certificação da qualidade do produto final, dando segurança para que a água possa ser consumida tranquilamente pela população”, diz Álison.

Caesb

A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) coleta água diariamente em diversos pontos do Distrito Federal para controle da qualidade da água distribuída. Esses locais são escolhidos em função da abrangência espacial e densidade populacional, sempre considerando aqueles de grande circulação de pessoas como hospitais e rodoviárias, dentre outros critérios. 

De acordo com a companhia, cerca de 3 milhões de habitantes no Distrito Federal são beneficiados com água tratada. O volume médio captado em 2021 foi de 687.755 m³/dia, produzindo-se um volume médio de 683.373 m³/dia. 

Para garantir essa qualidade, é preciso uma grande estrutura: são 9,3 mil quilômetros de redes de água abastecidas pela produção de 20,9 milhões de metros cúbicos de água, em média, por mês, além de 7,4 mil quilômetros de redes de esgoto, 11 estações de tratamento de água, 15 estações de tratamento de esgoto no DF e a ETE Águas Lindas, em Goiás. 

Atualmente, há cerca de 700 mil ligações ativas de água e 608 mil de esgotos. A Companhia possui índices de excelência: 99% de atendimento de água, 90,9% de atendimento de esgotos e um índice de continuidade dos serviços de 99%.

O Plano de Investimentos da Caesb para o período 2021/2025 prevê que cerca de R$ 1,8 bilhão seja aplicado em infraestrutura do saneamento básico. Os recursos vão garantir a expansão e melhorias dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, além de ser utilizado em energias renováveis, programas empresariais e na Tecnologia da Informação.

De acordo com o superintendente de produção de água da Caesb, Diogo Gebrim, o principal desafio enfrentado no tratamento de água é a preservação da fonte produtora. 

“E isso vale não só para o Distrito Federal, mas para o Brasil como um todo. Percebe-se um crescimento acelerado das capitais e regiões metropolitanas, o que tem trazido prejuízos ao abastecimento de água, tanto na questão da escassez hídrica, como na qualidade, pois esse crescimento nem sempre é acompanhado de urbanização e instalação de infraestrutura adequada, impactando a qualidade da água dos mananciais”, diz o superintendente.

Ele ainda salienta que, embora o Distrito Federal seja privilegiado nesse sentido, por estar em região de nascentes, “não há cidades à montante das nossas captações.” Além disso, a maioria delas está em áreas de preservação, o que segura um pouco a expansão urbana sobre essas regiões. É fundamental que haja consciência de todos e forte atuação dos órgãos de fiscalização ambiental para esse ponto”.

Tratamento de esgoto

A Caesb opera 15 Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) no Distrito Federal, sendo que as estações podem ser consideradas dentre as melhores do país, segundo a publicação Atlas Esgotos da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA, 2017).

Essas unidades adotam diferentes processos de tratamento, sendo projetadas de forma que o efluente tratado atenda às restrições e às exigências do curso d’água que receberá os esgotos tratados, considerando, também, uso e ocupação do solo após o lançamento da ETE.

É importante ressaltar que o fato de o Distrito Federal estar inserido em uma região de nascentes – com cursos d’água de baixa vazão e as principais fontes de abastecimento serem compostas por lagos artificiais – impõe um alto padrão de exigência para o lançamento dos efluentes em seus reservatórios e tributários. 

Segundo dados da empresa, 87% do volume total dos esgotos coletados no Distrito Federal passam por tratamento a nível terciário, com remoção de nutrientes. Somente 13% são tratados a nível secundário.

Além da remoção de carga orgânica, os processos empregados nas unidades da Caesb também respondem pela remoção de nutrientes, em que se destacam o fósforo e o nitrogênio, principais responsáveis pelo desencadeamento dos processos de eutrofização em águas superficiais.

Os processos de tratamento de todas as unidades são sistematicamente monitorados em todas as suas etapas, bem como é avaliada a qualidade dos efluentes tratados por meio da realização de análises físico-químicas e microbiológicas que são programadas de acordo com plano de monitoramento pré-estabelecido.

A Caesb envia sistematicamente informações de desempenho operacional das suas unidades aos órgãos de controle ambiental para acompanhamento.

Cuidados

Um dos alertas da companhia é quanto às águas pluviais (chuva). Lançar água da chuva na rede é ilegal e gera inúmeros prejuízos ao meio ambiente. A população também não deve jogar lixo no vaso sanitário ou óleo de fritura na pia, por exemplo. 

A empresa diz que as medidas previnem o entupimento da rede coletora e o retorno do esgoto para dentro dos imóveis. O despejo da água pluvial não pode ser feito na rede de esgoto por residências, estabelecimentos comerciais ou indústrias, já que os sistemas coletores não foram planejados para receber grandes volumes de chuva. 

Essa prática contribui para o entupimento e o refluxo do esgoto em vias públicas e dentro dos imóveis, tanto pelo ralo quanto pelo vaso sanitário, além de danificar o sistema de coleta do esgoto e interferir no funcionamento das ETEs.

No caso da água da chuva que escorre dos telhados ou pelas calhas, o ideal é lançá-la em direção às galerias de redes pluviais, preparadas para absorver o volume de chuvas sem danos.

A população também deve ficar atenta quanto aos descartes de materiais. Medidas simples aplicadas ao dia a dia evitam obstruções na rede coletora. Conforme orientações da Caesb, não devem ser descartados na rede de esgotos: óleo de cozinha, papel higiênico, fraldas, absorventes, lâminas de barbear, preservativos, cotonetes, cigarros, remédios vencidos, areia e qualquer outro material sólido em pias, ralos e vasos sanitários. Essa ação evita que o esgoto e o mau cheiro retornem para o imóvel.

Foto: Cristiano Carvalho (Caesb)