“As mulheres estão transformando a forma de fazer ciência”, afirma conselheira federal
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Raquel Fiori destaca o impacto da diversidade na produção científica e defende uma Química mais plural, inclusiva e conectada aos desafios da sociedade
A presença feminina na Química tem provocado mudanças que vão além da ampliação do número de mulheres em laboratórios, universidades e centros de pesquisa. Para a conselheira federal Raquel Fiori, a participação feminina também vem transformando a forma de produzir conhecimento científico.
A reflexão faz parte do artigo “Gênero, poder e epistemologia na Química: por que as mulheres estão transformando a produção científica”, no qual a pesquisadora discute os desafios históricos enfrentados pelas mulheres na ciência e o impacto da diversidade na construção do conhecimento. “As mulheres estão ajudando a redefinir quem produz conhecimento, quais conhecimentos são considerados relevantes e de que forma a ciência pode ser mais democrática, plural e representativa”, afirma.

Diversidade amplia inovação e novos olhares na ciência
De acordo com a pesquisadora, a presença feminina tem contribuído para ambientes acadêmicos mais colaborativos e para a ampliação de temas estratégicos dentro da ciência, como sustentabilidade, saúde pública, química verde e inovação tecnológica. “Quando diferentes grupos participam da produção do conhecimento, surgem novas perguntas, novos olhares e abordagens que muitas vezes não seriam percebidos em ambientes homogêneos”, destaca.
Mulheres ainda enfrentam desafios em espaços de liderança
A conselheira também chama atenção para os desafios ainda enfrentados pelas mulheres na área científica, especialmente em cargos de liderança. Segundo dados citados no estudo, as mulheres representam 33% dos pesquisadores em ciências naturais no mundo, mas ocupam apenas 19% dos cargos de liderança em projetos científicos internacionais. Na Química, menos de 15% das posições diretivas em sociedades científicas e comissões editoriais são ocupadas por mulheres.
“O grande desafio contemporâneo não é apenas permitir a entrada das mulheres na ciência, mas garantir condições reais de permanência, reconhecimento, liderança e participação igualitária”, ressalta.
Sistema CFQ/CRQs fortalece inclusão e representatividade
Para Raquel, iniciativas institucionais voltadas à equidade de gênero possuem papel fundamental na construção de ambientes mais inclusivos e representativos, como o Comitê Mulher na Química do Conselho Federal de Química.
“O Sistema CFQ/CRQs não apenas tem uma função regulatória, mas também um papel social e transformador na construção de uma Química mais inclusiva, representativa e conectada aos desafios contemporâneos da sociedade”, afirma.
Representatividade incentiva novas gerações na ciência
Ao falar sobre o incentivo às novas gerações, Raquel destaca a importância da representatividade dentro da ciência. “A ciência precisa de pessoas curiosas, críticas, comprometidas e dispostas a transformar realidades, e isso não tem gênero”, conclui.