Resíduos sólidos entram no centro do debate ambiental após COP e mobilizam especialistas em Curitiba

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CFQ participa do 9º ConReSOL e leva ao debate o papel da Química verde e da economia circular nos desafios da Política Nacional de Resíduos Sólidos

Seis meses após a participação no debate climático global durante a COP30, o Conselho Federal de Química (CFQ) volta a colocar o tema ambiental em pauta, desta vez com foco em um desafio persistente no país: a gestão de resíduos sólidos. O tema é o foco do 9º Congresso Sul-Americano de Resíduos Sólidos e Sustentabilidade (ConReSOL), que acontece em Curitiba (PR) e reúne especialistas para discutir caminhos mais eficientes e sustentáveis para o setor.

O congresso amplia o debate ao trazer para a pauta assuntos como a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e seus desafios práticos, com foco em soluções que conectam ciência, setor produtivo e gestão pública.

Nesse contexto, a economia circular ganha protagonismo como estratégia para reduzir a geração de resíduos e manter o valor dos materiais em circulação por mais tempo. Durante o evento, em sua participação, o primeiro-secretário do CFQ, Jonas Comin, destacou que a reciclagem pode envolver processos mecânicos, químicos, biológicos ou a combinação destes, com destaque para a reciclagem química como uma das ferramentas para viabilizar esse modelo.

Segundo Comin, a atuação do profissional da Química é decisiva em diferentes etapas da economia circular, desde o desenvolvimento de novos materiais recicláveis até a aplicação de tecnologias como pirólise e despolimerização, além da avaliação do ciclo de vida dos produtos, controle de qualidade de materiais reciclados e tratamento de resíduos e efluentes.

“Não existe economia circular sem base técnica. Quando falamos em reduzir recursos, reaproveitar materiais e redesenhar processos produtivos, estamos falando diretamente da atuação do profissional da Química, que garante segurança, eficiência e viabilidade dessas soluções”, complementou.

CFQ no 9º Congresso Sul-Americano de Resíduos Sólidos e Sustentabilidade (ConReSOL)

A abertura do Congresso ocorreu na manhã desta terça-feira (5) e contou com a participação do primeiro-secretário do CFQ, Jonas Comin, que representou a entidade e integrou a mesa de autoridades. Em sua fala, destacou a importância de ampliar o diálogo entre ciência, indústria e sociedade para enfrentar os desafios do setor.

“O ConReSOL se consolida como um espaço essencial de diálogo entre academia, setor produtivo e sociedade. É nesse ambiente que conseguimos avançar na construção de soluções mais eficientes, seguras e sustentáveis, com a contribuição direta dos profissionais da Química”, afirmou.

Química verde e economia circular – A Química tem papel central nesse processo, seja no desenvolvimento de novos materiais, na viabilização de tecnologias de reciclagem ou no controle de qualidade de insumos reciclados. É nesse ponto que a Química Verde se conecta à economia circular, ao propor soluções que já nascem com menor impacto ambiental.

Ela está nos produtos de limpeza biodegradáveis, nas tintas à base de água e até mesmo em medicamentos produzidos a partir de processos mais eficientes. A proposta é atuar ainda na fase de planejamento, reduzindo impactos ao meio ambiente e à saúde humana.

A ideia é simples e eficaz. Em vez de tratar a poluição depois que ela acontece, evita-se que ela seja gerada. “É projetar processos e produtos com menos uso de recursos, menos geração de resíduos e menor toxicidade”, explica o coordenador do Comitê de Meio Ambiente do Conselho Federal de Química (Comam/CFQ), Harley Martins.

Essa visão é baseada em 12 princípios formulados por Paul Anastas e John Warner, que orientam o desenvolvimento de processos mais seguros e eficientes. “Esses princípios reduzem custos, riscos e impactos ambientais, além de tornar os processos mais seguros e alinhados à legislação”, completa Martins.