XXI ENEQ: Transformar conhecimentos em prática é desafio para Química sustentável

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Muitas inovações tecnológicas e sustentáveis são divulgadas no âmbito acadêmico científico, mas nem todas possuem recursos para atravessar as fronteiras e serem colocadas em prática. Isso ficou evidente nas discussões que aconteceram no XXI Encontro Nacional do Ensino de Química (ENEQ), realizado entre os dias 1º e 3 de março, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

O assunto foi colocado em pauta durante palestra no terceiro dia, ministrada pela professora doutora Ana Paula de Carvalho Teixeira, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Com o tema “Química para o desenvolvimento sustentável”, Ana Paula passou por diversos assuntos relacionados, expondo os principais desafios, e uma perspectiva de um cenário futuro, considerando inclusive o trabalho das futuras gerações.

Tanto os recursos para que as pesquisas sejam colocadas em prática quanto o diálogo entre os diferentes setores que podem colocar esses planos em execução foram apontados como o maior desafio no momento. “Muitas vezes os acadêmicos podem acreditar que se é concretizado um estudo no laboratório aquilo chegou ao fim, sem preocupação com a próxima etapa, e isso mostra uma necessidade de precisarmos ir além da Química”, explicou Ana.

A professora mostrou como conhecimentos em inovação e empreendedorismo podem mudar esse cenário. “Chamamos isso de escalonamento, que é fazer algo pequeno e transformar isso em uma escala muito maior, entendendo como isso pode ser transformado em um produto”, disse.

Para levar um impacto positivo para a sociedade, Ana prevê que precisamos parar de separar as disciplinas em caixinhas. “Separamos, por exemplo, a Engenharia, a Comunicação, a Química, a Física, e na verdade precisamos saber comunicar todas essas áreas para termos uma solução completa que possa sair da universidade”, destacou.

Falando em conectar conhecimentos em busca de soluções, a professora também lembrou que a indústria produz alguns compostos em grande escala que podem trazer algum problema, e a universidade busca em laboratórios soluções sustentáveis para estes problemas. De acordo com Ana, falta o âmbito acadêmico entender que a indústria pode ser uma fonte além dos recursos, e que ela dita quais são as necessidades de pesquisa.

Perspectiva de um futuro melhor

As soluções discutidas hoje podem ser testadas e conquistadas a longo prazo. Com isso, Ana aposta que as próximas gerações têm um papel importante para um futuro em que a sustentabilidade seja prioridade.

“O papel da Geração Z hoje, dentro da Química, é fundamental, e eu aposto que vai mudar a maneira como vemos e fazemos as coisas. É uma geração muito interessada em pensar e trazer soluções sustentáveis, além de preocupar com um desenvolvimento sustentável. A Química nos fornece ferramentas para que consigamos pensar nessas soluções”, refletiu.

Ainda de acordo com a professora, o engajamento no interesse científico e da Química desta geração, e das próximas, pode trazer diversos benefícios a longo prazo.

Plano de ação

Ana também contou que, no momento, trabalha em um plano coordenado pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ), chamado “Química e seus atores para um Brasil mais sustentável e soberano”.

O objetivo é unificar diversos atores que trabalham com Química, como professores, pesquisadores, profissionais, indústria, governo e sociedade, para que, em conjunto, seja discutido como o Brasil pode se tornar um país mais sustentável nos próximos anos, utilizando a Química como ferramenta.

“Temos metas de curto prazo, até 2026, a médio prazo, até 2030, e longo prazo, até 2050. Atualmente, concretizamos a primeira parte, que é pensar no projeto e no que são essas metas a curto prazo, e agora estamos colocando a ‘mão na massa’, executando as ideias do plano e transformando os desafios sustentáveis que o Brasil tem no momento em projetos”, resumiu Ana.