Uso da Cannabis no Brasil é debatido em workshop na Unicamp
Publicado em:
O Conselho Federal de Química (CFQ) participou do workshop “Marco Regulatório da Cannabis no Brasil: Atualizações e Perspectivas” por meio do conselheiro federal Ubiracir Fernandes, integrante do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos (CAIQ/CFQ). O evento reuniu especialistas para discutir avanços, desafios e perspectivas para o setor no Brasil, com foco no marco regulatório recentemente publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e nas propostas legislativas em tramitação no Congresso Nacional.
Realizado no dia 9 de junho, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o workshop contou com cerca de 80 participantes presenciais e transmissão ao vivo pelo YouTube. A programação reuniu pesquisadores, farmacêuticos, médicos, representantes da indústria, profissionais da área regulatória e formuladores de políticas públicas.
Mercado avança e novos marcos regulatórios ampliam perspectivas
O mercado brasileiro de cannabis medicinal continua em expansão. Segundo levantamento da Kaya Mind, o setor movimentou aproximadamente R$ 971 milhões em 2025, crescimento de 38,5% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o país alcançou cerca de 873 mil pacientes em tratamento com produtos à base de cannabis.
A expectativa é de aceleração desse crescimento com a publicação, no início de 2026, dos novos marcos regulatórios da Anvisa. As novas normas ampliam as possibilidades para desenvolvimento da cadeia produtiva nacional, contemplando aspectos relacionados ao cultivo, à produção de insumos farmacêuticos, à exportação e ao aperfeiçoamento dos mecanismos de regularização sanitária.
“A cannabis deixou de ser um tema alternativo ou experimental. Hoje ela é uma realidade terapêutica consolidada e milhares de pessoas dependem de tratamentos à base de seus princípios ativos”, destacou Ubiracir Fernandes durante sua participação na mesa-redonda.
O conselheiro do CFQ abordou os desafios técnicos e sanitários ainda existentes, a importância da produção nacional para a autossuficiência em insumos estratégicos e os caminhos necessários para a consolidação científica, tecnológica e industrial do setor. Segundo ele, a Química ocupa posição central nesse processo, atuando como elemento integrador entre cultivo, desenvolvimento tecnológico, controle de qualidade, produção industrial e regulação sanitária.
Oportunidades para profissionais da Química
A evolução do marco regulatório também amplia as oportunidades para estudantes e profissionais da Química. Entre as áreas de atuação destacam-se a caracterização química de cultivares, o desenvolvimento e validação de métodos analíticos, o controle de THC e CBD, os estudos de estabilidade e degradação forçada, os processos de extração e purificação, a padronização de insumos farmacêuticos ativos vegetais (IFAV), a qualificação de fornecedores, as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e a elaboração de dossiês técnico-regulatórios.
Nesse contexto, a cannabis deixa de ser apenas um tema agrícola ou médico e passa a demandar uma sólida base química, analítica, farmacotécnica e regulatória para garantir qualidade, segurança e eficácia dos produtos disponibilizados à população.
Participação do CFQ
Desde a criação do Grupo de Trabalho em Cannabis, em 2023, o Sistema CFQ/CRQs vem acompanhando e contribuindo tecnicamente para os principais debates relacionados à regulamentação da cannabis no Brasil. A atuação inclui participação em audiências públicas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, além da colaboração com iniciativas legislativas e regulatórias em diferentes estados.
Em São Paulo, por exemplo, o Sistema participou de discussões promovidas pela Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), atualmente presidida pelo deputado estadual Caio França (PSB), que também esteve presente no evento da Unicamp.
Mesa-redonda: Desafios e perspectivas da Cannabis no Brasil
A mesa-redonda contou com a participação de Priscila Dejuste, membro do Grupo de Trabalho de Cannabis do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP); Rosana Mastelaro, representante do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma); e Ubiracir Fernandes, representando o Conselho Federal de Química.