Química verde e hidrogênio avançam como motores da descarbonização industrial no Brasil

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Durante a participação do CFQ na COP30, especialistas destacaram caminhos tecnológicos e regulatórios para acelerar a transição energética no país

A Química Verde deixou de ser promessa e já ganha força no Brasil. Essa percepção guiou o painel “Química Verde em Ação: Profissionais da Química na Descarbonização Industrial”, realizado durante a participação do Conselho Federal de Química (CFQ) na COP30, em parceria com a Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH₂). O debate reuniu especialistas que apresentaram diagnósticos e soluções para impulsionar a transformação da indústria nacional.

Paulo Emílio de Miranda, presidente da ABH₂ e professor da UFRJ, destacou avanços recentes. “Conseguimos evitar que o Brasil tivesse um trancamento tecnológico”, afirmou, citando as duas leis do hidrogênio aprovadas em 2024. Para ele, a neutralidade tecnológica é essencial em um país continental, onde cada região explora suas vocações, como biomassa, energia eólica e recursos hídricos.

Gabriel Laçari, superintendente da ABH₂, trouxe a dimensão global do desafio. A produção mundial de hidrogênio chega a 100 milhões de toneladas anuais, mas apenas 1 por cento é de baixa emissão. A meta internacional é alcançar 11 milhões de toneladas de hidrogênio limpo até 2030. “O Brasil não precisa escolher entre produzir ou consumir. Fazemos os dois”, explicou, citando aplicações que vão de fertilizantes ao transporte pesado.

Marina Domingues, diretora de mercado da ABH₂, reforçou o amadurecimento do setor. “Hoje, quando se decide investir em hidrogênio, já há muito mais certeza”, observou. Ela lembrou que a abundância energética brasileira, composta por sol, vento, gás e biomassa, permite uma integração estratégica rara no cenário mundial.

O painel também antecipou novidades importantes. O decreto que regulamenta as leis do hidrogênio está pronto e deve ser assinado nos próximos dias. Outro ponto de destaque é o modelo brasileiro de subsídios, baseado em leilão reverso, no qual empresas comprovam quem produz com menor emissão para só então receber incentivos. “O Estado atua como comprador de uma condição climática adequada”, afirmou Miranda.

Para os profissionais da química, a mensagem é direta. Todas as etapas da cadeia, da produção ao transporte e da certificação ao desenvolvimento de processos, exigirão mão de obra qualificada. O Brasil, que já operou o primeiro ônibus a hidrogênio de uma Olimpíada em 2016, agora se prepara para competir em escala global. A corrida está apenas no início, e o país larga bem posicionado.

 

Confira a transmissão deste painel no nosso canal do YouTube: https://youtube.com/live/FhELPsIH6hs?feature=share

Você também pode conferir as fotos de nossa participação na COP30 em nosso Flickr, acesse:

Semana 1 (10 a 15 de novembro) https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330276634
Semana 2 (17 a 21 de novembro) https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330391725/
CFQ na BlueZone: https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330309365/