Polo Petroquímico de Triunfo (RS) está prestes a completar 40 anos de fundação

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Em dezembro de 2022, o Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul, completa 40 anos de produção. Localizado às margens do rio Caí, na localidade de Passo Raso, o polo do Sul do Brasil iniciou sua produção comercial em 5 de dezembro de 1982, em tempo recorde à época para empreendimentos de natureza similar.

“É o terceiro complexo petroquímico do País. Na década de 1970 já existiam os polos da Bahia e São Paulo, e o Rio Grande do Sul entrou no páreo dentro do processo de industrialização do País e redistribuição do parque produtivo”, explica Sidnei Anjos,  diretor administrativo do Comitê de Fomento Industrial do Polo (COFIP).

De acordo com o executivo do COFIP, o processo se iniciou em 1973, e dois anos depois, o Conselho já havia recomendado a instalação no município gaúcho de Triunfo, em função das facilidades em atender as questões ambientais, próximo a capital Porto Alegre, e  em torno de  um cinturão verde, que beneficiava muito a instalação do complexo petroquímico. 

“As obras tiveram início em 1977. Cerca de 10 mil pessoas trabalharam na construção do complexo, e seguiram assim, por vários anos. Em 1982, o processo já havia chegado ao seu fim e a primeira especificação aconteceu no dia 5 de dezembro. Foi um marco para o Rio Grande do Sul no processo de industrialização do País. 

Para Sidnei Anjos, o polo influenciou positivamente muito a região. O diretor complementa, que no início, se pensava em um consumo doméstico elevado na transformação dos petroquímicos, mas o mercado se alterou e consolidou a vocação exportadora, por meio do porto de Rio Grande, no extremo sul do estado.

“Apesar de a matriz ainda ser o agronegócio, nós sempre tivemos uma vocação industrial, com o polo metalmecânico já existente à época. Com a chegada da indústria química e a instalação do polo petroquímico, o Rio Grande começou a ser responsável por uma boa parte de produtos petroquímicos, e na sequência,  por uma alteração de mercado, o polo acabou forçando sua vocação exportadora.”

Hoje, a indústria responde por quase 1/4 do PIB gaúcho. “Deste montante, a química, o plástico e a borracha representam 9% desta fatia do PIB industrial do Rio Grande do Sul, cerca de R$ 8 bi. Tem uma relevância enorme para a região, além do desenvolvimento de carreiras com especializações. A indústria química requer um processo complexo e uma alta qualificação profissional.

Atualmente, o polo possui 6 mil trabalhadores. “Na cadeia do químico-plástico, nós temos 45 mil postos de trabalho, desses 6 mil estão no polo petroquímico de Triunfo. Temos um cluster muito consolidado. Cerca de 95% da receita do município de Triunfo provém do polo. Temos uma responsabilidade e também uma satisfação de estar contribuindo com essa região e para o estado. 

Ainda sobre a relevância, Sidnei reforça que o setor petroquímico contribui para o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil.    “Com o advento da pandemia, algumas cadeias produtivas se manifestaram extremamente cruciais, uma delas foi a Química. Por sua essencialidade, é uma indústria catalisadora e que congrega uma série de cadeias produtivas.”

Futuro

“Depois de 40 anos de consolidação, nós estamos trabalhando no projeto “Polo da Química do Rio Grande do Sul”. É uma ação integrada dos atores públicos e privados, que trabalham no desenvolvimento da indústria. Estamos trabalhando forte para atrair empresas para os elos complementares”, revela Sidnei Anjos.

Segundo o diretor, esses 40 anos trouxeram uma maturidade nos processos. “Estamos no momento oportuno para que as políticas públicas voltem a olhar com mais profundidade para a indústria química, com um ambiente estável para investimentos, consolidando as plantas do ciclo de longo prazo. Nós podemos, facilmente, sair da sexta posição para a quarta no ranking mundial de fornecedores de petroquímicos. Apenas, com uma visão de ajuste equitativo dos fatores estruturantes à competitividade em relação à indústria estrangeira.”

Sidnei avalia que nas duas últimas décadas, o País optou por importar tudo aquilo que não fazia sentido de perseverar. “Agora, com a pandemia, percebemos a falha desta estratégia, em alguns elos importantes da cadeia produtiva.” 

COFIP 

O Comitê de Fomento Industrial do Polo (COFIP) iniciou suas ações em 2012, com o propósito de atuar como articulador de ações compartilhadas entre as empresas que integram o Distrito Industrial.

Cabe ao Comitê estimular o desenvolvimento industrial na região e na cadeia produtiva, além da melhoria das condições de infraestrutura local e regional.

Atualmente, o COFIP tem como representantes as empresas Braskem, Hexion, Innova, John Deere, Arlanxeo, GS Inima Brasil, Oxiteno, Polo Films e White Martins.

As empresas estão situadas dentro de um anel e interligadas por tubovias, tornando eficaz e segura a operação de seus processos de transferência de matérias-primas.

A produção do Polo começa com nafta, condensado, gás e etanol, que são as matérias-primas básicas para toda cadeia de produção. Destas derivam o Eteno, Propeno, Butadieno, MTBE e solventes, que a Unidade de Insumos Básicos produz e fornece para as demais plantas do Polo. As plantas transformam a matéria produzida na Insumos Básicos em outros produtos como polietileno, polipropileno, borracha sintética, metiletilcetona, etilbenzeno, Estireno e poliestireno. A White Martins é a empresa responsável pelo fornecimento de gases industriais.