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Pigmentos e cores foram assuntos de live do CRQ IV

O mundo das cores e dos pigmentos foi tema de uma live do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV) no último dia 12. Para este bate-papo colorido foram convidados o engenheiro químico e consultor José Marcos Qualiotto, com experiência de 36 anos na aplicação técnica de pigmentos, e o professor Marcos Luiz Ziravello Quindici, licenciado em Química, e autor do livro O segredo das cores.

Na introdução da sua apresentação o especialista Qualiotto disse que os pigmentos começaram a ser utilizados com as pinturas rupestres nas cavernas. Foi só em 1704, que foi sintetizado o azul da Prússia, e um século depois foi a vez do azul de cobalto e outros sucessivamente.

Qualiotto contou que, no início do século 20, os pigmentos orgânicos iniciaram sua produção em larga escala, sendo os corantes têxteis precursores de vários pigmentos tipo lacas. Em 1935, as ftalocianinas de cobre também começaram a ser produzidas.

Segundo o engenheiro químico, os pigmentos são divididos em naturais e sintéticos (orgânicos e inorgânicos). “Os pigmentos geram o fenômeno da cor. Existem os pigmentos clássicos (orgânicos e inorgânicos) de absorção seletiva da luz e os pigmentos de efeito que apresentam alguns efeitos adicionais”, explicou Qualiotto.

Os pigmentos orgânicos apresentam algumas características como elevado poder tintorial, grande variedade de cores, partículas pequenas, entre outras. Já os inorgânicos possuem partículas grandes, baixo poder tintorial e pouca variedade de cores. 

“Nos pigmentos orgânicos, a geração da cor, fundamentalmente, se deve à estrutura de grupos cromóforos e auxocromos nas moléculas de cada substância que viabilizem a transição de elétrons. Nos pigmentos inorgânicos coloridos, a transição eletrônica entre orbitais é o principal fator gerador das cores em cada pigmento.”

Mas existem outros fatores que influenciam nas cores, como a estrutura dos cristais, forma das partículas, distribuição das partículas, grau de dispersão e superfície das partículas. 

Também o grau de dispersão é importante para a fabricação das cores. Segundo Qualiotto, no processo de dispersão ocorre etapas de umectação, dispersão e estabilização (eletrostática e estérica).

“Como eu falei, os grupos cromóforos são importantes para a geração das cores. Um dos mais importantes é o AZO. Também, temos o azometino, carbonil, azóxi, tiocarbonila, nitroso e etenodilideno”, acrescentou. 

Os grupos auxocromos interagem com os grupos cromóforos, modificando as propriedades da cor, intensidade, tonalidade e pureza.  

“A tendência dos pigmentos é de que cada dia mais surjam novas tecnologias de pigmentos com processos otimizados, com menor gasto de energia e recursos naturais mais favoráveis ao meio ambiente e para a saúde das pessoas”, garantiu Qualiotto. 

Ainda de acordo com o consultor, as mudanças nas tecnologias das tintas e as exigências de qualidade e pureza também são um forte direcionador das novas propriedades requeridas dos pigmentos e seus vários tipos de utilizações. 

Percepção visual, cores e colorimetria

Existe uma polêmica no mercado de tintas e cores sobre quem visualiza melhor as cores: os homens ou as mulheres? “Os homens possuem uma visão espacial enquanto as mulheres têm uma visão mais periférica e uma sensibilidade para o detalhamento. Porém, a competência para a distinção das cores é igual para ambos”, afirmou o químico Marcos Quindici.

O consultor relatou que existe uma população de mulheres com uma pequena tendência ao Daltonismo (0,4%). Já na população masculina esse número é de 8 a 10%. 

Para Quindici, a percepção visual é importante para a visualização da cor. “Primeiramente, é preciso visualizar a cor, depois a interpretação da cor. Feito isso, uma análise e descrição da formação da cor, seleção dos possíveis corantes a serem usados e a elaboração da cor.”

O profissional utiliza a Teoria de Gestald para a percepção da cor. Na teoria, o sistema óptico do ser humano normal é capaz de distinguir milhões de  cores. Calcula-se entre 7 a 10 milhões de cores. “Mas, na prática, a quantidade que vemos depende de termos aprendido ou não a enxergá-las.Quando se mostra um planisfério com todas as matizes possíveis, as pessoas distinguem com maior facilidade as cores e nomes distintos.”

“Como sabemos que um vaso é azul?”, perguntou Quindici, durante a live. “A luz atinge o vaso, ela excita os elétrons e nessa excitação eletrônica existe no caso uma predominância do azul e a absorção das demais cores que não compõem o azul.”

Quimicamente, a cor é o resultado de reações moleculares que geram grupos químicos que, quando excitados eletronicamente, emitem radiações próprias.

Já na Física, ela consiste nos fenômenos físicos que a cor sofre (reflexão, absorção, transmissão, difração, etc) antes da imagem chegar ao olho humano.

Na área da Psicofísica, ela é explicada de forma diferente para cada ser humano, com sensações diferentes, formas de expressão ou comunicação visual.

“O ser humano necessita de todas as cores, contudo, sempre cada um de nós tem as suas preferências”. Segundo estudos mundiais, o azul é a cor favorita de 45% das pessoas. Ela está associada à tranquilidade, simpatia e fidelidade. Ambos os sexos preferem a cor azul. A cor verde está em segundo lugar para os homens, e o roxo para as mulheres.”

Ainda conforme o especialista, a moda da cor é cíclica e vai e volta num período de 20 a 30 anos. Uma famosa marca de motocicletas partiu da cor de um vegetal verde para projetar seu modelo esportivo.

Para mostrar como as cores são importantes para a nossa vida, o palestrante deixou uma mensagem: “quanto mais colorido for o seu prato, mais o seu organismo agradece.”

Assista a live completa em https://www.youtube.com/watch?v=wI_4s7YK9H8&t=4957s