Maria Inez Moutinho: uma trajetória de décadas dedicada à Química
Publicado em:
A participação das mulheres na Ciência vai muito além dos números. Diferentes experiências e perspectivas ampliam debates, renovam perguntas e ajudam a construir novas formas de produzir conhecimento. No Conselho Federal de Química (CFQ), mulheres também fazem parte dessa construção. Entre os nomes que marcaram a instituição está Hebe Martelli, pioneira que presidiu o Conselho e teve papel importante na modernização do Sistema CFQ/CRQs e da Química no Brasil.
É nesse caminho que se insere Maria Inez Auad Moutinho. Há décadas no Sistema, a conselheira federal acompanhou mudanças na profissão, participou de diferentes frentes de trabalho e consolidou uma das mais longevas jornadas femininas no CFQ.
Sua caminhada c
omeçou em 1998, durante a criação do CRQ da 17ª Região (AL). No ano seguinte, Maria Inez assumiu como conselheira federal e, desde então, passou por comitês e grupos técnicos, além de integrar a Comissão de Ética Profissional. Mais recentemente, foi reconduzida ao cargo de conselheira federal suplente para o mandato de 2025 a 2028, dando continuidade a uma relação de mais de duas décadas com o Sistema.
Para Maria Inez, essa caminhada ganhou um significado que vai além das funções exercidas ao longo dos anos. “Quando pude perceber que minha atuação ultrapassa a dimensão individual. Cada função assumida representa confiança, dever e serviço”, reflete.
Sua experiência mostra como a participação das mulheres nos espaços de decisão também se constrói com tempo, constância e compromisso. E, ao permanecer ativa por tantas décadas, Maria Inez ajuda a abrir caminhos para que outras mulheres também ocupem esses espaços na Ciência e na representação profissional.
Compromisso com a diversidade
O compromisso do CFQ em impulsionar essa agenda é evidente. O presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, afirma que “o Sistema CFQ/CRQ tem o compromisso de fortalecer e ampliar a agenda de diversidade e inclusão. Valorizar trajetórias e reafirmar o papel essencial das mulheres na construção do conhecimento científico não é apenas um gesto simbólico, mas uma responsabilidade institucional e social que deve orientar nossas ações” . Essa diretriz é concretizada em ações contínuas, como o Comitê da Mulher na Química e eventos que conectam meninas à ciência .
A contribuição de mulheres como Maria Inez é fundamental para que o CFQ cumpra sua missão, garantindo que a Química, seja exercida com excelência, ética e representatividade. Como bem disse Maria Inez ao olhar para sua trajetória, “Siga com dignidade, firmeza e esperança. A caminhada será longa, mas será bonita.” O futuro da Química brasileira é, sem dúvida, mais forte e plural com mulheres na liderança.
Atuação marcada pelo trabalho e dedicação
Ao longo de sua trajetória, Maria Inez construiu uma atuação marcada pelo compromisso e pela dedicação ao Sistema CFQ/CRQs. Sua primeira experiência em cargo eletivo ocorreu entre 1998 e 1999, quando assumiu a função de conselheira regional durante o processo de criação do CRQ da 17ª Região (AL). Em 1999, passou a atuar como conselheira federal no CFQ, função que exerce até hoje na categoria de bacharel e licenciada em Química, como representante indicada pelo estado de Alagoas.
Sua trajetória no CFQ também é marcada pela participação ativa em diferentes momentos e instâncias relevantes para a categoria Química. Ao longo dos anos, esteve presente na sede do Conselho, no Rio de Janeiro, e participou, em 2018 e 2021, de Reuniões Plenárias do Conselho Federal de Química. Também integrou o Grupo Técnico da Área de Estudos Técnicos e, desde 2022, faz parte da Comissão de Ética Profissional. Atualmente, integra ainda o Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos, ampliando sua contribuição para o fortalecimento e o desenvolvimento do setor.
Participação feminina na química
Maria Inez faz parte de um movimento que vem ganhando cada vez mais força na ciência, em artigo recente, a conselheira federal Raquel Fiori abordou esse impacto ao defender uma Química mais plural, inclusiva e conectada aos desafios da sociedade. Na tese “Gênero, poder e epistemologia na Química: por que as mulheres estão transformando a produção científica”, Fiori destaca a contribuição da diversidade de gênero para o avanço da ciência brasileira.
“A presença feminina tem contribuído para ambientes acadêmicos mais colaborativos e para a ampliação de temas estratégicos dentro da ciência, como sustentabilidade, saúde pública, química verde e inovação tecnológica. Quando diferentes grupos participam da produção do conhecimento, surgem novas perguntas, novos olhares e abordagens que muitas vezes não seriam percebidos em ambientes homogêneos”, afirma.