ENQFor em Ribeirão Preto: troca de conhecimentos e trabalhos de destaque para inspirar profissionais da Química forense    

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No segundo dia do 9º Encontro Nacional de Química Forense (ENQFor), do 6º Encontro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses (SBCF) e do 19º Congresso Regional Latino-Americano de Toxicologia Forense (TIAFT), as atividades em Ciências forenses realizadas pela Polícia Federal foram um dos destaques da programação.

Pela manhã, a programação do ENQFor recebeu os peritos criminais federais Maurício Leite Vieira e Adriano Maldaner. Vieira palestrou sobre o tema “A química forense na polícia federal: estado da arte”. Ele fez uma apresentação sobre a estrutura da PF no que diz respeito à perícia, falou do quadro de pessoal da área e da evolução do setor ao longo dos anos. Além disso, o perito destacou os investimentos em equipamentos realizados na PF, algo necessário para conduzir as ciências forenses brasileiras ao panteão das mais destacadas da atualidade.

Dentro do tema geral do ENQFor, o da defesa da inovação, ele apontou a proximidade com as universidades como fundamental para o crescimento do segmento.

“Existem diversas áreas ainda a serem exploradas em Química Forense pela Polícia Federal, eu poderia citar aqui meio ambiente, documentoscopia, análise de alimentos, entre outros. Também acreditamos que a interação entre os peritos de Química forense, toxicologia forense e a universidade é essencial para desenvolver novas técnicas analíticas que enfrentem os desafios do combate ao crime. Entendo que precisamos investir em Sistemas de Alerta Rápido (SAR), que permitam maior agilidade  em detectar ameaças de drogas novas no mercado de tráfico”, resumiu Leite Vieira.

Maldaner, por sua vez, falou de ressonância magnética nuclear (RMN) e suas utilizações no segmento da perícia. Ele destacou que os equipamentos são bastante caros, mas que são importantes para estabelecer padrões de amostras que, inclusive, servem para outros laboratórios.

“Um exemplo bem prático de como é que a gente pensa em usar a ressonância magnética na Polícia Federal: a gente recebe materiais, normalmente alguns com pureza elevada, não precisa nem purificar todas as vezes. A gente pode quantificá-los e eles passam a ser, além de um padrão qualitativo, também um padrão quantitativo. Eu posso usar outra técnica que talvez seja mais adequada para dar volume e até para ser compartilhada com outros laboratórios, mas isso a partir de uma ressonância daquele primeiro passo”, afirmou Maldaner.

Outra palestra de destaque na programação do segundo dia de ENQFor foi a de Tiago Franco de Oliveira, professor adjunto da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Ele fez uma apresentação com o tema “Espectrometria de massa em toxicologia forense” e defendeu a importância de combinar diferentes tecnologias, até para aumentar a confiabilidade dos resultados e gerar padrões úteis à toxicologia em geral, que possam ser usados por vários laboratórios e profissionais.

“A gente também não pode pensar em somente um tipo de matriz, quando a gente está falando da toxicologia, pois, vamos lá no espectro, pensar em diferentes tipos de matriz. É preciso fazer uma harmonização das metodologias, para os mecanismos que são envolvidos nessa harmonização renderem resultados ainda melhores”, afirmou o professor.

Ele atraiu a atenção da plateia ao tratar de casos em que resultados de exames toxicológicos não pareciam fazer sentido, como no exemplo de um grupo amostral aleatório tomado em uma rave de música eletrônica. As amostras escolhidas foram de cabelos. Dentro das substâncias identificadas, muitas estavam dentro do previsto, como traços de álcool e outras substâncias. Mas uma não se encaixava nos padrões. Depois de muito refletir, os toxicologistas identificaram a presença de minoxidil – um remédio para combate à alopecia consumido pelo personagem amostrado no dia em que participou da rave.

“É importante para o profissional da toxicologia ter a curiosidade acima de tudo, e a mente aberta. Combinar várias metodologias também ajuda a identificar essas ocorrências”, afirmou Oliveira.

O evento se encerrou na quarta-feira (13/11). O Sistema CFQ/CRQs, patrocinador ouro, esteve presente com um estande na área do ENQFor. Uma equipe do CFQ e do Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV – São Paulo) atende aos profissionais no estande, dirimindo dúvidas, oferecendo informações e divulgando as ações do Sistema ao público.