Cooperação federativa e políticas subnacionais avançam como pilares da economia verde e circular no Brasil

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Durante a participação do CFQ na COP30, debate destacou que circularidade depende da integração entre políticas públicas, inovação e práticas locais

Durante a participação do Conselho Federal de Química (CFQ) na COP30, foi realizado, no dia 19 de novembro, o painel “Economia Verde e Circular: Políticas Subnacionais e Cooperação Federativa para o Desenvolvimento Sustentável”, que reuniu representantes do governo federal, estados, setor privado e organizações da sociedade civil para discutir os caminhos da transição ecológica no país. Moderado por Fernando Yuri (CEMAM/SEMAD), o encontro reforçou que o avanço da economia verde exige articulação efetiva entre as esferas de poder, condição essencial para definir o ritmo da transformação.

Entre os participantes, Ramon Pereira Trajano, gerente de Economia Verde e Circular da SEMAD/GO, trouxe a perspectiva de quem está na ponta da implementação. Ele destacou que migrar do modelo linear para o circular em um país continental exige coragem coletiva. “É quase um ato de fé. Cada entidade e cada pessoa precisa começar a fazer a sua parte e confiar que o outro fará também, até que um dia a gente chegue ao modelo circular”, afirmou. Trajano apresentou iniciativas já em andamento em Goiás, como a criação de uma gerência específica para economia circular e instrumentos de governança que conectam empresas, cooperativas e prefeituras.

Da sociedade civil, Helena Gonçalves, da Yattó Economia Circular, reforçou que ainda existe um imaginário “romântico” em torno da circularidade, quando ela deveria ser tratada como vetor econômico real. Para ela, a economia circular só ganha escala quando gera renda para todos os elos da cadeia, especialmente os catadores. “O desafio é fazer da circularidade um vetor de desenvolvimento socioambiental e não uma ação isolada”, explicou. Como exemplo, citou uma luminária produzida em Belém a partir de resíduos de baixa reciclabilidade, inovação que depende da criação de mercados consumidores para se manter.

No olhar empresarial, Fernanda Sossai, da Ambipar, destacou que o setor privado tem papel decisivo na consolidação da circularidade. Ela ressaltou a necessidade de ampliar soluções tecnológicas, investir em rastreabilidade e integrar práticas empresariais às políticas públicas. A abordagem reforçou a premissa de que circularidade deve ser vista como investimento estratégico, e não como custo operacional.

Representando o governo federal, Elisa de Siqueira, integrante do Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda, apresentou as frentes que estruturam a agenda verde nacional. O plano atua em três dimensões — econômica, ecológica e social — com ações como a Taxonomia Sustentável, o EcoInvest, a articulação com o Novo PAC, o Plano Safra e políticas voltadas à inclusão produtiva. Elisa ponderou que, embora o Brasil tenha uma matriz energética amplamente renovável, “ainda tem muita coisa para fazer”. Para ela, o ponto crítico é justamente a cooperação federativa, essencial para que políticas nacionais cheguem de forma concreta às realidades locais.

 

Confira a transmissão deste painel no nosso canal do YouTube: https://youtube.com/live/rhZIa-X75b4?feature=share

Você também pode conferir as fotos de nossa participação na COP30 em nosso Flickr, acesse:

Semana 1 (10 a 15 de novembro) https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330276634
Semana 2 (17 a 21 de novembro) https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330391725/
CFQ na BlueZone: https://www.flickr.com/photos/cfquimicabr/albums/72177720330309365/