Climatização e saúde: QuimTec destaca atuação estratégica do profissional da Química

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Especialistas destacaram responsabilidade técnica, qualidade da água e do ar e papel estratégico da Química para a saúde pública

A qualidade do ar e da água em sistemas de climatização é uma questão de saúde pública e exige responsabilidade técnica. Esse foi o principal alerta da 11ª edição do QuimTec, promovida pelo Conselho Federal de Química (CFQ). O encontro reuniu especialistas para discutir os desafios técnicos, regulatórios e sanitários envolvidos na climatização de ambientes internos e reforçou a importância da atuação do profissional da Química na prevenção de riscos e na promoção de ambientes mais seguros.

Realizado pelo Sistema CFQ/CRQs e transmitido ao vivo pelo canal oficial do CFQ no YouTube, o evento teve como tema “A Atuação do Profissional da Química na Climatização do Ambiente Interno”.

Mediado pela conselheira federal Raquel Fiori, o debate contou com a participação do conselheiro federal Rubem Novais, do químico e conselheiro regional Charles Domingues (CRQ III/RJ) e do coordenador-técnico de Química do CFQ, Diego Freitas. Em formato de bate-papo, a discussão abordou aspectos técnicos, regulatórios e de saúde pública relacionados à qualidade do ar interno e ao tratamento da água utilizada em sistemas de climatização.

Qualidade do ar é questão de saúde pública

Logo na abertura, os participantes ressaltaram que climatização não se resume ao conforto térmico. O controle adequado da água utilizada nos sistemas é determinante para evitar contaminações microbiológicas, reduzir custos operacionais e assegurar a segurança sanitária.

“A segurança vem em primeiro lugar. Estamos falando de água, de ar e de pessoas. Sem controle técnico adequado, há risco de proliferação de bactérias, como a legionella, além de fungos e outros contaminantes”, destacou Rubem Novais.

Os debatedores lembraram que a chamada “síndrome do edifício doente” pode afetar tanto ambientes corporativos quanto residenciais quando não há manutenção adequada dos sistemas. A contaminação pode estar associada à má qualidade da água, à higienização insuficiente de equipamentos e ao controle inadequado de temperatura e umidade.

Água também é protagonista na climatização

Com 40 anos de experiência em tratamento de águas, Charles Domingues reforçou que falar de climatização é, necessariamente, falar de água e de sua complexidade.

“O tratamento de água é manutenção, é performance e é retorno sobre investimento. Não se trata apenas de cumprir norma, mas de preservar equipamentos, evitar riscos sanitários e garantir eficiência energética”, afirmou.

Ele destacou que a água utilizada nos sistemas não é apenas H₂O, mas uma solução com diversos contaminantes capazes de alterar sua qualidade e comprometer o desempenho dos equipamentos. Domingues também relembrou episódios históricos de contaminação por legionella, que impulsionaram a criação de protocolos mais rígidos de controle, e defendeu maior inserção dos profissionais da Química em entidades técnicas do setor.

Para ele, o debate não deve se restringir à assinatura do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), mas contemplar a ampla gama de atividades técnicas envolvidas na análise, monitoramento e controle da qualidade da água e do ar.

Regulação e responsabilidade técnica

Ao abordar o aspecto regulatório, Diego Freitas ressaltou que o conhecimento técnico é indispensável na elaboração de diagnósticos, validação de análises e interpretação de resultados relacionados à qualidade do ar interno.

“Quando utilizamos sistemas que integram água e ar, precisamos garantir qualidade em ambos. Sem o devido controle, há risco de contaminação por fungos, bactérias e até por produtos químicos”, explicou.

Ele enfatizou que o profissional da Química exerce papel fundamental na avaliação de contaminantes químicos e microbiológicos, no controle de umidade e na definição de parâmetros adequados para cada tipo de ambiente.

Freitas também destacou que o avanço das discussões no Congresso Nacional sobre qualidade do ar interno é estratégico para o fortalecimento de políticas públicas na área. Segundo ele, quanto maior o nível de letramento científico da sociedade, maior a capacidade de cobrança por ambientes mais seguros.

Ambientes exigem soluções específicas

Os especialistas reforçaram que cada ambiente demanda soluções próprias de climatização. Hospitais, laboratórios, indústrias, escolas, escritórios e data centers possuem exigências distintas quanto ao controle microbiológico, temperatura e umidade.

Em cidades como Brasília, por exemplo, pode ser necessário umidificar o ar em determinadas épocas do ano. Já em regiões mais úmidas, o desafio pode estar no controle do excesso de umidade. Há ainda espaços com grande circulação de pessoas e outros com equipamentos altamente sensíveis, que exigem parâmetros rigorosos.

“Climatizar não é apenas resfriar. É condicionar o ambiente. Seja para aquecer, resfriar ou controlar a umidade, de acordo com a necessidade”, pontuou Domingues.

Mercado em expansão

Durante a interação com o público, surgiram questionamentos sobre formação e mercado de trabalho. Os palestrantes destacaram que a área de qualidade do ar interno apresenta oportunidades crescentes, especialmente diante do aumento das exigências sanitárias e ambientais.

Para atuar no setor, é fundamental que o profissional esteja devidamente habilitado e registrado no Conselho Regional de Química (CRQ), além de buscar capacitação específica em tratamento de águas, análises ambientais e sistemas de climatização.

Ao encerrar o evento, Raquel Fiori reforçou o caráter estratégico da atuação da Química para a saúde da população, a eficiência dos sistemas e a sustentabilidade dos processos.

“Fica muito claro como a Química está presente na garantia da qualidade do ar e na segurança sanitária. É uma área que exige responsabilidade técnica, conhecimento e compromisso com a sociedade”, concluiu.

A íntegra do debate está disponível no canal do CFQ no YouTube.