Abiquim promove evento para discutir o futuro da Química

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A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) promoveu, na manhã da quinta-feira (23), em Brasília (DF), o evento “Diálogos da Química”, com o objetivo de discutir o futuro do setor, estratégias, ações de sustentabilidade e desenvolvimento socioeconômico. 

O presidente-executivo da Abiquim, Ciro Marino, abriu o evento dizendo que a indústria química não pode ficar permanentemente exposta a estratégias de governos porque trabalha com ciclos de longo prazo, de até 30 anos.

Representantes do governo, o secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Almirante Flávio Rocha, e a secretária Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Marques Consentino, destacaram a disponibilidade do governo federal em trabalhar uma agenda proativa para o setor químico em parceria com o setor. 

Já o presidente da Frente Parlamentar da Química no Congresso Nacional, deputado federal Afonso Motta, não pôde se fazer presente em Brasília mas participou da abertura à distância. Ele enalteceu a representatividade econômica do setor, considerando-a como patrimônio do povo brasileiro. Motta também manifestou preocupação com a competitividade no cenário internacional e destacou questões tributárias consideradas importantes para manter a indústria brasileira como player global. 

Números demonstram pujança do setor químico 

A palestra inicial, intitulada “A Contribuição da Química Brasileira para o País: por que a indústria química brasileira é estratégica e qual o potencial do setor no Brasil”, coube ao presidente-executivo da Abiquim, que apresentou números expressivos do setor químico no Brasil e no mundo. Os dados apontam que a indústria química nacional é responsável pela geração de dois milhões de empregos diretos e indiretos. É considerado ainda o terceiro maior setor industrial em contribuição com o PIB (11% do PIB industrial) e tem um faturamento anual de US$ 142 bilhões, além de ser a sexta maior indústria química do mundo e o primeiro setor em arrecadação de impostos na economia brasileira. 

“Poucos países no mundo têm o potencial que o Brasil possui e num horizonte visível de poucos anos, esperamos que uma reforma tributária possa acomodar esta situação. Estamos com uma capacidade ociosa em torno de 30%. Se nós conseguíssemos ocupar melhor esta parcela, poderíamos contratar mais de 70 mil trabalhadores e contribuir com mais de 23 bilhões de reais em impostos, internalizando produtos que hoje importamos. Isso dá para fazer em uma década”, comentou Ciro Marino. 

Em sua exposição, o vice-presidente da unidade de Poliolefinas América do Sul e Europa da Braskem, Edison Terra, apontou que o desafio para o setor é o uso de matérias renováveis e a economia circular com reciclagem avançada, em substituição à mecânica.

Para o professor e economista Paulo Gala, da Fundação Getúlio Vargas, o desenvolvimento econômico de uma nação passa por uma aprendizagem produtiva. 

Paulo Gala afirmou, durante o evento, que a sofisticação produtiva e a densidade de produtos complexos são a base para o desenvolvimento socioeconômico de um país. 

Em rápido diálogo, presidente do CFQ falou com Marino sobre educação

Ao longo da pausa de intervalo, Ciro Marino conversou rapidamente com o presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), José de Ribamar Oliveira Filho. 

Oliveira Filho citou o projeto Profissional da Química Empreendedor (PQE), em que o Sistema CFQ/CRQs, em parceria com o SEBRAE, oferece cursos de qualificação para profissionais da Química e Marino elogiou a iniciativa, dizendo que “a educação é fundamental como lastro para qualquer plano de desenvolvimento de longo prazo para a indústria química”, uma vez que é improvável que o setor traga profissionais de outros lugares para responder à demanda projetada.

O Sistema CFQ/CRQs participou do evento ainda com representantes do Comitê de Relações Institucionais e Governamentais (CRIG) e da Assessoria Técnica. 

O coordenador do CRIG e presidente do Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ III – Rio de Janeiro), Rafael Almada, considerou válida a participação conselho profissional no evento. 

“Não se pode pensar em ações para promover a indústria, fazer com que o Brasil deixe a 6ª posição no ranking mundial para algo melhor, nem em uma Química mais sustentável sem pensar na qualificação profissional das pessoas que virão para construir essa nova indústria que almejamos”, afirmou Almada.

Fertilizantes estiveram em pauta na parte final do evento

 Na sequência do evento após a pausa, a secretária de Desenvolvimento da Indústria, Comércio Serviços e Inovação, Glenda Lustosa, avaliou que o Brasil tem capacidade de garantir a segurança alimentar e energética para si e o restante do planeta, ao citar o Plano Nacional de Fertilizantes e pesquisa no hidrogênio verde e biomassas, e na implantação do mercado de carbono.

O gás natural como instrumento para viabilizar novas cadeias produtivas foi assunto da explanação da executiva do Grupo Solvay, Daniela Manique. Na visão dela, o gás pode representar um importante insumo para a produção de fertilizantes no Brasil.

O vice-presidente sênior da Basf, Antonio Lacerda, trouxe para o evento o tema sobre bioprodutos e energias renováveis. O executivo disse que o mundo vive um momento de transição energética, com novas matrizes como biomassa, biodiesel, alcoolquímica, eólica, hidrogênio, entre outras. 

O saneamento básico também foi assunto da exposição do CEO da Unipar, Maurício Russomanno. Para ele, o Marco do Saneamento Básico é um dos maiores programas sociais na História do país. Ele avalia que a indústria química é imprescindível para a realização deste projeto, seja na infraestrutura, na análise das águas ou até na coleta e tratamento do esgoto. 

O Plano Nacional de Fertilizantes foi apresentado pelo coordenador da Diretoria de Ciências, Tecnologia e Inovações, da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, José Carlos Polidoro. Esta política possui mais de 120 ações, entre 14 objetivos estratégicos, até o ano de 2050.

Assista ao evento em https://www.youtube.com/watch?v=4g4RQSV7NKc