​​CFQ integra mesa de abertura da 45ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química

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Maceió é muito mais do que um cenário de praias, afinal, no momento, o destino turístico abriga a 45ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química e os mais de 1.500 participantes que estão presentes na cidade para discutir temas relacionadas à Química, à sustentabilidade e, acima de tudo, às estratégias que podem ser adotadas para o futuro. O primeiro evento presencial após a pandemia.

 Para esta edição o tema definido foi “Química Para o Desenvolvimento Sustentável e Soberano”, tendo como  ápice o Movimento Química Pós 2022 – Sustentabilidade e Soberania, que busca promover reflexões sobre como a Química pode contribuir para a sustentabilidade e a soberania do Brasil. O Movimento foi concebido tendo em conta três pontos: a comemoração em 2022 do bicentenário da independência do Brasil; a promulgação pela Assembleia Geral da ONU de 2022 como o Ano Internacional das Ciências Básicas para o Desenvolvimento Sustentável (sigla IYBSSD 2022); a dependência de nosso país de insumos químicos importados, bem como de itens e equipamentos diversos, caracterizando flagrante falta de soberania nessas questões, como claramente escancarado pela emergência sanitária causada pela pandemia de Covid-19.

 “Esta reunião atual é um ápice momentâneo do Movimento Química Pós 2022 porque é A implementação do seu plano de ação, nos próximos anos será um marco contributivo da SBQ para a Química, e a Química para um futuro desenvolvimento sustentável e soberano no nosso país…esse é um desafio pelo qual vale a pena viver”, reforçou o presidente da SBQ Romeu Cardozo Rocha Filho, em discurso durante a cerimônia de abertura.

 Já o reitor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Josealdo Tonholo, por sua vez, em fala, lembrou do potencial científico de Alagoas, seja pelas qualidades geográficas da região ou pela qualificação dos profissionais. 

Na sequência, foi composta a mesa destinada à premiação, que contou a presença de representante do CFQ, por meio do conselheiro federal professor Valdemar Lacerda Júnior que, na ocasião, em discurso lembrou a importância do evento da SBQ, bem como a recente parceria entre o Conselho Federal de Química e a Sociedade, que permitiu apoio ao evento “zelando por seu papel de indutor da Química e de promotor da Ciência, o CFQ tem apoiado indistintamente associações e iniciativas de terceiros que considera fundamentais para o segmento. Entre elas, destacamos que o Sistema CFQ/CRQs é apoiador do Programa Nacional Olimpíadas de Química, o maior evento do tipo no país e que teve mais de 350 mil inscritos em 2021 – um trabalho diferenciado e que, ao premiar os estudantes, semeia os profissionais da Química, os pesquisadores de que o Brasil precisará no futuro. Da mesma maneira, com idêntico orgulho, somos parceiros em eventos de entidades como a Associação Brasileira de Química e a Sociedade Brasileira de Química, nossa anfitriã desta noite e que muito nos honra com o amável convite”, completou.

Durante a 45ª Reunião foram entregues os prêmios: Medalha Simão Mathias (2020, 2021 e 2022), Medalha JBCS, Prêmio Revista Virtual de Química, Prêmio SBQ de Inovação “Fernando Galembeck” (2021 2 2022), Prêmio RSC-JPSBQ, Prêmio Vanderlan da Silva Bolzani, Prêmio Oswaldo Luiz Alves, e o Concurso Nacional de Redação.  A lista completa dos premiados pode ser acessada aqui.  

 Conferência de abertura – Do Fóssil ao Renovável: Química para o Desenvolvimento Sustentável”

O tema principal do evento foi abordado já na primeira noite com a conferência “Do Fóssil ao Renovável: Química para o Desenvolvimento Sustentável”, realizada pelo professor titular do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ, Cláudio Mota.

 As possibilidades que a Química oferece foram, pouco a pouco, desvendadas pelo palestrante, cuja narrativa explorou toda a relação da área com os marcos do desenvolvimento da civilização. De acordo com o professor, no decorrer da história, algumas descobertas foram essenciais e cruciais, entre elas o carvão, o petróleo, o plástico e os defensivos agrícolas. O desenvolvimento da população mundial, segundo o professor, está diretamente ligado às quatro ondas da indústria química, sendo a primeira onda a indústria inorgânica, seguida pela do carvão, posteriormente a petroquímica. Mas como tudo é um processo contínuo, o que permitiu o crescimento populacional e alavancou a modernidade precisa agora de novos destinos, sendo assim, estamos em ascensão na quarta onda, a da Química verde e sustentável. Fazendo com que a Química, mais uma vez, seja a protagonista da história.

“Para um processo ser sustentável, ele também precisa ser economicamente viável. Você não pode ter uma solução que o custo seja exorbitante, porque se for muito alto você não obedece ao pilar social, muito poucas pessoas vão poder usufruir dessa tecnologia.  Então, quando a gente fala em sustentabilidade, temos que levar em consideração os pilares ambiental, econômico e social”, abordou o palestrante, visando, assim, trazer novas possibilidades da Química na área de sustentabilidade.

A dinamicidade do mundo e a reutilização foram o gancho para uma nova proposta que visa capturar CO2 e, a partir disso, enxergar novas possibilidades para o destino, entre elas, a aplicação em hortas e até mesmo a síntese de novos insumos para a indústria química. 

Pertencem ao campo de estudos do profissional projetos alinhados aos 12 princípios da Química verde, bem como alternativas que, por meio da Química, levem ao reuso, principalmente do CO2 capturado da atmosfera. As linhas de pesquisa conduzidas por ele que são voltadas a uma Química forte e sustentável foram explicadas durante o evento, e entre essas linhas, ressalta-se a síntese de biocombustíveis por rotas alternativas que envolvem o aproveitamento de CO2 lançado na atmosfera e as possibilidades relacionadas à energia solar.