Confira cuidados essenciais antes de procedimentos estéticos com substâncias injetáveis

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Especialista do Sistema CFQ/CRQs explica por que produtos injetáveis exigem controle rigoroso, ambiente adequado e profissionais habilitados; orientações vão da procedência do produto à preparação para emergências

A morte de uma professora de 50 anos no Distrito Federal, após receber uma substância injetável para queda de cabelo em um salão de beleza, acendeu um alerta para os cuidados necessários em procedimentos que envolvem aplicações injetáveis. O caso é investigado pela Polícia Civil, que ainda apura qual produto foi administrado e o que provocou a reação grave.

Para Raquel Lima, presidente do Conselho Regional de Química da 19ª Região (CRQ-PB), o episódio reforça a necessidade de atenção aos riscos envolvidos em procedimentos injetáveis. Diferentemente de um cosmético de uso externo, uma substância injetada rompe a barreira natural de proteção da pele e é introduzida diretamente nos tecidos, podendo chegar rapidamente à circulação e produzir efeitos sistêmicos.

Checklist: o que observar antes de um procedimento com substâncias injetáveis

1. Verifique se o local está autorizado para realizar o procedimento

Procedimentos injetáveis não devem ser realizados em um salão de beleza convencional, licenciado apenas para serviços de embelezamento. O estabelecimento precisa possuir estrutura e licenciamento compatíveis com o procedimento realizado. Segundo Raquel Lima, a aplicação de medicamentos ou produtos injetáveis exige condições próprias de um serviço habilitado para esse tipo de atendimento.

2. Confirme se o profissional é habilitado

Outro ponto essencial é verificar se quem realizará o procedimento possui formação e habilitação profissional compatíveis com a prática. A presidente do CRQ-PB destaca que esteticistas e técnicos em estética trabalham com cosméticos dentro de suas atribuições, mas a administração de medicamentos e outras substâncias injetáveis deve obedecer às competências estabelecidas para cada profissão da área da saúde e às normas dos respectivos conselhos profissionais.

3. Saiba exatamente qual produto será aplicado

Antes de qualquer procedimento, o consumidor deve saber qual produto será utilizado, sua composição, indicação, fabricante, lote e prazo de validade. A segurança não depende apenas do nome da substância ou do seu princípio ativo. Conservantes, estabilizantes, antioxidantes, anestésicos, proteínas, peptídeos e outros componentes da formulação também podem estar associados a reações adversas.

4. “Natural” ou “vitamina” não significa ausência de risco

Substâncias encontradas naturalmente no organismo ou amplamente utilizadas em tratamentos não são necessariamente livres de riscos quando administradas por via injetável.

De acordo com Raquel Lima, fatores como pureza, esterilidade, concentração, dose, via e local de administração, condições de armazenamento, associações entre substâncias e possíveis contaminações precisam ser considerados. Algumas vitaminas administradas por via parenteral, por exemplo, também podem provocar reações de hipersensibilidade.

5. Não confunda cosméticos com produtos injetáveis

Cosméticos são destinados ao uso externo e não podem ser improvisados ou utilizados como produtos injetáveis. Produtos destinados à injeção devem estar regularizados na categoria sanitária correspondente e atender a requisitos específicos de qualidade, segurança, fabricação e, especialmente, esterilidade.

6. Observe as condições de higiene, conservação e esterilidade

O consumidor também deve ficar atento às condições do ambiente e dos materiais utilizados. O local precisa manter padrões adequados de higiene e assepsia, além de garantir armazenamento correto dos produtos, identificação de lote e validade, esterilidade e descarte apropriado de materiais perfurocortantes e resíduos.

7. O estabelecimento precisa estar preparado para emergências

Uma reação grave pode evoluir em poucos minutos. A anafilaxia, por exemplo, é uma reação sistêmica de hipersensibilidade que pode provocar queda acentuada da pressão arterial, inchaço, comprometimento das vias respiratórias, insuficiência respiratória e colapso cardiovascular. “É uma emergência que exige reconhecimento e atendimento imediatos”, explica Raquel. Ela ressalta ainda que uma pessoa pode apresentar uma reação grave mesmo sem possuir histórico conhecido de alergias.

Por isso, serviços que realizam procedimentos invasivos devem possuir protocolos para prevenção e manejo de intercorrências, fazer avaliação prévia do paciente e estar preparados para reconhecer rapidamente uma reação adversa e acionar o atendimento de emergência.

Segurança começa na ciência

De acordo com Raquel Lima, a análise de segurança de um procedimento precisa considerar todo o conjunto de fatores envolvidos: identidade química da substância, pureza, concentração, formulação, esterilidade, estabilidade, armazenamento, dose e via de administração. Misturas de substâncias também não devem ser feitas sem respaldo técnico, científico e regulatório. “A segurança de um procedimento não depende apenas do nome da substância utilizada”, reforça.

CFQ leva orientação e ciência à in-cosmetics Latin America

A segurança, a qualidade das formulações e a importância do conhecimento científico também estarão no centro da participação do Conselho Federal de Química (CFQ) na in-cosmetics Latin America, principal feira de ingredientes para a indústria de cosméticos e cuidados pessoais da região. O evento será realizado nos dias 23 e 24 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo. A participação do CFQ busca aproximar o Sistema CFQ/CRQs do setor produtivo, valorizar a atuação dos profissionais da Química e ampliar o debate sobre inovação, responsabilidade técnica e segurança na indústria de cosméticos e cuidados pessoais.