“Uma folha de papel não te deixa seguro”: especialista em Resíduos Sólidos explica a importância do profissional da química no tratamento e gestão de materiais

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Com o tema “Gerenciamento de Resíduos Sólidos”, a Live abordou descarte, sustentabilidade e gestão de matérias pela perspectiva do profissional da química.

A atuação estratégica dos profissionais da Química no gerenciamento adequado de resíduos sólidos foi destaque em mais uma edição do “Falas Químicas”, realizada nesta quarta-feira (26) pelo Conselho Federal de Química (CFQ). O encontro contou com a participação do especialista em Química Ambiental Marco Antônio Barreto Pinto, que acumula mais de quatro décadas de experiência na área e abordou a importância do conhecimento técnico para garantir segurança, eficiência e responsabilidade ambiental nas organizações.

A edição foi apresentada pelo presidente do Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ-RJ) e coordenador do Comitê de Meio Ambiente (COMAM), Harley Martins. Na abertura, ele destacou o papel do Comitê e a importância dos profissionais da Química na proteção ambiental. “Meio ambiente, sim, é multidisciplinar, mas nós entendemos que uma das principais disciplinas é a Química. Muitos profissionais da área e muitas empresas, com muita honra, registram-se no Sistema para proteger a sociedade da atuação nessa área”, afirmou.

Ao introduzir a discussão sobre resíduos sólidos, Harley também ressaltou a importância da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em agosto de 2010. A legislação estabelece princípios, objetivos e diretrizes para a gestão e o gerenciamento adequado desses materiais no país, além de reforçar a necessidade de práticas responsáveis desde a geração até a destinação final.

Na sequência, Marco Antônio Barreto chamou a atenção para a necessidade de ir além do cumprimento formal das exigências legais. Segundo o especialista, o gerenciamento adequado exige do profissional da Química não apenas conhecimento técnico e capacidade de análise, mas também atenção à rotina das operações e às condições verificadas na prática. “O cliente tem a licença, cumpre essa condicionante, tem o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), só que, e a prática dele? O auditor tem que ir pra área, o auditor tem que visitar a área”, explicou.

Esse cuidado, de acordo com Marco Antônio, deve permanecer mesmo depois que o material deixa as instalações da empresa. Tanto a organização geradora quanto o profissional responsável precisam acompanhar a destinação e verificar se o tratamento está sendo realizado de forma adequada. “A responsabilidade não termina no portão da fábrica. O gerador do resíduo é sempre o responsável por ele. Então, o fato de eu ter destinado para algum local e ter recebido um pedaço de papel, que é o certificado, não quer dizer muita coisa. Você precisa monitorar o seu fornecedor”, afirmou.

Marco Antônio Barreto explicando sobre a Hierarquia Aplicação na gestão de resíduos. Fonte: Reprodução

Para o especialista, esse acompanhamento exige domínio de todas as etapas, desde a geração do resíduo dentro da empresa até sua destinação final. Isso inclui avaliar a qualidade e a confiabilidade das prestadoras de serviço responsáveis pelo transporte, tratamento ou disposição do material. Em sua avaliação, apenas ter um “papelzinho na mão” indicando para onde o resíduo foi encaminhado não é suficiente para assegurar a segurança e a conformidade de todo o processo.

Aterro Zero

A discussão também abordou o conceito de aterro zero, meta buscada por algumas empresas com o objetivo de reduzir ou eliminar o envio de resíduos para aterros. Marco Antônio, no entanto, ponderou que alcançar esse resultado pode ser especialmente difícil para organizações de médio e grande porte. “Pela minha experiência de 40 anos, o aterro zero é pouco viável. Vai depender de uma empresa muito específica, mas uma indústria de um porte médio a grande dificilmente vai conseguir ter o aterro zero, porque tem resíduos que não são passíveis de reuso, de reciclagem, de recuperação energética e às vezes nem mesmo de destruição”, ressalta o químico.

Ao falar sobre a segurança dos aterros, Marco Antônio explicou que, quando projetados e operados de forma adequada, esses locais contam com estruturas e procedimentos de engenharia voltados à disposição segura dos resíduos. “Os aterros são operações seguras. É um processo de engenharia, não é simplesmente um local em que foi se depositando o resíduo. Existe toda uma engenharia de construção”, destacou o especialista.

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