Quem foi Hebe Martelli, a primeira mulher a presidir o CFQ

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Ser a primeira em várias áreas de sua trajetória foi uma das grandes marcas de Hebe Helena Labarthe Martelli. Ela foi aprovada em primeiro lugar para o curso de Química Industrial na Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sendo a primeira mulher a conseguir o feito. Também foi classificada como a melhor da turma que se graduou em 1942. Tal feito foi registrado pelo jornal carioca A Noite. Na edição de 15 de janeiro de 1942, lia-se:  

“Após um curso todo distinto, ilustrando bem a sua inteligência, e grande dedicação aos estudos, vem de se diplomar em químico-industrial a senhorita Hebe Helena Labarthe… cabendo-lhe o prêmio da Associação Brasileira de Química, que consiste no anel de grau, oferecido ao aluno mais destacado da turma, bem como o prêmio Schilling, Hillier & Cia.” 

Hebe também quebrou barreiras ao se tornar a única mulher a ocupar o cargo de presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), assumindo a direção da entidade em 1979. À frente da instituição, imprimiu à gestão seu caráter determinado, combinando-o com uma visão moderna sobre administração pública. Isso pode ser notado já na primeira resolução normativa (RN) assinada pela presidente.  

Hebe Helena Lambarthe Martelli, primeira mulher presidente do CFQ, em homenagem ao Dia do Químico em 16 de junho de 1979

Voltada à idoneidade das ações desenvolvidas, a RN nº 49, de 21 de setembro de 1979, estabelecia mecanismos para uniformizar os processos de prestação de contas ao TCU. Outro aspecto trabalhado por Hebe foi a celeridade no processo de descentralização e ampliação do Sistema CFQ/CRQs. Em 1981, a presidente se envolveu na criação do Conselho Regional de Química da 8ª Região, com sede em Aracaju (SE).  

No ano seguinte, 1982, criou o CRQ da 9ª Região (PR) com jurisdição em todo o estado. No Diário do Paraná, em 25 de janeiro de 1983, a inauguração do regional estampava a terceira página. Nela, Olavo Romanus, recém-eleito para o cargo de conselheiro do CRQ (PR), elogiava a rapidez com que a proposta paranaense fora considerada por Hebe. 

Já em 1983, foi a vez de ser criado o CRQ da 10ª Região, que então abrigava os estados do Ceará e do Piauí. Cláudio Sampaio Couto, presidente emérito desse regional, participou ativamente de sua constituição. Em entrevista concedida em 2022, Couto falou do apoio recebido de Hebe na década de 1980. “Ela era uma pessoa muito alegre, muito boa. Atendia muito bem à gente. Foi uma administração democrática, guardadas as proporções, semelhante a que se tem hoje com o professor José de Ribamar (Oliveira Filho, atual presidente do CFQ). Ela deu início a um processo muito importante, de administração mais delegada.” 

Hebe cumpriu dois mandatos como presidente do Conselho Federal de Química. Nos anos em que administrou a autarquia, participou de importantes decisões. Uma delas foi a Resolução Normativa nº 66, que estabelecia norma para isenção do pagamento de anuidade aos profissionais carentes, aos recém-formados que ainda não estivessem empregados e àqueles já registrados que perdessem sua atividade remunerada. Outra foi a celebração do convênio com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), em 1982, para a administração das obras de construção da sede do CFQ em Brasília (DF), localizada na Quadra 5 do Setor de Autarquias Sul. 

 

A passagem de Hebe pelo CFQ foi curta, mas disruptiva. Seu legado está presente até hoje nas ações do Conselho. Não à toa, seu nome batiza um dos personagens do jogo Mistura Explosiva, a doutora Hebe Limpy, profissional da Química habilitada e bem-informada, que combate a desinformação. 

Hebe Helena Labarthe Martelli faleceu em casa, em 2013, poucos meses antes de completar 94 anos.