Força e união construídas em 70 anos de conquistas

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Entre memórias, conquistas e desafios, congresso internacional celebra os 70 anos do Sistema CFQ/CRQs e reafirma o compromisso da Química com o desenvolvimento do Brasil.

A celebração dos 70 anos do Sistema CFQ/CRQs contou com a realização de um congresso internacional, em Brasília, nesta quarta-feira (17/06). O evento aconteceu às vésperas do Dia do Químico, data que remete à criação do Conselho Federal de Química (CFQ), em 1956, pelo então presidente da República, Juscelino Kubitschek. No local, profissionais, pesquisadores, representantes da indústria, autoridades e lideranças institucionais de todo o país debateram os desafios e as perspectivas da Química no Brasil.

Pela manhã, a abertura do evento resgatou a trajetória do Sistema CFQ/CRQs e reforçou seu compromisso histórico com a valorização da profissão, a proteção da sociedade e o interesse público. O caráter histórico do encontro, que marcou a retomada de um congresso nacional promovido pelo CFQ após mais de três décadas, foi destacado pelo presidente da entidade, José de Ribamar Oliveira Filho.

“Nossa última reunião dessa dimensão ocorreu em 1995, na cidade de São Paulo. Hoje, em 2026, retomamos esse grande encontro por um motivo monumental: celebrar os 70 anos de história do Sistema CFQ/CRQs”, declarou. “Este é um momento ímpar na trajetória da nossa instituição, uma oportunidade de celebrar o passado, avaliar o presente e desenhar o futuro”, afirmou.

 

Aproveite a jornada

Os próximos 70 anos começam com quem está aqui. Esse foi o mote da palestra magna proferida pelo navegador e escritor Amir Klink, considerado um dos mais respeitados exploradores do mundo. Em sua fala, Klink compartilhou reflexões e experiências acumuladas ao longo de sua trajetória.

“Minha experiência como navegador mostra que o caminho vai sendo percorrido com muitas surpresas, mas o importante é traçarmos o mapa de onde queremos chegar. Quando vemos que nossos objetivos foram alcançados, é muito gratificante, mas não podemos nos esquecer de aproveitar o caminho que nos trouxe até aqui”, compartilhou.

Ao abordar a importância do planejamento, o escritor contou como sua experiência transformou sua vida. Ele foi a primeira pessoa a realizar a travessia do Atlântico Sul a remo.

“Eu estava feliz, mas não porque fui o primeiro, ou porque entrei no livro mundial dos recordes, realizei o sonho da minha vida, me reinventei, e muito menos porque superei minhas limitações. Eu estava feliz por uma razão absolutamente soberana e sagrada: porque eu tinha um plano e o cumpri”, comentou.

Por fim, Klink alertou sobre a importância de ouvir o outro, algo que vem sendo desenvolvido no Sistema CFQ/CRQs sob a presidência de José de Ribamar.

“Temos a tendência de deixar de ouvir opiniões quando nos tornamos especialistas em algo. Mas é exatamente ao estar atento ao que o outro tem a dizer que podemos encontrar respostas para problemas ainda sem solução. Não importa se o outro também é um especialista ou se olha para a situação de fora. Sempre há algo a aprender”, ensinou.

 

Evolução e inteligência coletiva

O Congresso do Sistema CFQ/CRQs também foi marcado por reflexões sobre o papel estratégico da Química para o desenvolvimento científico, tecnológico, industrial e econômico do Brasil. Ao debater o tema “A Evolução do Sistema CFQ/CRQs e a Inteligência Coletiva por Dentro do Conselho Federal de Química (CFQ)”, os presentes puderam compreender melhor a trajetória e os avanços do Sistema.

Na ocasião, foram apresentados os trabalhos realizados por todas as comissões e comitês que integram o CFQ. Além disso, os presidentes dos Conselhos Regionais de Química compartilharam com o público suas atuações e conquistas.

“Sabemos da diversidade que existe em nosso Sistema, afinal são 21 regionais, com realidades diferentes. Nossa ideia é que essas comissões e comitês nos ajudem a fortalecer a atuação em todo o país. Essa troca de experiências cria soluções que se transformarão em políticas para todo o país”, ressaltou o 1º vice-presidente do CFQ, Rafael Barreto Almada.

Coordenador do Comitê de Relações Institucionais e Governamentais (CRIG/CFQ), Gilson da Costa Mascarenhas apresentou o histórico da profissão de Químico no Brasil e as dificuldades enfrentadas antes da regulamentação profissional.

“Muita coisa aconteceu desde 1956, quando o Sistema CFQ/CRQs foi criado. É a partir desse marco que podemos dizer que houve uma atuação unificada em defesa dos interesses dos profissionais da Química em todo o país. Antes, havia muita insegurança para nós e para a sociedade”, contou.

Mascarenhas também falou das transformações ocorridas a partir da gestão atual, como a criação do Colégio de Presidentes (Copresi), órgão consultivo do Sistema CFQ/CRQs composto pelos presidentes dos Regionais e coordenado por uma diretoria eleita. Sua finalidade é debater assuntos de interesse da categoria, unificar diretrizes de fiscalização e alinhar demandas legislativas e administrativas.

“Sou uma entusiasta da Química e do nosso Sistema, então ressalto a importância da participação de todos e da existência desses espaços de diálogo, onde podemos contribuir com as boas práticas e auxiliar na missão do CFQ de proteger nossos colegas e a sociedade de forma geral”, afirmou a coordenadora do Copresi e presidente do Conselho Regional de Química da 16ª Região (MT), Suzana Aparecida da Silva.

Atualmente, o Sistema conta com conselheiros federais, estaduais, além de agentes fiscais e toda uma estrutura que trabalha para fortalecer e fiscalizar o exercício profissional de mais de 220 mil profissionais da Química no Brasil e cerca de 52 mil empresas em atividade. Desde 2018, foram investidos aproximadamente R$36 milhões na área de fiscalização, resultando em cerca de 77 mil ações fiscalizatórias.

 

Parcerias e internacionalização

Atualmente, o Sistema CFQ/CRQs conta com diversos acordos de cooperação técnica, parcerias com entidades nacionais e estrangeiras e agendas legislativas que buscam trazer cada vez mais segurança para a profissão.

Nesse sentido, o presidente da Frente Parlamentar da Química, deputado Afonso Motta (PDT-RS), ressaltou a importância da parceria com o CFQ nas grandes decisões nacionais.

“Uma celebração de 70 anos de história tem muito significado. Como parlamentar e como alguém que preside uma das frentes mais importantes do Congresso Nacional, valorizo muito esta parceria, que serve para estruturar e organizar as demandas legislativas”, declarou.

“Sempre tivemos uma grande parceria com o CFQ e com os Conselhos Regionais de Química para que obtivéssemos resultados. Essa vigilância e essa capilaridade nos ajudam muito junto aos diferentes estados da Federação”, acrescentou o parlamentar.

No cenário internacional, o retorno do Brasil à União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), representado pelo CFQ, demonstra a força do trabalho de integração desenvolvido pelo Conselho. A organização é hoje a autoridade mundial responsável por padronizar a nomenclatura Química, terminologias, símbolos e métodos analíticos.

A atuação que rompe fronteiras nacionais também pôde ser observada pela participação cada vez mais ativa dos profissionais da área em grandes eventos, como o Congresso Latino-Americano de Química (CLAC). Como afirma a presidente da entidade, Ana Valderrama:

“Não é fácil manter uma instituição por tanto tempo, especialmente em nossa América Latina, diante dos desafios políticos e econômicos que enfrentamos. Por isso, os 70 anos do CFQ são um marco que merece ser celebrado.”

 

Resoluções profissionais

Membros da diretoria do CFQ usaram a palavra durante o evento para destacar algumas resoluções que impactam diretamente o exercício profissional da categoria.

Para a conselheira federal Suely Abrahão Schuh, essas resoluções são essenciais para modernizar e regulamentar a atuação profissional em todo o país.

“Essas ações fortalecem, modernizam e melhoram nossas condições de trabalho. São ferramentas que ajudam a cumprir a nossa missão junto à sociedade”, acrescentou.

Já o 2º vice-presidente do CFQ, Wilson Botter, falou da Resolução nº 287, que superou a visão de que a fiscalização possui caráter exclusivamente punitivo, conferindo-lhe também uma função educativa e preventiva.

“Durante algumas fiscalizações, nos deparamos com empresas e profissionais sérios, porém mal orientados. Isso gerava um problema, pois muitos deles acumulavam multas sem conseguir resolver a situação. A partir de uma orientação não punitiva, vários problemas foram solucionados e as empresas seguiram funcionando”, explicou.

Em sua participação, o 1º secretário do CFQ, Jonas Comin, falou sobre as mudanças no Código de Ética dos Profissionais da Química, promovidas por meio da Resolução nº 311.

“Há tempos precisávamos dessa atualização no nosso Código de Ética. Estamos implantando várias inovações e colocando a Química dentro de parâmetros mais modernos. Nossa função social precisa acompanhar as mudanças tecnológicas, sociais e as novas formas de atuação profissional”, defendeu.

O Congresso do Sistema CFQ/CRQs faz parte das comemorações pelo Dia do Químico, data que marca o aniversário da publicação da Lei nº 2.800, responsável pela criação do CFQ, em 1956.

 

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