Sistema CFQ/CRQs celebra 70 anos com Congresso em Brasília

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Encontro nacional celebrou os 70 anos do Sistema CFQ/CRQs e reforçou o papel estratégico da química para o desenvolvimento do Brasil

Em um momento histórico para a Química brasileira, o Sistema CFQ/CRQs celebrou 70 anos de atuação com a realização de um Congresso no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O evento reuniu profissionais, pesquisadores, representantes da indústria, da sociedade civil, autoridades públicas, internacionais e lideranças institucionais de todo o país para debater os desafios e as perspectivas da profissão. A programação foi marcada por reflexões sobre o papel estratégico da Química para o desenvolvimento científico, tecnológico, industrial e econômico do Brasil, reforçando a importância da atuação dos profissionais da área na promoção da inovação, da sustentabilidade e da proteção da sociedade.

Durante a abertura, um vídeo institucional resgatou a trajetória do Sistema CFQ/CRQs e reforçou seu compromisso histórico com a valorização da profissão, a proteção da sociedade e o interesse público.

O presidente do Conselho Federal de Química, José Ribamar Oliveira Filho, destacou o caráter histórico do encontro, que marcou a retomada de um congresso nacional promovido pelo CFQ após mais de três décadas.

“Nossa última reunião dessa dimensão ocorreu em 1995, na cidade de São Paulo. Hoje, em 2026, retomamos esse grande encontro por um motivo monumental: celebrar os 70 anos de história do Sistema CFQ/CRQs. Este é um momento ímpar na trajetória da nossa instituição, uma oportunidade de celebrar o passado, avaliar o presente e desenhar o futuro”, afirmou.

Ao fazer um balanço da trajetória da instituição, Ribamar ressaltou que o fortalecimento do Sistema é resultado da atuação integrada entre o Conselho Federal, os Conselhos Regionais de Química e as entidades parceiras que defendem a Ciência e o exercício profissional.

“Hoje, o nosso Sistema está muito mais fortalecido do que no passado. Esse fortalecimento se deve, em grande parte, aos amigos da Química e às parcerias estratégicas construídas ao longo dos anos. Nossa missão maior continua sendo proteger a sociedade e garantir que produtos e serviços essenciais sejam desenvolvidos por empresas comprometidas e profissionais devidamente habilitados”, destacou.

O presidente também fez questão de reconhecer o protagonismo dos conselhos regionais na construção dessa história de sete décadas.

“Nada do que o CFQ projeta ou impulsiona seria possível sem a atuação direta, firme e cotidiana dos nossos 21 Conselhos Regionais de Química. São eles que transformam nossas diretrizes em realidade, orientando, fiscalizando e contribuindo diretamente para o desenvolvimento científico, tecnológico e industrial do Brasil”, frisou.

Outro destaque do discurso foi a crescente inserção internacional da Química brasileira e a participação do Sistema CFQ/CRQs em importantes fóruns globais.

“O Sistema expandiu suas fronteiras. Retomamos com altivez a participação do Brasil na União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e consolidamos nossa presença nos debates internacionais sobre sustentabilidade e mudanças climáticas. Nossos profissionais têm ocupado espaços de relevância global, demonstrando como a química é um vetor essencial para o desenvolvimento das nações”, completou.

Ao abordar os desafios para o futuro, Ribamar defendeu maior investimento em ciência, tecnologia e inovação para que o Brasil aproveite melhor suas potencialidades econômicas e minerais.

“O Brasil possui riquezas extraordinárias e um enorme potencial científico. Precisamos transformar conhecimento em desenvolvimento, investir em pesquisa, fortalecer nossa indústria e assumir um papel de protagonismo tecnológico. O Brasil precisa da química para liderar essa transformação”, disse.

 

Reconhecimento da Química no Congresso Nacional

Presidente da Frente Parlamentar da Química, o deputado federal Afonso Motta (PDT-RS) destacou a importância da articulação entre os conselhos profissionais, a indústria e o Poder Legislativo para fortalecer o setor e ampliar o protagonismo da química no desenvolvimento do país.

Segundo ele, a atuação conjunta tem sido fundamental para impulsionar pautas estratégicas da categoria e consolidar avanços no Congresso Nacional.

“Nós temos orgulho de presidir uma das maiores frentes parlamentares do Congresso Nacional. Trabalhamos em um ambiente de grandes desafios, mas ter uma organização que acompanha os principais projetos, dialoga com os parlamentares e obtém resultados tem um significado muito importante”, afirmou.

Motta reafirmou o compromisso da Frente Parlamentar da Química com o fortalecimento do setor e a defesa de suas demandas.

“Estamos há muitos anos nessa caminhada e vamos continuar trabalhando porque sabemos da importância e do significado estratégico que a química tem para o Brasil”, concluiu.

 

Legado da Lei nº 2.800

O presidente da Federação Nacional dos Profissionais da Química (FENQUIM) e do Conselho Regional de Química da 14ª Região (AM, AC, RO, RR), Gilson da Costa Mascarenhas, ressaltou a importância da união entre as instituições que atuam em defesa da Química e destacou o papel histórico da Lei nº 2.800/1956 na construção do Sistema CFQ/CRQs.

“A Federação dos Profissionais da Química sente-se honrada com o convite para participar deste evento e por estar representada pelos membros dos sindicatos que também foram convidados pelo CFQ”, afirmou.

 

Normalização técnica e segurança

Entre os convidados, o presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Mario William Esper, destacou a parceria com o CFQ na elaboração, revisão e atualização de normas técnicas, além de ações voltadas à capacitação profissional.

Durante sua participação, Esper apresentou uma proposta de ampliação da cooperação institucional em âmbito internacional. Segundo ele, o Brasil, por meio da ABNT, foi escolhido pelos países do Mercosul para atuar como interlocutor junto à União Europeia nas discussões relacionadas à normalização técnica.

O dirigente também defendeu o fortalecimento da responsabilidade técnica dos profissionais da química em atividades que envolvem riscos à saúde e à segurança da população. Como exemplo, citou a norma sobre tratamento de piscinas, atualmente em consulta pública, que prevê a necessidade de responsável técnico qualificado em estabelecimentos como academias e piscinas públicas.

“Não podemos mais aceitar acidentes causados pelo manuseio inadequado de produtos químicos por pessoas sem qualificação. Precisamos valorizar o profissional da química e, ao mesmo tempo, contribuir para reduzir ocorrências que colocam vidas em risco”, destacou.

 

Integração latino-americana

Também presente no encontro, a presidente do Congresso Latino-Americano de Química (CLAC), Ana Valderrama Negrón, ressaltou a relevância da trajetória institucional construída ao longo de sete décadas. Ela destacou que a longevidade e a solidez do Sistema são exemplos para toda a América Latina.

“Não é fácil manter uma instituição por tanto tempo diante dos desafios políticos e econômicos que enfrentamos. Por isso, este é um marco que merece ser celebrado”, afirmou.

Ana Valderrama também convidou os profissionais brasileiros a participarem do Congresso Latino-Americano de Química e defendeu uma maior integração entre as entidades da região.

“O objetivo da Federação é justamente unir as associações químicas de toda a América Latina. O exemplo que estou vendo aqui neste grande evento é algo que pretendo compartilhar com outros países. Vocês podem ser a coluna sobre a qual construiremos uma nova etapa da Federação, fortalecendo a defesa das profissões químicas em toda a região”, destacou.

 

Parceria institucional e aproximação com as novas gerações

Representando a Associação Brasileira de Engenharia Química (ABEQ), o diretor-tesoureiro da entidade, Heleno Bispo, ressaltou a importância da atuação conjunta entre a associação e o Sistema CFQ/CRQs para o fortalecimento da química e da engenharia química no Brasil.

Heleno destacou que a aproximação entre os conselhos e a ABEQ tem sido fundamental para valorizar a atuação profissional e fortalecer o setor.

“Quando o conselho e a associação caminham juntos, a mensagem que chega à sociedade é ainda mais clara: a química e a engenharia química são áreas essenciais, estratégicas e profundamente ligadas ao desenvolvimento do país. O CFQ e os CRQs cumprem uma função indispensável na organização, na fiscalização e na proteção do exercício profissional, garantindo segurança à sociedade e valorizando quem atua com seriedade”, declarou.

 

Fortalecimento da indústria e valorização dos profissionais da Química

Durante pronunciamento, o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, destacou os desafios relacionados à educação, ao fortalecimento da indústria nacional e à valorização dos profissionais da química.

Ao parabenizar o CFQ pelos 70 anos de atuação, ressaltou a parceria entre as entidades em defesa do exercício profissional e alertou para os desafios enfrentados pelos profissionais da área diante da redução de oportunidades em segmentos industriais de alta complexidade.

Segundo ele, químicos, engenheiros químicos e técnicos em Química deveriam encontrar mais espaços compatíveis com seu elevado nível de qualificação e especialização, especialmente nos setores mais estratégicos da indústria química brasileira.

Ao encerrar sua participação, defendeu a construção de um projeto nacional de desenvolvimento capaz de ampliar a competitividade da indústria e gerar novas perspectivas para as futuras gerações.

“Precisamos construir um modelo de desenvolvimento estável, seguro e capaz de recolocar o Brasil em uma trajetória de crescimento, inovação e valorização dos seus profissionais”, concluiu.

 

Programação

A segunda parte do evento foi dedicada às discussões estratégicas sobre o futuro da química no país. Entre as atividades da programação, destacou-se a palestra magna “Os próximos 70 anos começam com quem está aqui”, ministrada pelo navegador e escritor Amyr Klink, que reforçou a importância do planejamento e da capacidade de transformar desafios em oportunidades.

Especialistas também participaram da mesa “A Química Brasileira no Cenário Internacional: Inovação e Oportunidades”, além da palestra sobre o papel dos Comitês e Comissões na evolução do Sistema CFQ/CRQs.