Realizado em conjunto com a IUPAC, o encontro reforça o compromisso do Sistema CFQ/CRQ com a equidade de gênero na ciência
Na terça-feira (2/11), véspera do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o Conselho Federal de Química (CFQ) realizou a segunda edição do Café Global de Mulheres na Química 2026. O evento é realizado simultaneamente em diversos países, sendo organizado pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC). Nessa edição, contou com o apoio do Comitê da Mulher da Química do CFQ.
Com o objetivo debater e apresentar soluções para ampliar a promoção da igualdade de gênero na ciência, conselheiros federais e regionais, presidentes de Conselhos Regionais, pesquisadores, representantes institucionais e convidados se reuniram na sede do CFQ. Foi um momento importante para a discussão dos avanços e novas perspectivas sobre o tema.
Durante a abertura do Café, o presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, ressaltou a importância estratégica da comunicação para o fortalecimento das bases científicas e sociais. “O Sistema CFQ/CRQ tem o compromisso de fortalecer e ampliar a agenda de diversidade e inclusão. Valorizar trajetórias e reafirmar o papel essencial das mulheres na construção do conhecimento científico não é apenas um gesto simbólico, mas uma responsabilidade institucional e social que deve orientar nossas ações”, afirmou.
Representando o cenário internacional, o evento conto com uma mensagem em vídeo de Javier Garcia Martinez, ex-presidente da IUPAC, que reforça o compromisso global com a promoção da diversidade na ciência. Para Martinez, “esta é uma oportunidade perfeita para proporcionar ações concretas que nos ajudem a reduzir lacunas. Precisamos discutir comportamento ético, práticas científicas responsáveis e formas de tornar os ambientes de trabalho mais inclusivos, especialmente nas posições de liderança.”
A coordenadora do Programa Nacional de Olimpíadas de Química (PNOQ), Nilce Viana Gramosa Pompeu de Souza Brasil, ressaltou o impacto da discussão sobre equidade de gênero e a importância de ampliar esse debate em diferentes espaços. “Quando participamos de debates como este, ampliamos a temática e criamos caminhos para que as meninas se vejam representadas e alcancem espaços de liderança acadêmica e científica. A representatividade é essencial para que meninas visualizem possibilidades reais de ascensão profissional”, destacou.
Para a presidente do Conselho Regional de Química da 16ª Região (CRQ 16ª – Mato Grosso) e coordenadora-geral do Colégio de Presidentes (Copresi), Suzana Aparecida da Silva, iniciativas como o Café Global consolidam os avanços já conquistados. “Iniciativas como essa são permitidas para manter o diálogo, motivar mulheres na ciência e fortalecer o papel transformador da química na sociedade.”
O Café Global de Mulheres na Química ainda conta com a presença de Juana Nunes, diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica, do MCTI, da pesquisadora e especialista na área, Cristina Araripe e de membros do Sistema CFQ/CRQs.
Debate técnico e dados sobre equidade – O foco da mesa de debate foram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS/ONU) relacionados à educação de qualidade, à igualdade de gênero e à redução das desigualdades.
Dados do Censo da Educação Superior apresentados no evento revelam que as mulheres já são maioria nas universidades brasileiras: representam cerca de 60% do total de estudantes, percentual que alcança 72% nos cursos de licenciatura e em áreas especificamente associadas ao cuidado, como saúde e educação. “A equidade de gênero é uma questão de direitos humanos. Os números mostram que a diversidade aumenta a excelência nos ambientes profissionais”, afirmou Márcia Foster, professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Apesar dos avanços, a professora alertou que ainda persistem desafios estruturais importantes para as mulheres, tanto na ciência quanto na sociedade de forma mais ampla, exigindo políticas consistentes e ações permanentes para garantir igualdade de oportunidades e reconhecimento.
Em sua fala, a conselheira federal e presidente do Comitê da Mulher na Química do CFQ, Andreia Piluski, trouxe conteúdo sobre a participação feminina no mercado de trabalho e destacou que apenas 26% das trabalhadoras estão na indústria. “Embora a presença feminina seja significativa no início da trajetória acadêmica, há redução progressiva nos níveis mais altos de qualificação e nas cargas de liderança”, afirmou. Ela também ressaltou situações recorrentes de assédio moral e sexual no ambiente profissional. “É fundamental fortalecer os códigos de conduta, investir em treinamentos e implementar políticas efetivas de equidade”, defendeu.
Atuação do Comitê da Mulher na Química (CMQ)
Criado em 2025, o Comitê da Mulher da Química do CFQ trabalha para identificar necessidades, mapear oportunidades e construir políticas que fortaleçam a trajetória dos profissionais da química. “Nosso objetivo é gerar ações concretas, produzir documentos e criar propostas que possam ser encaminhadas aos formuladores de políticas públicas, ampliando direitos e oportunidades para as mulheres na área”, explicou Andreia Piluski.
Retorno à IUPAC – Com a volta do Brasil à IUPAC, e a parceria firmada com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o Sistema CFQ/CRQs passa a atuar também no âmbito internacional. Isso permitirá aos profissionais da química acesso ampliado à tomada de decisão com relação às normas técnicas. “Esta é uma iniciativa estratégica que contribui para a competitividade e fortalece a atuação especializada da área química”, explica o presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho.