CFQ e Abipla avançam em parceria e ampliam ações contra informalidade

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Reunião no Conselho reforça agenda conjunta com foco em educação, regulação e combate a produtos ilegais no setor de saneantes

O Conselho Federal de Química (CFQ) e a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (Abipla) deram mais um passo na consolidação de sua parceria institucional durante reunião realizada na sede do Conselho, em Brasília. O encontro reuniu representantes das duas entidades no âmbito da Comissão de Orientação e Fiscalização Profissional do Sistema CFQ/CRQs (CFISC) e teve como foco o alinhamento de ações previstas no acordo de cooperação entre as instituições.

O presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, agradeceu a presença da diretora executiva da Abipla, Jordana Saldanha, e destacou a relevância da atuação conjunta entre as instituições. “É uma satisfação receber a Abipla neste momento de continuidade do nosso trabalho conjunto. Essa parceria é estratégica porque une conhecimento técnico, regulação e atuação setorial em torno de um objetivo comum, que é proteger a população e fortalecer o setor de saneantes no país”, afirmou.

Representando a Abipla, Jordana apresentou um panorama atualizado do setor de saneantes no Brasil e reforçou o papel da indústria na promoção da saúde pública. A entidade completa 50 anos em 2026 sob o lema “limpar é proteger”, conceito que, segundo ela, sintetiza a importância dos produtos de limpeza como barreiras sanitárias no cotidiano de residências e ambientes profissionais.

De acordo com dados apresentados pela diretora, o Brasil ocupa a quarta posição no mercado global de produtos de limpeza, movimentando cerca de R$ 38 bilhões ao ano na indústria formal, com mais de 92 mil empregos diretos e presença em 95% dos lares. O setor reúne aproximadamente 2.590 empresas identificadas. Apesar da relevância econômica, Jordana chamou atenção para o avanço da informalidade, que já representa um desafio significativo para a segurança do consumidor e para a concorrência leal.

Segundo a Abipla, cerca de 32% das empresas que consomem produtos irregulares afirmam não ter consciência de que estão infringindo normas de segurança. Estima-se que aproximadamente R$ 8 bilhões em produtos ilegais circulem no mercado. O levantamento também aponta crescimento na compra de itens fora da formalidade: 14% dos consumidores adquirem produtos por canais informais, índice superior aos 11% registrados em 2024, enquanto entre empresas o percentual chega a 20%. A venda porta a porta por caminhões atinge 14% dos estabelecimentos, com destaque para a região Nordeste, onde o índice sobe para 23%.

Para Jordana, o enfrentamento desse cenário passa por uma mudança de abordagem na comunicação com a sociedade. “Não podemos falar sobre riscos apenas quando ocorre uma tragédia. É preciso investir em educação e conscientização contínuas”, afirmou. Ela defendeu a ampliação de campanhas educativas, mesmo diante do desafio de engajamento do público.

Entre as iniciativas conjuntas em andamento, está o lançamento da versão virtual do jogo educativo “Mistura Explosiva”, desenvolvido pelo Sistema CFQ/CRQs em parceria com a Abipla. A ferramenta, originalmente concebida como jogo de tabuleiro, busca alertar sobre os riscos da mistura caseira de produtos de limpeza, prática frequentemente incentivada por conteúdos enganosos nas redes sociais. A versão digital, que conta com apoio do Senai e do Sistema CFQ/CRQs, pretende ampliar o alcance da ação.

Outra frente relevante é a realização da 4ª Pesquisa de Informalidade Setorial, considerada estratégica para mapear o comportamento do mercado e orientar políticas públicas e ações institucionais. Também estão previstos workshops em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), voltados especialmente para pequenas empresas, com foco em boas práticas, regulação e segurança no uso de saneantes.

Ao encerrar sua apresentação, Jordana reforçou que “a limpeza é a primeira vacina e a regulação é o escudo da sociedade”, destacando que o combate à informalidade e à pirataria exige atuação coordenada entre indústria, órgãos de defesa do consumidor, autoridades sanitárias e fiscais, além de entidades representativas e forças de segurança.

Além das lideranças das duas instituições, participaram da reunião Wagner Aparecido Contrera Lopes e Rodrigo Alan de Moura Rodrigues, conselheiros federais do CFQ, e Liliam Rezende Possa, chefe da Assessoria de Comunicação do Conselho.