Mergulho autônomo como ferramenta científica na proteção da biodiversidade marinha
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Debate integrou as atividades do CFQ durante a COP30 e abordou o uso do mergulho científico na gestão climática

Durante a participação do Conselho Federal de Química (CFQ) na COP30, foi promovido, na Green Zone, o painel “Observação subaquática aplicada à gestão climática: contribuições do mergulho autônomo na proteção da biodiversidade marinha”, em parceria com a Universidade de Vassouras. O encontro tratou do uso do mergulho científico no monitoramento ambiental e na proteção de ecossistemas marinhos.
O painel foi moderado por Rafael Almada, 1º vice-presidente do CFQ, que destacou a importância de ampliar a discussão. Segundo ele, era uma oportunidade de “um bom debate, um bom diálogo para falar um pouco sobre esse tema tão necessário”.
Durante sua apresentação, Marco Antônio Soares de Souza, reitor da Universidade de Vassouras e instrutor de mergulho há mais de 20 anos, ressaltou que menos de 5% dos biomas marinhos foram estudados e que o contato direto com esses ambientes fortalece a consciência ambiental. “É quase impossível um cidadão começar a praticar o mergulho autônomo e não se sentir sensibilizado”, afirmou.
Marco destacou os efeitos do aquecimento dos oceanos, com ênfase no branqueamento dos corais. Segundo ele, quando um coral morre, “você não mata só o coral. Você compromete toda uma cadeia”. Ele alertou que quem mergulha há décadas percebe claramente as mudanças: “Não é falácia. Isso é fato. A gente, em loco, tá vendo que a coisa tá mudando”.
O palestrante também abordou a expansão do peixe-leão, espécie invasora de alto impacto. “Ele se reproduz muito rápido, não encontra predadores efetivos”, explicou. Em vídeo exibido, mostrou o animal imóvel diante do mergulhador: “Ele não se sente ameaçado, ele fica quietinho lá”.