CFQ debate relação da Química com cannabis em encontro virtual
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O conselheiro federal Ubiracir Lima participou de um encontro virtual, no dia 12 de março, promovido pela Academia Executiva do Cânhamo (AEC), a convite do seu presidente Dr. Rafael Arcuri, para discutir aspectos científicos e tecnológicos no uso da planta no país. Os dados podem embasar decisões em instâncias legislativas e judiciárias.
Lima é coordenador do Grupo de Trabalho do Conselho Federal de Química (CFQ) que trata do tema. Durante a apresentação, ele mostrou estudos realizados com 82 plantas em que analisou a concentração de componentes químicos da cannabis, que são naturalmente enriquecidas ora em THC, ora em CBD, ou variantes intermediárias, indicadas para usos terapêuticos específicos ou industriais.
“Tecnologia é um bem muito grande e se conquista, estamos buscando mapear essas plantas. Tenho o quimiotipo bem caracterizado, tenho segurança. Tecnicamente, conseguimos dar subsídio para diferentes destinações”, afirmou.
Do ponto de vista da saúde, Ubiracir Lima defendeu que produtos derivados da cannabis têm capacidade de promover benefícios para tratar condições médicas. Ele afirmou que, atualmente, a população é limitada desse acesso devido aos altos custos de produção nacional, dependente de importação dos insumos ativos. “Vamos contribuir com a ciência Química, e levar informações as mais precisas possíveis para as pessoas que redigem as normas.”
Sob a perspectiva da economia, o conselheiro defendeu que a inserção da planta na cadeia produtiva poderá impulsionar um mercado de emprego e renda no setor do agronegócio e no industrial. “Há um insumo vegetal, por que o Brasil ainda não trabalha com esta planta?”, indagou.
Ele mesmo esclareceu que o fato de que “no geral, um dos metabólitos, ou um dos quimiotipos específicos que geram, por biosíntese, uma substância que pode ser considerada droga” leva à proibição, o que limita o acesso à cannabis. O conselheiro argumentou que a “inovação e industrialização nasce da pesquisa”, e defendeu os estudos com a planta, inclusive determinação de biomarcadores para certificações e rastreabilidade daqueles quimiotipos isentos daquele metabólito.
Durante a palestra, Ubiracir Lima lembrou audiências públicas no Congresso Nacional em que apresentou informações técnicas sobre o uso industrial e medicinal da cannabis. “Precisamos ter alguma informação sólida, um estudo bem controlado e relatado para poder apresentar, para demonstrar segurança para auditores, inclusive para os legisladores”.
O conselheiro destacou que a legislação atual impõe barreiras ao acesso de produtos controlados, como a cannabis. “Ficamos amarrados nesse sentido”, finalizou Ubiracir Lima.