CRQ IV-SP realiza 3ª edição do curso Química da Cannabis
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Com o propósito de oferecer uma visão atualizada dos componentes da cannabis e seu impacto na medicina e pesquisa científica, o Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV-SP) promoveu a terceira edição do curso “Química da Cannabis”, no formato de ensino a distância (EaD).
Organizado pelo CRQ IV-SP, com o apoio do CRQ I-PE, o curso teve sua aula inaugural na segunda-feira (18). Sob a coordenação acadêmica do conselheiro federal do Conselho Federal de Química (CFQ) Ubiracir Lima e a coordenação administrativa de Sabrina Miyazaki, o evento contou com a participação de estudantes, pesquisadores e Profissionais da Química e áreas correlatas.
Aula inaugural
No evento, Ubiracir Lima ressaltou a importância da colaboração entre profissionais de diferentes áreas, destacando as contribuições da ciência farmacêutica no desenvolvimento terapêutico, com foco na cannabis.

Além disso, ele anunciou a ampliação do curso para uma pós-graduação, visando proporcionar uma formação mais abrangente e técnica aos profissionais interessados, em parceria com uma instituição de ensino responsável pela certificação acadêmica.
“Estamos estudando a melhor forma de ampliar e aumentar a capacidade do curso, agora para uma pós-graduação, com 360 horas. Em breve, vamos apresentar módulos estruturados de forma técnica, científica e acadêmica, para capacitar os diversos profissionais que trabalham com a cannabis, desde o cultivo até a aplicação em diferentes produtos. É uma importante iniciativa para promover a melhoria da qualidade de vida da sociedade”, pontuou.
Evolução técnica
O primeiro módulo, “Evolução técnica, jurídica e regulatória e a importância do controle de qualidade nos produtos de cannabis”, foi conduzido pela professora Dra. Margarete Akemi Kishi, da Universidade Mackenzie, especialista em Homeopatia, Fitoterapia e Medicina Chinesa e Farmacêutica Clínica com ênfase em Práticas Integrativas e Complementares no SUS e em Cannabis Medicinal e coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Cannabis do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

Kishi abordou diversos aspectos relacionados à história e à regulação da cannabis, além de destacar a relevância do controle de qualidade na produção de produtos derivados da planta.
Segundo a professora, a história da cannabis é tão vasta e complexa que seria necessário um curso completo para explorá-la adequadamente. “Ao longo dos anos, a cannabis permeou todas as regiões do planeta, desempenhando uma multiplicidade de papéis em diversas culturas”, afirmou.

Além disso, ela ressaltou a importância da metodologia de extração da cannabis para assegurar a qualidade dos produtos derivados, alertando para a necessidade de considerar cuidadosamente aspectos como solventes, controle de qualidade e validação de processos.
Legislação
A pesquisadora também enfatizou a urgência de atualizar a legislação relacionada à cannabis, bem como o potencial nutricional das sementes da planta. “A legislação relacionada à cannabis ainda precisa ser atualizada e adequada às novas realidades. No entanto, já houve grandes avanços, como a possibilidade de prescrição do CBD e mudanças nas regulamentações de importação”, ressaltou.

Potencial nutritivo
Ainda de acordo com Kishi, a cannabis possui um potencial nutricional enorme, com suas sementes sendo ricas em nutrientes essenciais, como ômega 3, ferro e magnésio. “No entanto, as restrições legais em alguns países impedem seu uso como alimento”, considerou.
Mercado da cannabis
Margarete também abordou a dinâmica em constante evolução do mercado da cannabis, em que ressaltou que “novas tecnologias e aplicações surgem continuamente”. Ela ainda destacou a necessidade de os profissionais estarem atualizados e preparados para lidar com essas mudanças, enfatizando a importância da adaptação às transformações do setor.