19º ENBEQ: CFQ participa de plenária sobre qualidade da formação superior

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No encerramento do 19º Encontro Brasileiro sobre Ensino da Engenharia Química (ENBEQ), o Conselho Federal de Química (CFQ) participou de sessão plenária para debater a qualidade da formação superior e suas consequências para as atribuições profissionais. O CFQ foi representado pelo Conselheiro Federal, Roberto Rodrigues de Souza, na discussão que ocorreu na tarde da quinta-feira (05).

A audiência da sessão plenária contou com a presença do Presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, além da Conselheira Federal e Diretora do CFQ, Ana Biriba. A sessão foi moderada pelo Engenheiro Químico pela UFSCar, André Bernardo, e teve como palestrante, o especialista em Educação em Engenharia pela Unicamp, Vanderli Fava de Oliveira. Também esteve presente o representante do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) Wiliam Alves Barbosa.

Estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) definem os princípios, os fundamentos, as condições e as finalidades que devem ser observadas pelas Instituições de Educação Superior (IES) na organização, no desenvolvimento e na avaliação dos cursos de graduação. As DCNs tratam de forma ampla, flexível e geral os fatores constitutivos dos currículos dos cursos, descrevendo as competências básicas, pessoais e profissionais a serem proporcionadas aos egressos.

Nesse sentido, em sua fala, Roberto de Souza reforçou a importância da qualidade dos currículos dos cursos de Engenharia Química. “Uma formação de qualidade tem que fazer com que o profissional tenha conhecimento consolidado e numa visão interdisciplinar. O importante é que aquele profissional saia com os conhecimentos mínimos necessários para que possa fazer o produto, conduzir o processo, saber resolver problemas”, afirmou.

São elas:
Resolução Ordinária Nº 1.511/1975
Resolução Normativa Nº 36/1974

O Conselheiro enfatizou que debates como esses são importantes, pois aproximam o Sistema CFQ/CRQs da sociedade, uma atuação fundamental para o Sistema enquanto responsável pela fiscalização do exercício das atividades profissionais da Química. E reforçou que a forma de o Sistema CFQ/CRQs atribuir as atividades profissionais não é aleatória, que há resoluções normativas classificando as atividades e que, na análise dos processos, são consideradas as componentes curriculares efetivamente cursadas pelos egressos dos cursos.

Sobre as mudanças nas DCNs da Engenharia, o conselheiro federal afirma que se trata de uma alteração para avaliar o estudante de acordo com as habilidades e não apenas por meio da disciplina. “Temos que essa mudança, agora avaliando o aluno por competência, está integrada a um conhecimento, a forma metodológica, a ações e projetos que se adequam à nova realidade dos profissionais da Engenharia Química. Nós, do CFQ, estamos cientes do quanto isso pode ser benéfico”, reiterou Roberto.

Entretanto, o conselheiro demonstrou que alguns pontos ainda geram preocupações na estruturação dos currículos dos cursos pelas IES, em especial a parcela de conteúdos dedicados à Química. “Nossas preocupações são projetos pedagógicos com ausência de conteúdo básico na área de Química, sem operações unitárias, sem conhecimento dos fenômenos de transporte, sem conhecimentos dos controles, sem conhecimento de química orgânica, analítica, físico-química. Tem que ter esses conhecimentos.”

Na sequência do debate, o palestrante Vanderli Fava reforçou que a nova concepção, referente ao desenvolvimento de competências, traz junto consigo o pressuposto de que o aluno só progride se  souber realizar atividades e solucionar questões relacionadas às unidades de conhecimento oferecidas. O desenvolvimento de competências pressupõe não só o saber, mas também o saber fazer, que é completado com habilidades desenvolvidas a partir daquele conhecimento em contextos e aplicações. Isso traz melhorias para as atribuições profissionais.

Evasão

Durante a plenária, e também em todas as discussões do encontro, foi pautada a necessidade de atrair mais alunos para os cursos de engenharia, dado o contexto atual de alto índice de evasão e, também, de desinteresse por ingressar em cursos da área. O palestrante destacou em sua fala que as novas DCNs têm potencial para atrair e garantir a permanência dos estudantes.

“As novas diretrizes trazem uma nova concepção de confecção das matrizes curriculares que veem substituir o formato de grades, que colocavam um percurso rígido para os alunos e no fim davam uma formação, por vezes, fragmentada”, afirmou Vanderli.

O conselheiro Roberto explicou que as novas DCNs foram idealizadas pensando, também, nessa problemática: “Essas diretrizes vieram melhorar as metodologias pra que a gente possa atrair mais o aluno. Melhorando as formas metodológicas a partir de projetos e melhorando as extensões será possível ampliar o número de estudantes que queiram aderir ao curso”.

Por outro lado, em defesa enfática, o conselheiro afirmou que a mudança não pode representar a perda de conteúdo programático para o curso em questão. “A parte de Química vai ser preservada, mas dentro de um contexto, não naquelas caixinhas de disciplinas. Será um curso mais interligado, conectado à realidade e fazendo com que o aluno tenha uma formação dinâmica e, dessa forma, esteja mais atraído a cursar e concluir o curso”.

19ª ENBEQ

A 19ª edição do ENBEQ busca integrar alunos, professores e gestores de cursos de Engenharia Química (graduação e pós-graduação) numa imersão de ricas discussões sobre práticas inovadoras de ensino-aprendizagem nas universidades brasileiras e do exterior – bem como temas atuais e controversos, mas de alta relevância e impacto, como a cibercultura, a hibridização do ensino, a curricularização da extensão, dentre outros.