CFQ participa do XXI ENEQ como setor de interface da Química no Brasil
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Pela primeira vez o Conselho Federal de Química (CFQ) esteve representado no XXI Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ), o maior e mais importante evento promovido pela Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBEnQ) a cada dois anos. O evento busca discutir temáticas que abordam questões sobre os avanços e as restrições da Educação Química no Brasil, bem como a formação de professores. A XXI edição ocorreu na cidade de Uberlândia (MG), de 1º a 3 de março.
A iniciativa de participar de eventos como esse é do presidente da Autarquia, José de Ribamar Oliveira Filho, para aproximar o Conselho da temática da formação dos Profissionais da Química no país. “Nosso objetivo é contribuir para superar os desafios que se impõem na evolução do ensino de Química no país”, afirmou a professora doutora Silvana Calado, conselheira do CFQ, que esteve nos três dias de programação representando o órgão, ao lado do membro da Ouvidoria do CFQ , Diego Soares, bacharel e licenciado em Química. Representando o Conselho Regional de Química da 2ª Região (CRQ II – Minas Gerais), participou Euclides Lima.
Reconhecimento
Além disso, o assunto está relacionado com atribuições do Comitê de Governança de Premiações e Eventos (CGPE), coordenado por Silvana. Uma delas é promover eventos com premiações para reconhecer Profissionais da Química, não só da área de educação e aqueles que estão em atividade, como também os que já se aposentaram. “Essas premiações foram instituídas para mostrar o quanto o Conselho se preocupa e prestigia o que nossos pesquisadores e cientistas estão fazendo para a melhoria da Química no Brasil”, explicou.
Por falar em prestígio, a SBEnQ encerrou a XXI edição do ENEQ com a instituição do prêmio Roseli Pacheco Schnetzler, a qual também recebeu várias homenagens por sua trajetória como pesquisadora e no ensino de Química no Brasil. E a primeira a receber a honraria foi Maria Eunice Ribeiro Marcondes, outra referência na área. “O mais importante é esse reconhecimento da própria comunidade dos professores com seus pares. Isso mostra como as professoras mulheres também têm o seu valor na área da Química e estão sendo reconhecidas por isso. É motivo de orgulho para nós”, avaliou Silvana Calado.

Democratização do ensino
A cada edição, o ENEQ aborda uma temática diferente. Em 2023, o tema escolhido foi “Democratização do Ensino de Química: (des)caminhos das políticas públicas brasileiras”. De acordo com o presidente da SBEnQ, professor doutor Marcus Ribeiro, uma das preocupações que motivou a escolha foi a reforma do ensino médio ocorrida em 2017 que, segundo ele, provocou a precarização do ensino médio como um todo, em especial das aulas de Química . “A carga horária tem sido reduzida brutalmente nessa proposta. Há horários que sequer contemplam aulas de Química numa quantidade razoável semanal e quando há. Isso nos preocupa”, explicou Ribeiro.
Essa precarização apontada por ele, segundo avalia, diminui a quantidade de professores na área e estimula a formação deficiente dos alunos por terem cada vez menos aulas, menos relação com a ciência e menos acesso ao conhecimento científico. “A importância de trazer para perto, não só os professores, mas os órgãos que representam esses profissionais, como o próprio CFQ, é de nos unir em torno da revogação do ensino médio que está aí e buscar outro modelo”, propôs Marcus Ribeiro.
Interface da Química
O professor doutor Helder Silveira, pró-reitor de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e coordenador-geral do evento, elencou uma série de pontos que precisam ser discutidos no cenário atual da educação básica e superior no Brasil e que permearam o ENEQ. “Aqui está toda a comunidade de ensino de Química pensando de que modo este conhecimento especificamente pode contribuir para que a nossa sociedade seja mais justa, mais igualitária e que promova equidade e emancipação social”, destacou.
Para o coordenador-geral do ENEQ, a temática da educação precisa ser apropriada de todos os setores de interface da sociedade, como é o caso do Conselho Federal de Química. “Apesar de o campo educacional não ser a atuação principal desses conselhos, por exemplo, esses espaços não podem ficar alijados da participação, da construção ou reconstrução de tais políticas, porque o interesse de produzir uma Química que possa também olhar para a sustentabilidade, para o desenvolvimento ambiental e humano é de responsabilidade de todos nós e, nesse sentido, os conselhos têm um papel importante em torno de uma causa comum”, avalia Helder Silveira.
O XXI ENEQ contou com a participação da Universidade Federal de Uberlândia, Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) e Instituto Federal Goiano (IF Goiano).