Rio Oil & Gas: reinjeção do gás natural nos poços ou seu aproveitamento comercial?
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A Rio Oil & Gas 2022, maior evento do país no segmento da exploração de petróleo e derivados, teve um painel para tratar das condições de uso da tecnologia de reinjeção do gás nos poços, sua viabilidade, riscos e vantagens. Participaram do painel Sylvie D’Apote (IBP), que atuou como mediadora, Álvaro Tupiassu (Petrobras), Lars Jetlund Hansen (Equinor), Luiz Costamilan (IBP) e Vladimir Paschoal Macedo (Agenersa – Agencia Reguladora de Energia e Saneamento Basico do Estado do Rio de Janeiro).
O painel teve como título “Aproveitamento do gás natural associado produzido nos campos do pré-sal” e apresentou um belo panorama da temática, ainda que tenha ficado evidente que cada caso tem suas particularidades e a opção tem de levar em consideração diversos aspectos.
Importante destacar que o gás produzido é necessariamente dividido em três grupos: uma fração é reinjetada no reservatório em razão do processo de separação do contaminante CO2 presente no gás produzido; outra é exportada (disponibilizada) ao mercado e uma terceira é reinjetada nas jazidas visando melhoria da extração, recuperação, do óleo e também em função da não disponibilidade plena de infraestrutura de exportação e de tratamento do gás.
Hansen destacou a experiência norueguesa com essas tecnologias. Ele destacou que acontece de um poço em que o gás foi reinjetado por longo período para possibilitar a exploração do óleo se tornar viável mais tarde para a re-extração do gás natural.
“Cada caso é um caso e trata-se de uma decisão técnico-econômica, muito do COs tem de ser eliminado na própria plataforma, mas os passos seguintes dependem do tipo de reservatório (do ponto de vista geológico) e da reinjeção a utilizar. Outro ponto a destacar é a característica de monetização do reservatório, se é voltada para o óleo ou para o gás”, afirmou o representante da Equinor.
A decisão sobre a utilização do gás natural depende de variantes econômicas muito específicas: a cadeia logística para disponibilizar o gás no mercado tem custos elevados e ainda que a regulação estatal tenha poder para intervir, esse poder precisa ser utilizado com ponderação para não inviabilizar o reservatório como um todo.
Costamilan destacou que a reinjeção não precisa ser vista com maus olhos e que, em determinadas condições, é a decisão correta.
“Hoje há uma demonização da reinjeção. Vamos acabar com isso? Exigir a reinjeção é papel do regulador, há que se definir o nível adequado dessa reinjeção”, afirmou.
Ele acredita que a transição energética segue um ideal a ser perseguido, mas que os mercados globais foram abalados pela Guerra da Ucrânia trazendo à tona outra expressão que andava um tanto esquecida: ‘segurança energética”.
O aproveitamento do gás natural é desejável, mas o cenário para o Brasil indica que não há condições econômicas de uma reviravolta em curto prazo, no que diz respeito à substituição de importações – especialmente as da Bolivia.
“O Brasil seguirá sendo importador, mas os níveis de importação irão diminuir ao longo do tempo”, projeta Tupiassu.
Sistema CFQ/CRQs na Rio Oil & Gas
O Sistema CFQ/CRQs participa da Rio Oil & Gas 2022 na condição de expositor, com um estande compartilhado entre o Conselho Federal de Química (CFQ) e o Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ III – Rio de Janeiro).