Memórias, conquistas e futuro marcam plenária histórica dos 70 anos do CFQ
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Realizada na Câmara dos Deputados, sessão reuniu lideranças do Sistema CFQ/CRQs, homenageou profissionais e aprovou moções de apoio à ciência, à educação e à indústria química brasileira
Como parte da programação especial em comemoração aos 70 anos do Conselho Federal de Química (CFQ), foi realizada nesta quinta-feira (18), na Câmara dos Deputados, em Brasília, a primeira sessão plenária descentralizada já realizada pela autarquia. O encontro reuniu conselheiros federais e lideranças do Sistema CFQ/CRQs em um momento marcado por homenagens, memórias e reflexões sobre a trajetória da profissão e os desafios para o futuro.
A iniciativa integrou o circuito de celebrações promovido pelo CFQ na capital federal, que também contou com Sessão Especial no Senado Federal, Sessão Solene na Câmara dos Deputados e outras atividades voltadas à valorização dos profissionais da Química e da história do Sistema. A reunião contou com o apoio do deputado federal Max Lemos (UNIÃO), reconhecido pelo Sistema CFQ/CRQs por empenho em viabilizar a realização da sessão em um dos principais espaços de representação democrática do país.
Ao abrir os trabalhos, o presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, destacou a importância da celebração dos 70 anos da autarquia e o momento vivido pela instituição. “Estou deslumbrado com o tamanho da nossa visibilidade”, declarou. O sentimento foi compartilhado pelo 2º vice-presidente do CFQ, Wilson Botter: “Nem nos meus sonhos mais megalomaníacos imaginei que chegaríamos até aqui. É uma grande emoção estar vivendo este momento.”
O significado histórico da realização da primeira plenária descentralizada da autarquia foi destacado pelo 1º vice-presidente do CFQ, Rafael Almada. Com o momento simbólico, a entidade amplia suas fronteiras. “Estamos rompendo nossos muros. Estamos nos estados, nas indústrias e cada vez mais próximos dos profissionais”, enfatizou. “A descentralização do plenário ampliou a participação dos Regionais e ajudou a construir muitas das decisões que tomamos hoje.”
Sobre a temática, o presidente do CFQ ressaltou que a construção do modelo de plenária adotado atualmente é resultado de uma visão coletiva voltada ao fortalecimento do Sistema. “Eu me muni dos melhores. Aqui tudo é colegiado. Todas as decisões são tomadas em conjunto. Hoje, todo mundo administra o Conselho Federal de Química.”
Contribuição internacional
A histórica sessão plenária também contou com a presença da presidente do Congresso Latino-Americano de Química (CLAQ), Ana Valderrama Negron. Em sua participação, destacou a importância da experiência brasileira para o fortalecimento da representação profissional da Química em toda a América Latina. “Aceitei o convite para vir porque estou levando um bom exemplo de como funciona o Conselho Federal de Química”, afirmou.
A participação de Ana Valderrama nas atividades voltadas às comemorações dos 70 anos do Sistema CFQ/CRQs teve como objetivo conhecer de perto seu funcionamento, o que poderá servir de referência para futuras iniciativas de integração regional. “A Química é uma só”, defendeu. ” Queremos que, no futuro, a representação dos profissionais da Química na América Latina funcione dessa forma também. Precisamos nos unir para defender e valorizar a profissão dos químicos na América Latina.”
Histórias que se confundem com a trajetória do Sistema
Ao longo da reunião plenária, os participantes compartilharam experiências pessoais e profissionais que ajudaram a construir a história da Química brasileira e do Sistema CFQ/CRQs.
A conselheira federal e 1ª tesoureira do CFQ, Tereza Neuma, emocionou os presentes ao relembrar os desafios enfrentados para seguir carreira científica em uma época em que poucas mulheres ingressavam na área. Segundo a profissional, “todo mundo falava que eu era doida por escolher Química. Mulher, naquela época, tinha que fazer o curso normal para ser professora de criança. Eu tive que convencer meus pais a me deixarem seguir o ensino científico.”
Com quase cinco décadas de atuação no Sistema, Tereza também destacou as transformações observadas na área fim do Conselho. “Fiscalizar nos anos 2000 não era como hoje. Íamos de ônibus, não tínhamos carro nem a estrutura que existe atualmente. Mas chegar até aqui só prova que a gente nunca deve desistir daquilo em que acredita.”
O conselheiro federal Airton Marques da Silva também fez um resgate histórico de sua participação na criação do Conselho Regional de Química da 10ª Região (CE), em 1983, destacando o crescimento institucional alcançado nas últimas décadas e o fortalecimento da representação profissional.
A história do conselheiro federal Wagner Aparecido Contrera Lopes parte de suas memórias enquanto agente de fiscalização. “No dia 2 de maio de 1983 comecei minha trajetória. No dia seguinte fiz minha primeira fiscalização. Naquela época, muitos profissionais nem conheciam a fiscalização da Química e muitos sequer tinham registro no Conselho”, conta. Para Wagner, o cenário atual demonstra a consolidação do Sistema. “Hoje existe empenho para fazer as coisas acontecerem. Estamos fortalecendo a fiscalização, levando a Química para as escolas e aproximando os estudantes da profissão.”
Quem também deu seu depoimento foi a conselheira federal Maria Inez Auad Moutinho, que rememorou sua trajetória de 36 anos no Sistema e seus esforços realizados para fortalecer os Conselhos Regionais. “Ouvindo as falas que me antecederam, percebo que muitas histórias são parecidas. Os avanços que vemos hoje são resultado de décadas de trabalho coletivo e compromisso com a profissão.”
O conselheiro federal José Ribeiro dos Santos Júnior também compartilhou memórias de sua caminhada profissional e institucional. “Nunca passou pela minha cabeça que chegaríamos ao ponto de realizar eventos como os que estamos vivendo nesta semana. É motivo de muito orgulho ver o quanto o Sistema cresceu”, declarou.
O orgulho de pertencer
As manifestações feitas durante a reunião plenária comemorativa também evidenciaram o orgulho dos profissionais pela contribuição da Química à sociedade.
Nesse sentido, a conselheira federal Ana Paula Cristina Farias Sayd destacou a importância da profissão para a qualidade de vida da população. “Hoje acordei diferente, mais reflexiva. Celebro a escolha que fiz aos 16 anos. Sem Química, a sobrevivência é um desafio. Com ela, a dignidade torna-se realidade.”
A conselheira federal Lenilda Ferreira Costa, em sua fala, ressaltou a importância de poder participar do momento histórico. “Agradeço a oportunidade de celebrar os 70 anos do Conselho Federal de Química e de reafirmar nosso compromisso permanente com a sociedade brasileira.”
Já o conselheiro federal Rodrigo Moura destacou o fortalecimento da identidade profissional da categoria. “Existe um sentimento de pertencimento muito forte. Hoje somos relevantes. O destaque da profissão na mídia e nos diversos espaços da sociedade mostra que o trabalho do profissional da Química tem valor para o Brasil.” Para ele, a valorização da categoria deve ser celebrada diariamente, afinal: “Todo dia é dia do profissional da Química.”
Moções e votos de louvor marcam sessão histórica

Além das homenagens e reflexões, a plenária aprovou por unanimidade três moções de apoio voltadas ao fortalecimento da Química, da ciência e da inovação no país. A primeira manifestou reconhecimento e apoio às instituições de ensino e pesquisa em Química, incluindo universidades e institutos federais, pelo papel desempenhado na formação de profissionais e na produção de conhecimento científico.
Ainda foi aprovada uma moção de apoio à indústria Química brasileira, reconhecida como patrimônio estratégico para o desenvolvimento nacional e atividade essencial para o crescimento econômico, tecnológico e social do país.
A terceira moção reafirma o apoio do Sistema CFQ/CRQs à ciência, tecnologia e inovação, destacando a importância dos centros de pesquisa, universidades e empresas que desenvolvem soluções capazes de impulsionar o desenvolvimento sustentável do Brasil.
Além das moções, os conselheiros federais aprovaram três votos de louvor. O primeiro foi destinado aos presidentes dos Conselhos Federal e Regionais de Química, em reconhecimento à dedicação ao serviço público, ao fortalecimento do exercício profissional e à atuação em prol da fiscalização e da valorização da categoria.
O segundo, homenageou os ex-conselheiros federais e regionais pela contribuição à construção e consolidação do Sistema ao longo das últimas sete décadas. Por fim, foi aprovado o voto de louvor aos profissionais da Química de todo o país, reconhecendo a contribuição diária daqueles que atuam em laboratórios, indústrias, instituições de ensino, centros de pesquisa e demais áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
Mais do que uma reunião administrativa, a primeira plenária descentralizada do CFQ simbolizou a trajetória construída por milhares de profissionais ao longo de sete décadas.
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