Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal: CFQ destaca papel da Química e da regulação
Publicado em:
A atuação dos profissionais da Química no desenvolvimento, controle de qualidade e regulamentação de medicamentos à base de cannabis esteve entre os temas debatidos durante o 5º Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal, realizado em São Paulo (SP). O Conselho Federal de Química (CFQ) participou das discussões reforçando a importância da ciência, da pesquisa e da conformidade técnica para o avanço do setor no Brasil.
O segundo dia do evento, realizado no Transamérica Expo Center, reuniu especialistas, pesquisadores e representantes de diferentes setores envolvidos na cadeia de produção e desenvolvimento de medicamentos à base de canabinoides. “Estamos aqui em busca de soluções, o que não significa pensarmos todos iguais, mas buscarmos pontos de convergência para que este mercado tão rico e importante para a saúde possa evoluir. Por exemplo, sabemos que soluções técnicas diferentes de extração dos óleos de cannabis trazem resultados terapêuticos diferentes, com respostas e aplicações distintas”, ressaltou o conselheiro federal do CFQ e coordenador do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos (CAIQ), Ubiracir Fernandes.
Protagonismo do CFQ
O CFQ participou das discussões do Módulo QuimFarma dentro da programação do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal. O espaço reuniu profissionais, pesquisadores e representantes da indústria farmacêutica e química para discutir tendências, regulamentação, inovação tecnológica e os novos rumos do setor no Brasil.
Nelson Ferreira Claro Júnior, químico e atualmente consultor técnico de empresas, falou sobre a importância da Química nos processos industriais e na extração dos componentes farmacológicos da cannabis, e como isso impacta o produto final.
“O tipo de tecnologia que será usado é importantíssimo para o resultado final dos medicamentos e outros produtos extraídos da planta in natura. Só que discutimos muito pouco esses processos químicos e industriais. Para termos um produto final padronizado, esse debate é importantíssimo”, ressaltou.
Para a pesquisadora e diretora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), Mychelle Alves Monteiro, o programa de monitoramento analítico dos produtos à base de cannabis, realizado por profissionais que ela coordena, é essencial para que a conformidade dos produtos seja alcançada.
“Nosso objetivo é que, através de análises laboratoriais de controle de qualidade de caráter fiscal e de orientação, essas ações cheguem a todas as etapas da cadeia produtiva. Isso é essencial quando falamos de qualquer produto que será consumido como remédio pela nossa população”, afirmou Mychelle.
“A fala da Mychelle é muito importante, pois não podemos esquecer essa parte de fiscalização e de conformidade na produção. Gostaria de destacar que estamos avançando muito bem nestas partes tecnológicas e técnicas, mas ainda necessitamos de uma legislação específica que regulamente este novo e promissor mercado. O CFQ está junto nesta trincheira em busca do que é melhor para a saúde da nossa população”, disse Ubiracir.
Óleo de cannabis
O óleo de cannabis é utilizado para fins medicinais, atuando principalmente no sistema nervoso central e no sistema imunológico. Ele serve para aliviar dores crônicas, tratar ansiedade e insônia, controlar crises epilépticas graves e reduzir espasmos musculares. Suas principais aplicações terapêuticas são derivadas de substâncias como o Canabidiol (CBD) e o Tetrahidrocanabinol (THC).
O medicamento é amplamente utilizado no controle de epilepsia, do mal de Parkinson e da esclerose múltipla, além de atuar como auxiliar no tratamento da ansiedade, da depressão e no alívio de sintomas de estresse e dores crônicas, funcionando como analgésico e anti-inflamatório. Também tem sido receitado para melhorar o foco de pessoas dentro do transtorno do espectro autista (TEA).
A química analítica e pesquisadora da cannabis da Universidade de Brasília (UnB), Fernanda Vasconcelos, disse em seu depoimento que utilizou a cannabis no tratamento de um problema de saúde e que, desde então, utiliza o óleo de cannabis diariamente.
“Esta experiência pessoal fez com que eu me interessasse ainda mais pelo tema, daí resolvi estudar a cannabis e ajudar outras pessoas. Precisamos derrubar algumas barreiras legais e de preconceito, mas tenho certeza de que essa planta é comprovadamente eficiente em diversos tipos de tratamentos. Sua alta concentração de elementos demonstra, dia após dia, que seus benefícios são gigantes e que podem avançar ainda mais com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e medicamentos”, analisou Fernanda.
Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal
O 5º Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal aconteceu entre os dias 21 e 23 de maio, no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP), reunindo especialistas, pesquisadores, profissionais da saúde, representantes do setor produtivo e autoridades públicas para discutir os avanços científicos, regulatórios e econômicos relacionados à cannabis medicinal no Brasil.
O mercado de cannabis medicinal no Brasil consolida uma nova etapa de expansão, combinando avanço regulatório e crescimento econômico. Em 2025, o setor movimentou R$ 971 milhões, segundo levantamento da Kaya Mind, o que representa alta de 38,5% em relação ao ano anterior. Ainda de acordo com a Kaya Mind, o Brasil encerrou 2025 com cerca de 873 mil pacientes em tratamento com cannabis medicinal.
A expectativa é que o setor avance ainda mais com a possível aprovação do Projeto de Lei 399/2015, que propõe regras mais claras para pesquisa, produção, comercialização e uso medicinal da cannabis no Brasil, ampliando a segurança jurídica para profissionais da saúde, pacientes e investidores.
Para saber mais sobre o Congresso da Cannabis Medicinal visite o site do evento https://congressocannabis.com.br/.