Inteligência artificial e inovação marcam o encerramento da Semana da Mulher na Química
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Debate promovido pelo CFQ trouxe as atuais aplicações e perspectiva para o futuro do uso da IA na Química
O potencial da inteligência artificial (IA) para transformar a ciência Química e impulsionar a inovação no Brasil foi o tema do painel que encerrou a programação da Semana da Mulher na Química, promovida pelo Conselho Federal de Química (CFQ). O debate “Inteligência Artificial e Inovação Química: Uma Nova Fronteira Científica” reuniu especialistas para discutir como as novas tecnologias estão redefinindo a pesquisa, a indústria e a formação de profissionais da área.
O conselheiro federal do CFQ e membro do Comitê de Inovação e Inteligência Artificial (CIAI), Marcos Roberto Teixeira Halasz, foi o mediador da conversa. Durante a transmissão, ele explicou o papel do comitê, criado em 2025, que tem como objetivo promover iniciativas voltadas ao uso responsável e estratégico da inteligência artificial no campo da química.
“Nós, do CIAI, estamos iniciando um trabalho de engajamento da comunidade química no que diz respeito, principalmente, ao uso racional da inteligência artificial. Além disso, estamos organizando algumas frentes como educação e capacitação, estudo de diretrizes e suportes regulatórios no CFQ, incentivos à inovação na indústria e o fortalecimento da conexão entre academia, indústria e sociedade”, destacou.
Halasz ressaltou ainda que o trabalho do comitê vai além da modernização tecnológica. “De forma resumida, o trabalho do CIAI não incide somente na modernização dos processos operacionais, mas é uma resposta para garantir a soberania e a competitividade do setor químico brasileiro”, afirmou.
O painel contou com a participação do conselheiro do CFQ e professor titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), Rogério Teles. Em sua fala, o palestrante destacou a importância da participação feminina na ciência e na química, além de chamar a atenção para os desafios enfrentados pelas mulheres na área. Na ocasião, reforçou que a promoção de ambientes mais seguros e igualitários também depende do engajamento dos homens.
Partindo para o tema do debate, Teles apresentou um panorama histórico da evolução tecnológica nas últimas décadas, desde o período dos disquetes até a era da inteligência artificial, e como essas transformações impactaram diferentes campos da Química, como a analítica e a experimental, a físico-química, a bioquímica e a indústria química.
Entre os exemplos citados, o palestrante destacou aplicações que já estão sendo incorporadas ao cotidiano da pesquisa científica, como análise de espectros, automação de laboratórios e desenvolvimento de soluções voltadas à sustentabilidade e à redução de desperdícios em processos industriais. De acordo com o professor, a Química analítica tende a ser uma das áreas mais beneficiadas pelo avanço das tecnologias baseadas em aprendizado de máquina, capazes de processar grandes volumes de dados com rapidez e precisão.
Apesar dos avanços, o palestrante alertou que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de apoio à atividade científica. Para Teles, o maior desafio está em equilibrar o potencial das novas tecnologias com a capacidade humana de interpretação e criatividade.
“A inteligência artificial pode trazer rapidez e eficiência para diversos processos, mas a intuição e a inteligência humana continuam sendo insubstituíveis”, afirmou.
Alguns espectadores participaram do debate por meio de comentários. Um deles foi Maria Antonieta que contribuiu com o assunto afirmando que pra evitar erros é “necessário que a gente alimente a IA com os elementos e informações necessárias para novas pesquisas e trabalhos”.
O encerramento do painel reforçou o papel da gestão do CFQ em acompanhar as transformações tecnológicas que impactam a profissão. Como destacou Teles, as novas gerações de profissionais já chegam ao mercado com familiaridade com essas ferramentas, o que torna essencial discutir não apenas como utilizá-las, mas também compreender suas implicações.