CFQ discute papel da Química na economia verde e destaca potencial do Brasil na produção de hidrogênio e biomassa
Publicado em:
Especialistas mostram que o avanço da economia circular e das tecnologias de hidrogênio depende diretamente da Química, reforçando o protagonismo do Brasil na transição energética

O Conselho Federal de Química (CFQ), com apoio do Conselho Regional de Química da 16ª Região (CRQ XVI – MT), promoveu na COP30 o painel “O papel da Química na economia verde: da biomassa ao hidrogênio”, reunindo lideranças do setor para discutir como ciência, inovação e indústria se articulam na construção de uma economia de baixo carbono. O encontro evidenciou o papel central da química na transição energética e na consolidação de modelos produtivos sustentáveis.
Moderado por Ana Paula Paim, presidente do Conselho Regional de Química da 1ª Região (CRQ I – PE), o painel reforçou que todos os avanços em biomassa, hidrogênio verde, captura de carbono e circularidade industrial dependem diretamente de processos químicos. Para Suzana Aparecida, presidente do CRQ XVI, “a química é o código-fonte de toda a transição energética”, sem o qual não há competitividade tecnológica nem sustentabilidade em larga escala.
A presidente do Conselho Regional de Química da 15ª Região (CRQ XV – RN), Emily Tossi, destacou que, apesar de o Brasil possuir regulamentações avançadas para um país continental, ainda há desafios significativos em reciclagem, gestão de resíduos e ampliação da economia circular. Ela reforçou que esse modelo só é possível com resíduos limpos e cadeias produtivas estruturadas. Patrícia Pulcini Donaire, diretora do Mindset Circular Solutions, trouxe sua experiência de consultoria e apresentou iniciativas de economia verde que integram governo, setor privado e sociedade civil, com destaque para a Estratégia Nacional de Resíduos Sólidos, voltada à compostagem, prevenção do desperdício e reciclagem de orgânicos.
A discussão também conectou a química às novas fronteiras tecnológicas. Davi Lopes, head da CWM Hydrogen e FTXT no Brasil, explicou que a GWM opera globalmente com veículos eletrificados, híbridos e totalmente elétricos. Segundo ele, os elétricos são mais eficientes em centros urbanos, enquanto os híbridos têm melhor desempenho em longas distâncias. Davi ressaltou que a transição energética criará ainda mais espaço para profissionais da química nas cadeias do hidrogênio e das tecnologias eletroquímicas, área em que a empresa é uma das maiores fornecedoras mundiais de soluções baseadas em célula combustível.
Comparando o potencial brasileiro ao dos Emirados Árabes nas energias renováveis, Davi destacou que o Centro-Oeste e o Norte possuem capacidade excepcional para produzir hidrogênio a partir de biomassa, enquanto estados como São Paulo se destacam pelo etanol e outras matérias-primas abundantes. Ele lembrou ainda que, na China, agendas de descarbonização e despoluição impulsionam a aceitação de veículos movidos a hidrogênio, hoje mais de 30 mil unidades híbridas ou elétricas já circulam no país, reforçando o papel estratégico das tecnologias químicas na mobilidade sustentável.