Bronquiolite obliterante e os riscos pulmonares associados ao uso de cigarros eletrônicos

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Artigo da Assessoria Técnica do Conselho Federal de Química – ASTEC CFQ

A bronquiolite obliterante, conhecida popularmente como “pulmão de pipoca”, é uma doença pulmonar crônica e irreversível, caracterizada pela fibrose da parede brônquica, que resulta na obstrução do fluxo aéreo pulmonar.
Esta condição foi inicialmente observada em pacientes transplantados, mas tornou-se amplamente conhecida após o caso de oito trabalhadores de uma fábrica de pipoca para micro-ondas, diagnosticados com essa patologia. A investigação identificou que o diacetil, utilizado como aromatizante com sabor amanteigado, como o principal agente tóxico. A toxicidade do diacetil está na capacidade de induzir a necrose epitelial e o acúmulo de tecido fibroso nas vias aéreas. Este perfil toxicológico também está associado a pentanodiona e acetoin, comumente presente nos líquidos para vape.

O funcionamento dos vapes envolve a vaporização de um líquido composto por nicotina, propilenoglicol, glicerina, aromatizantes sintéticos e acetato de vitamina E. A geração de vapor exige altas temperaturas, favorecendo reações térmicas que podem produzir subprodutos tóxicos, como formaldeído e acroleína. O formaldeído é um aldeído volátil e carcinogênico, enquanto a acroleína tem ação citotóxica sobre o epitélio pulmonar.

O acetato de vitamina E se mostrou altamente lesivo quando inalado. Ele interage com a camada lipídica do surfactante pulmonar, interferindo na sua função de reduzir a tensão superficial alveolar, comprometendo a troca gasosa. A associação entre esse composto e a EVALI (E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury) foi reforçada por evidências histopatológicas em pacientes que desenvolveram quadros graves após o uso do dispositivo. Clinicamente, manifesta-se com dispneia, tosse seca, dor torácica e taquipneia.

Diante desse cenário, é fundamental destacar que os efeitos pulmonares e sistêmicos dos componentes dos vapes ainda não são bem compreendidos, mas já se acumulam evidências robustas de que, muitos desses compostos, possuem potencial tóxico, irritativo.

A exposição continuada a essas substâncias pode comprometer irreversivelmente a saúde respiratória, criando um complexo desafio de saúde pública.