Simpósio em Brasília debate uso medicinal da cannabis
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Nos dias 29 e 30 de setembro, a capital do Brasil sediou o I Simpósio de Inovação em Cannabis Medicinal, que reuniu especialistas e figuras de destaque no cenário político para discutir o potencial terapêutico da cannabis.
A cerimônia de abertura do evento contou com a presença de autoridades como o ex-deputado federal Roberto Freire (Cidadania) e o deputado federal Túlio Gadêlha (Rede), além de deputados distritais, e o conselheiro federal Ubiracir Fernandes Lima Filho, representando o Sistema CFQ/CRQs. Também marcaram presença representantes dos Conselhos Federais de Farmácia, Medicina Veterinária, Fisioterapia e Biomedicina, bem como representantes de órgãos de destaque como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), e outros profissionais de diversas áreas.
Um dos momentos de destaque no Simpósio foi a participação do conselheiro federal Ubiracir Lima na mesa-redonda “Educação e Sociedade em Cannabis Medicinal”. Durante sua apresentação, ele explorou o tema “Substâncias Químicas da Cannabis: Insumos Estratégicos com Diversas Aplicações Industriais”, realçando a importância da Química da cannabis em setores como têxtil, construção civil, suplementação alimentar, cosméticos e formulação de medicamentos.
“Somos a base para todos os profissionais que atuam com essa planta. As substâncias químicas da cannabis desempenham papéis multifacetados em diferentes segmentos. Compreender a composição química desses insumos é imperativo”, enfatizou.

Mercado de cannabis
O conselheiro também compartilhou números impactantes relacionados ao mercado global de cannabis, destacando que, enquanto o mundo assiste a um movimento financeiro estimado em torno de US$ 36,7 bilhões neste ano, o Brasil, devido às restrições regulatórias, atingiu apenas US$ 49,8 milhões em 2022. A maior parte desse montante provém das vendas de produtos de cannabis importados, destinados a pacientes autorizados pela ANVISA.

Políticas para acesso e qualidade
Apesar dessas limitações regulatórias, Ubiracir enfatizou a necessidade de desenvolver políticas públicas que estimulem a produção, pesquisa e acesso à cannabis medicinal, especialmente para pacientes que enfrentam custos elevados.
O conselheiro ressaltou, também, a importância de um rigoroso controle de qualidade dos insumos e produtos derivados da planta, com a pesquisa química desempenhando um papel essencial nesse processo. “Essa é a missão do Conselho Federal de Química, buscar um sistema de certificação que garanta a qualidade e a segurança dos produtos de cannabis medicinal”, concluiu.
O Sistema CFQ/CRQs tem uma conduta proeminente no debate sobre o uso medicinal da cannabis desde 2021, demonstrando um compromisso sólido em promover um diálogo esclarecedor e responsável sobre este tema no Brasil. Vale ressaltar que essa discussão também ganhou relevância na Analitica Latin America, evento que recentemente abordou a cannabis medicinal em profundidade.