XXI ENEQ expõe desafios para ingresso de pessoas com deficiência em cursos superiores de Ciências
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A aplicação da Lei de Cotas para o Ensino Superior (12.711/2012) foi tema de uma das mesas redondas do XXI Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ), ocorrido de 1º a 3 de março, em Uberlândia (MG). O que se percebeu do exposto foi que, apesar dos esforços empreendidos para garantir o ingresso de pessoas com deficiência nos cursos superiores de Ciências, ainda há desafios a serem superados.
Silvana Calado, conselheira do Conselho Federal de Química (CFQ), esteve nos três dias de evento representando a Autarquia e participou da referida mesa como espectadora. Ela compartilhou sua experiência como professora na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e criticou a falta de condições adequadas para os docentes cumprirem a lei. “Não temos preparo e nem infraestrutura para atender à legislação”, avaliou.
Para o professor doutor Gerson Mól, da Universidade de Brasília (UnB), um dos expositores e que trabalha com educação inclusiva, ainda há ameaças não somente para pessoas com deficiência chegarem ao ensino superior, como também para concluírem a formação. “Temos um sistema educacional que não dá oportunidades para quem é menos favorecido economicamente. E as cotas vêm para corrigir isso”, constatou.
Para minimizar os desafios, Mól acredita que é fundamental que haja diálogo entre os professores e pessoas com deficiência e/ou seus responsáveis e o entendimento de que educação é direito de todos. “Temos muitas coisas a conquistar. Torço pelo fim das cotas quando tivermos uma sociedade mais justa”, vislumbrou.
Claudio Benite, professor doutor da Universidade Federal de Goiás (UFG), outro expositor da mesa redonda, complementou os pontos abordados por Gerson Mól dizendo que para mudar o quadro da falta de oportunidade – gerada pela desigualdade social – é necessário investir na educação formativa crítica de quem dá aula. “Precisamos de professores que formem docentes preparados para essa diversidade. Além disso, que sejam incluídos conteúdos curriculares em cursos de nível superior e de educação profissional técnica e tecnológica de temas relacionados nos respectivos campos do conhecimento”, argumentou.

ENEQ
Trata-se do maior e mais importante evento promovido, a cada dois anos, pela Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBEnQ) para discutir temáticas que abordam questões sobre os avanços e as limitações da Educação Química no Brasil, bem como a formação de professores.
A XXI edição conta com a participação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM).