Rio Oil & Gas: pesquisas abordam a equidade de gênero na indústria de petróleo e gás

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Com um painel formado exclusivamente por mulheres, o congresso da Rio Oil & Gas 2022 trouxe o tema da equidade para o debate a partir dos resultados de pesquisas realizadas por empresas da área.

Segundo as painelistas Beatriz Pedro, da Universidade Estadual Paulista (UNESP); Emanuela Santos e Keurrie Cipriano, da Petrobras, e Bruna Fonseca, da Ocyan, escutar o que as mulheres que já estão ocupando posições nessa indústria é um bom caminho para se alcançar a equidade de gênero.

A pesquisa de Keurrie e Emanuela, juntamente com Carla Rosa Cabral, foi feita com lideranças femininas na área de O&G e abordou também a Mentoria Feminina, enquanto Beatriz trouxe a visão sobre o mercado do O&G e as futuras gerações. Já a pesquisa encomendada pela Ocyan traçou o retrato das percepções das mulheres que trabalham embarcadas no setor de petróleo e os desafios para atraí-las e retê-las nessa atividade.

Apesar da percepção de alguma melhora neste cenário nos últimos anos, há ainda muitos desafios para o setor equilibrar a presença feminina em um ambiente predominantemente masculino. A melhora apontada pela pesquisa da Ocyan, por exemplo, é na percepção do aumento do debate e na contratação de mulheres. Ao mesmo tempo, elas veem falta de oportunidades, machismo e a forma inadequada  de abordagem por parte dos homens nas sondas, que, em alguns casos, chega ao assédio.

Beatriz Pedro, da UNESP, mostrou a oscilação dos resultados da indústria de O&G, relacionados a acontecimentos geopolíticos e que isso, consequentemente, afeta o interesse geral pelo ingresso nesse mercado. Há ainda a própria formação dessa mão de obra, que é igualmente afetada por essas oscilações, o que resulta em vagas e cursos de formação sendo extintos.

Ela reforça, porém, que um dos melhores caminhos para um melhor ambiente, neste sentido, é o aumento das parcerias entre empresas, centro de pesquisas e universidades, como o painel de hoje apresentou.

Números pouco animadores aparecem também na pesquisa feita por Emanuela Santos, Keurrie Cipriano e Carla Cabral, em relação ao setor: mundialmente, há menos de 50% de mulheres nessa indústria e como CEOs, o número é inferior a 10%.

Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que praticamente todos os resultados em diversos processos, nas empresas que empregam mais mulheres, são melhores.

Os obstáculos destacados pelas entrevistadas na pesquisa são a falta de oportunidades, a dificuldade de conciliar a vida familiar e o trabalho, pouco apoio dos líderes, falta de mentoria e avaliações e promoções feitas de formas pouco justas. E, como soluções, elas destacam outras mulheres como exemplos, a mentoria feminina, treinamento dos homens e programas de sucessão.

Segundo Bruna Fonseca, da empresa Ocyan, todas as pesquisas e estudos convergem para um diagnóstico quase unânime, indicando a criação de atrativos para o ingresso de mulheres no setor.

E há pontos em que todas concordam: ainda é fundamental trazer à tona todas essas questões, levantadas por quem vive esse ambiente, criando uma rede de apoio e outras soluções que também passem pelo crivo e pela sensibilidade das mulheres que, mesmo com o cenário adverso, ocupam seus lugares e obtêm resultados para si mesmas e para a indústria.