Rio Oil & Gas: matrizes energéticas foram tema de dois debates no primeiro dia de evento

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Na manhã do primeiro dia da Rio Oil & Gas, dois painéis discutiram a energia como tema central, com abordagens sobre as mudanças que o setor de petróleo e gás tem pela frente para alcançar objetivos concretos de sustentabilidade.

“Oportunidades e desafios: a tecnologia como chave para transição energética” foi o tema do primeiro painel, que teve a presença de Aspen Andersen, da Vibra Energia; Milad Shadman, da UFRJ; Elbia Gannoun, da ABEEólica, e Augusto Carvalho, da Schlumberger.

O debate abordou oportunidades e desafios para promover a transição energética, a posição do Brasil nesse cenário, políticas para o desenvolvimento da indústria e, principalmente, o status do desenvolvimento de inovação e tecnologias renováveis.

Como destaque, Elbia Gannoun afirmou que o Brasil, que tem diversidade de recursos naturais como poucos países, já aprendeu que a diversificação das matrizes energéticas é crucial para a mudança. Além disso, apostar em soluções que ainda não são viáveis financeiramente deve ser a tônica: o que hoje não parece possível pode voltar a gerar interesse porque o investimento que as empresas de tecnologia vêm fazendo impacta e leva a revisão desses custos constantemente.

O professor Milad Shadman reforçou a importância da criação de mais cursos de pós-graduação que abordem essa área, pois a pesquisa e estudos também têm impacto direto na transformação dessa cadeia.

A segurança jurídica ainda é uma questão importante, já que o cenário envolve novas atividades ou impactos, e, segundo Aspen Andersen, as empresas têm contribuições importantes na elaboração de projetos de lei para criar essa segurança.

No segundo painel, “Descarbonização profunda da cadeia de valor de energia”, onde estavam presentes Doreen Burse, da United Airlines; Thiago Barral, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e Marcelo Fernandes Bragança, da Vibra, foram discutidos os desafios e oportunidades da transição energética, as implicações para a oferta futura de O&G e a demanda de combustíveis. Foram abordados ainda a relevância do setor de O&G para a segurança energética, condicionado a baixas emissões, e como a regulação do mercado de carbono terá papel relevante.

Thiago Barral destacou dois grandes desafios que o setor tem na próxima década: usar o máximo possível de energia de fontes limpas e conseguir a regulação, por parte das agências, para que novas tecnologias possam ser desenvolvidas em total conformidade.

Marcelo Bragança, por sua vez, enfatizou a necessidade de remover os gargalos do processo, que seriam principalmente criar a segurança jurídica e fortalecer as agências reguladoras, a fim de criar um ambiente onde convivam todas as fontes energéticas e que consiga atrair os investimentos necessários.

Nesse gargalo está também o baixo investimento em infraestrutura no Brasil. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria, o país investiu, nos últimos 10 anos, apenas 2% do PIB em infraestrutura.

Fernanda Delgado, diretora executiva corporativa do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), foi a mediadora dos dois painéis e mencionou a relevância do papel do setor de P&G, nesta transição.

“Os desafios de se fazer essa transição são grandes, mas a expertise da cadeia de óleo e gás em trabalhar com processos complexos facilita, com certeza, o trabalho dessas alavancas das energias renováveis. O setor abraça o processo da transição energética, tem recursos, capital intensivo e tecnologias para o futuro, então acredito que as melhores soluções podem, sim, sair dessa cadeia.”, afirmou.