Projeto Inspiração traz Química na área da saúde
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O Projeto Inspiração consiste em lives direcionadas a despertar o interesse dos estudantes da área Química para os diversos segmentos de atuação. Promovido pelo Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV), as transmissões são realizadas todas as últimas terças-feiras de cada mês e, em agosto, o tema escolhido foi a carreira Química voltada à área da saúde.
Com o objetivo de inspirar os jovens, os palestrantes falaram sobre as suas trajetórias profissionais, os cursos complementares, as expectativas de crescimento, o diferencial que o profissional precisa possuir e os setores de atuação industrial.
A primeira a se presentar foi a consultora técnica em Regularização de Empresas; auditora do sistema da qualidade em importadores e distribuidores nacionais, e fabricantes internacionais baseada na RDC n. 665/2022; e consultora técnica na área de Notificação e Registro de Dispositivos Médicos junto a ANVISA, Leda Longhi.
Especialista em esterilização por Óxido de Etileno
Leda é enfermeira por formação e trabalhou na área hospitalar. Segundo ela, atuar na área da saúde a levou para a Química. Ela se especializou em esterilização por Óxido de Etileno e começou a atuar no setor. “Os materiais médicos que a gente usa em um hospital são esterilizados por esse meio. Eu tinha já o conhecimento da química. Percebi que tinha pouca literatura do segmento à época e vi a necessidade de escrever sobre esse método”, explicou.
Foi assim que Leda escreveu o Manual sobre esterilização por Óxido de Etileno. “Esse produto é altamente cancerígeno e pode causar problemas para a saúde. Naquela época não tinha informação disponível sobre esse conhecimento no país. Então, eu escrevi um manual sobre a utilização desse produto. Quanto mais informação, melhor”, concluiu.
Atualmente, Leda é também membro da Comissão Técnica de Saúde do CRQ IV.
Especialista no controle de pragas
Nicholas Roberto Rodrigues, assim como Leda, também é membro da Comissão Técnica de Saúde do CRQ IV. Ele é Responsável Técnico da empresa Cobra Saúde Ambiental, ministra treinamentos, vistorias técnicas e elabora planos de trabalho. Também atua como Perito e Assistente Técnico Judicial.
O especialista detalhou que pragas urbanas são animais que infestam as áreas urbanas causando doenças e prejuízos econômicos. Segundo Nicholas, o controle de pragas já era feito desde a antiguidade, com espantalhos, crisântemos e até mesmo fumo. “A gente tem relatos, por exemplo, dos sumérios, da utilização de vários produtos no combate das pragas. Inclusive, meios químicos para o combate de infestações”, lembrou.
Nicholas trouxe um pouco da história. “Uma das maiores catástrofes que tivemos na humanidade foi a famosa peste negra. Estima-se que a peste negra tenha matado mais de 30% da população da Europa. A proliferação de roedores e pulgas transmitiam a doença”.
Com a criação do produto DDT, largamente usado após a segunda grande guerra mundial para combater mosquitos vetores de doenças como a malária foi-se combatendo as pragas nas áreas urbanas e rurais. “Mas o DDT é muito nocivo ao ser humano e, por isso, foi banido. Hoje a gente conta com uma indústria de praguicidas muito mais seguro”, explicou o perito.
Para Nicholas o Químico tem grande importância dentro de uma empresa de controle de pragas urbanas. “O Químico que assume a função de responsável técnico se torna responsável por toda a atividade da empresa. Começando pela parte de funcionamento dela. É ele quem tem autoridade, recurso e condições para licenciar a empresa na vigilância sanitária e no Conselho Regional de Química”, ressaltou.
“Outra função importante é em relação aos colaboradores, pois se torna responsável pela segurança do colaborador e por treinamentos para a equipe. Então, tem que cuidar para a utilização correta de EPIs e EPCs, pois por mais que os produtos sejam mais modernos, ainda podem ser nocivos. Também é responsável pela inspeção técnica, formulação e equipamentos, responsabilidade ambiental. Para cada local o químico vai avaliar e vai usar o método adequado. Que vai envolver a saúde do colaborador, saúde do usuário, eficácia do serviço, e saúde do ambiente”, concluiu.
A terceira palestrante foi Sandra Quintanilha, formada em Química, com pós-graduação em Gestão Emocional nas Organizações e especialização em Ventilação Industrial, Toxicologia Ocupacional, Controle de exposição a princípios ativos farmacêuticos, Controle de exposição a solventes orgânicos. Ela ainda possui experiência em Química alfandegária, controle de qualidade, P&D, EHS, ESG, Programa PSM, ensino de Química e gestão emocional. Sandra disse que sempre se interessou por experimentos e que se reinventou muitas vezes na carreira. Atualmente, é consultora independente.
“A Química pode atuar trazendo muitas vezes o conceito da toxicidade daquele material que tem o “bem e o mal”, ele vai servir beneficamente em um sentindo, mas tem que ser muito bem controlado porque traz vários riscos. Como, por exemplo, o uso do oxieltileno. Que é inflamável e tóxico, mas esteriliza e evita infecções hospitalares, por exemplo”, alertou a especialista.
Sandra destacou que o uso da Química na preservação da saúde das pessoas e do meio ambiente é extremamente importante, até mesmo para que a exposição às pessoas e aos agentes de risco sejam mínimos. “O químico tem uma participação na preservação do meio ambiente, na sustentabilidade, e para criar meios para que as pessoas possam viver de forma mais digna, sem haver toda essa poluição, contaminação. Então, é um trabalho também que é de extrema importância, e que envolve muitos e muitos conselhos químicos, e vejo fundamental para as novas gerações”, destacou.
O coordenador das Comissões Técnicas do CRQ-IV, Aislan Balza, mediou a conversa e reforçou que os serviços sempre vão precisar de um Profissional da Química. “Por trás desses serviços: controle de pragas e desinfecção de caixas d’agua sempre vamos precisar de um Profissional da Química atuando. E é necessário que as empresas e os profissionais sejam registrados no Conselho”, finalizou.
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Talita Viana