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Vida de Fiscal: na Paraíba, Natan se adapta à pandemia para seguir protegendo a população

Há quem ainda hoje se surpreenda ao saber que existe um profissional cuja função é garantir que a cada serviço e produto da área química oferecido aos brasileiros se tenha os padrões mais elevados de qualidade.

A tarefa de oferecer essa segurança aos brasileiros cabe ao Sistema CFQ/CRQs e por trás dessa importante missão estão profissionais que visitam as empresas que atuam na área da Química e atestam a qualificação dos responsáveis técnicos: os agentes fiscais ou, mais carinhosamente, apenas “fiscais”.

Mas quem são esses profissionais? Na série “Vida de Fiscal”, o Conselho Federal de Química (CFQ) faz um convite para que a sociedade conheça melhor a realidade dessas pessoas. É uma forma de termos uma noção do que envolve o cotidiano dos agentes fiscais, que executam um trabalho muitas vezes anônimo e que é fundamental para o Brasil.

Neste episódio, o quarto da série, apresentaremos um agente fiscal do Conselho Regional de Química da 19ª Região (CRQ XIX), sediado em João Pessoa (PB). É Natan Pires Sá, de 34 anos.

Fiscal passou boa parte da carreira sob impacto da pandemia

Natan é um caso especial dentro da realidade do Sistema CFQ/CRQs. Ele ingressou na equipe de fiscalização há um ano e oito meses – e, portanto, passou boa parte da sua recente carreira de agente fiscal atuando sob as limitações impostas pela pandemia de Covid-19. Nada, porém, que abale o entusiasmo do fiscal pela atividade.

Na vida do químico industrial Natan, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o ingresso no CRQ XIX e, por fim, no serviço público, foi uma mudança de paradigma. Há cerca de dois anos, atuava em uma empresa química do ramo da mineração – fez todo o ciclo, desde o estágio até a efetivação plena. Mas, para além da perspectiva de estabilidade e previsibilidade, ele considerava que era dado o momento de aprender mais.

“Antes eu tinha esporadicamente contatos breves com outros profissionais, especialmente com colegas da universidade. Pelo Linkedin ou coisas do tipo, muito superficial, não entrava muito em detalhes sobre o trabalho. Tinha muito pouca bagagem profissional. Entendo que só no dia a dia, com as empresas, se tem a experiência mesmo”, afirma.

A conversão entre o setor privado e o setor público demandou esforço e abertura para a nova realidade. Natan relata que houve várias surpresas no processo e o entendimento profundo da legislação consumiu, e consome, horas de estudo.

“A surpresa veio do fato de termos de lidar com situações sempre diferentes de processos, gestores… No começo, não tinha habilidade de lidar com informações de diferentes setores da área química e que envolvia legislação específica. Agora, a cada mês estou lendo mais resoluções normativas”, brinca.

Diante das limitações, assertividade nas vistorias

 A pandemia limitou muito a ação, como já dito. Por alguns meses, porém, foi possível sentir um pouco do sabor do “trabalho em campo”, com vistorias presenciais por todo Estado da Paraíba. Em uma dessas visitas, porém, os impactos da Covid-19 se fizeram presentes.

“Houve uma empresa em que eu tive contato com um gestor e ele apresentou sintomas similares à Covid-19. Eu acabei ficando de alerta, tinha duas ou três empresas para ir, deixei de ir e fiz um isolamento preventivo. Não tive sintomas”, explica.

Natan relata que não desenvolveu Covid-19, mas usa essa passagem para ilustrar o tempo difícil em que vivemos. A fiscalização fica prejudicada por ainda outras limitações, como diferentes legislações municipais que mudam a realidade de uma localidade para outra.

A resposta do CRQ XIX à crise sanitária, porém, foi a assertividade: uma fiscalização mais reativa às denúncias de irregularidades, voltadas especialmente a supostas fraudes relacionadas ao álcool em gel.

“O nosso CRQ, sob o comando da presidente Raquel Lima, atuou muito na campanha Química Solidária. Tivemos pontes com universidades e empresas e ela alavancou isso, pela abertura com emissoras de TV, sites e etc. Tivemos demandas por e-mail, para responder ao pessoal e tirar dúvidas”, recorda.

Digitalização do Sistema CFQ/CRQs mitigou efeitos da pandemia

Natan avalia que as condições de trabalho limitadas pelo distanciamento não são de todo ruins: antes mesmo da pandemia, o Sistema CFQ/CRQs já se debruçava sobre a informatização de processos, substituindo ações analógicas por outras digitais. Foi possível proteger a sociedade e ainda oferecer informações à população, cumprindo papel fundamental em consonância com os interesses do país.

“Na maior parte dos casos demandados nós obtivemos respostas por e-mail, não tivemos tanta dificuldade, já estava padronizado o registro de profissional, por exemplo. Tinham alguns procedimentos já bem práticos”, complementa.

Na vida pessoal, Natan diz ter uma convivência feliz. É casado, tem filha, mas tem reservas em tratar de suas questões familiares. Diz apenas que a fiscalização efetiva, pelo interior especialmente, provocou a primeira mudança na vida da família: expedições pelo interior o afastaram de casa durante a semana.

No trabalho, ele conta que, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, fiscalizar é uma atividade difícil:

“Aqui é um pouco complicado fiscalizar. Mesmo a sigla CRQ, as pessoas ficam sem associar diretamente à Química. Mas, a atuação está muito efetiva, até para empresas com muito tempo de atividade que ainda não tinham sido fiscalizadas nos últimos tempos. E alguns gestores não têm conhecimento sobre o CRQ e a área química. Por outro lado, procuro contornar essas dúvidas, mostrando já o crachá, a identificação, mostrando os documentos timbrados, pois já ocorreu de algumas pessoas desconfiarem se eu seria de fato fiscal de um órgão oficial”.

Vistorias em todo o Estado: viagens constantes

Desconfiança atrapalha o dia a dia do agente fiscal

Outras questões, tão comuns no país, como a violência urbana, são dificuldades adicionais.

“Teve uma vez que eu tive de retornar em outro horário a uma empresa, toquei no interfone… Estavam evitando me atender porque a empresa tinha sido assaltada: em um tempo anterior um cara tinha se passado por agente de outro órgão público, ou concessionária de energia, alguma coisa desse tipo”, recorda.

Para o futuro, Natan vê com satisfação a expectativa de crescimento do Sistema CFQ/CRQs.

“Agora está muito bom, pude conhecer avanços significativos no serviço público e me esforço para melhorar o atendimento à sociedade. Sou grato por saber desse valor, o valor principal é esse: atender a sociedade, buscando sempre atualizar-me para responder da forma mais assertiva, e também com vistas à preservação do meio ambiente. Para o futuro, vejo melhoria, que o Sistema possa evoluir com seus Regionais, com práticas sustentáveis e que busquem inovação. Pensando em revolução tecnológica, os processos estão cada vez mais velozes, e o Sistema, com a implantação do Pool de Serviços Compartilhados, a plataforma virtual dos relatórios, vai dar um salto enorme para a qualidade do serviço”, concluiu.