Notícias

Vida de Fiscal: em Goiás, um agente que tem o Sistema CFQ/CRQs como assunto de família

Muitos brasileiros não sabem, mas por trás de cada serviço e produto da área química que chega a suas mãos existe uma instituição responsável por assegurar que ele é seguro para o consumo da população. Essa missão cabe ao Sistema CFQ/CRQs que, através de atividades de fiscalização, de campo, certifica a sociedade de que os profissionais que manipulam os produtos ou que oferecem seus serviços são de fato da área da Química.

Você já parou pra pensar se a fábrica do alimento que você consome, ou o sabonete que você usa para a higiene pessoal, realmente tem um profissional responsável qualificado, como indicado no rótulo? De fato, você pode confiar: afinal, um agente fiscal do Sistema CFQ/CRQs periodicamente efetua a fiscalização e tranquiliza a população.

O trabalho do agente fiscal – ou, como o chamamos carinhosamente, fiscal – vai muito além de certificar que o profissional indicado pelo fabricante formalmente atua no processo de elaboração de cada produto, mas também verifica se o profissional que atua na empresa possui as qualificações requeridas para cada atividade desenvolvida.

Na série “Vida de Fiscal”, o Conselho Federal de Química (CFQ) convida a população conhecer um pouco sobre essas pessoas. É uma forma de ter contato com aqueles que cruzam o país de norte a sul para proteger a todos nós.

Jovem e cheio de energia pra defender a Química e a sociedade

Neste terceiro episódio do Vida de Fiscal, vamos conhecer a história do agente Rafael Fernandes Barros. Ele atua no Conselho Regional de Química da 12ª Região (CRQ XII), que tem sede em Goiânia mas que atua nos Estados de Goiás e Tocantins, além do Distrito Federal.

A história de Rafael é uma história particular por algumas razões. Uma delas é que ele é mais jovem do que a maioria dos nossos personagens: ele tem 30 anos e há seis atua como agente fiscal. A carreira dele foi, até agora, direcionada para a atuação na fiscalização, o que também não é exatamente comum. Mas mais que isso: Sistema CFQ/CRQs, na família Barros, é assunto desde o café da manhã ao jantar – como veremos até o fim deste texto.

Rafael se formou na primeira turma de Engenharia Química da UFG e, como muitos universitários, tinha pouca ideia do que faz exatamente um fiscal do Sistema CFQ/CRQs. Mas ele estava determinado a ingressar no setor público.

“Quando entrei no CRQ, não conhecia muito a função de fiscalização. Não sabia como eram feitas as vistorias. Antes de entrar eu pensava que nosso trabalho talvez fosse ir a uma mineradora, fazer uma coleta, encaminhar pra laboratório… enfim”, afirma.

A experiência de campo, porém, nem de longe foi frustrante. Hoje, Rafael entende as várias dimensões de sua atividade, em benefício da sociedade, das empresas e, principalmente, para os profissionais da Química como ele próprio.

“Nosso trabalho é de suma importância para proteger os profissionais da Química. Sem a fiscalização, a atuação profissional seria dificultada. Muitos empreendedores não têm essa preocupação de contratar profissional habilitado. Muitos são “forçados”, digamos assim, ou por conta da legislação ou por outro motivo qualquer”, destaca.

Rafael é o primeiro à direita, de roupas azuis. Ele atua no CRQ XII há seis anos

Atender bem e com educação: os atalhos da atuação do fiscal

A abordagem das empresas fiscalizadas é um dos segredos pro sucesso na profissão, na opinião de Rafael. Gostar de pessoas, entender o papel de cada um na hora da vistoria e manter sempre o equilíbrio e a boa educação são os mandamentos.

“Tem fiscalizações em que a gente é tratado como rei, e tem outras que são mais complicadas, quando a empresa não permite a vistoria e é lavrado o auto de resistência à fiscalização. Eu mesmo, durante esses quase seis anos, desenvolvi habilidades. Da minha parte, a capacidade de comunicação, equilíbrio emocional. Sempre procuro ser educado e cordial. Isso pode facilitar o trabalho. Tem determinado segmentos, empresas com algum problema com o CRQ no passado por exemplo, isso gera alguns inconvenientes e vai do céu ao inferno”, conta.

Há facilitadores no caso do Sistema CFQ/CRQs. Rafael lembra que as vistorias não têm intimação lavrada in loco, e isso diminui um pouco a pressão. Além disso, ele afirma ter crescido muito profissionalmente como agente fiscal. A exemplo de outros profissionais que atuam na fiscalização, ele saúda a possibilidade de, nas andanças pela região, conhecer absolutamente tudo sobre as áreas de atuação da Química. Todo dia é dia para aprender um processo, uma atividade nova no segmento.

“É um ponto bacana. Nossa rotina é diferente, a gente aprende muitas coisas… Muitos segmentos eu não conhecia. Hoje é fácil passar na rodovia e identificar um laticínio, um galpão de empresa de produtos químicos. Isso de fato acontece. Por mais que se tenha a bagagem da graduação, a gente não deixa de aprender ao longo da fiscalização”, assinala Rafael.

Rafael em ação conjunta em Anápolis-GO

Família CRQ XII: como Rafael e a esposa trouxeram a atividade pra rotina

E a questão familiar? Rafael conheceu a esposa, Joicy Rocha dos Santos, ainda nos bancos universitários da UFG. De lá pra cá, se formaram (ela em Química), namoraram por “muito tempo”, nas palavras de Rafael, e… Fizeram juntos o concurso público para o CRQ XII. Os dois passaram: Rafael em primeiro, a então namorada em quarto. O segundo e o terceiro não ficaram, Joicy também foi chamada.

“Ela se formou dois anos antes de mim e a gente fez o concurso juntos. Fiquei em primeiro e fui chamado rápido. Ela chegou a trabalhar na fiscalização, só que hoje ela está em outra função no CRQ XII. Ela conhece minha rotina de trabalho, eu conheço a dela… Como colegas de trabalho e casados a gente têm um relacionamento bem legal”, resume Rafael.

Os filhos ainda não vieram, o futuro é sempre um livro aberto, mas tudo se encaixa bem na vida do casal. Uma vez por ano ao menos, a fiscalização exige deslocamentos para Tocantins, onde as distâncias são maiores. Quando isso acontece, é preciso ficar longe de casa entre duas e quatro semanas. O hodômetro do carro avança rápido no Tocantins e cada expedição dos agentes fiscais soma 3 mil ou 4 mil quilômetros com facilidade.

Nada disso, porém, abala o sorriso amplo de Rafael. Ele gosta do que faz e quer seguir fazendo por muito tempo.

“Gosto muito do meu trabalho, temos uma rotina diferente. O Sistema CFQ/ CRQs tem todo um trabalho que chega na sociedade. Isso é muito importante”, conclui.