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USP desenvolve biomaterial para tratar fraturas em animais de grande porte

Há mais de 20 anos, a química Virginia da Conceição Amaro Martins trabalha na Universidade de São Paulo (USP) com biomateriais, no grupo de Biomateriais do Instituto de Química de São Carlos da universidade, coordenado pela professora doutora Ana Maria de Guzzi Plepis. A servidora auxilia no desenvolvimento de materiais para usos diversos. Foi de lá que saiu o biomaterial que está em estudo para tratamento de fraturas em animais de grande porte.

Os experimentos com o biomaterial vêm mostrando resultados positivos e foram conduzidos pela médica veterinária Geissiane de Moraes Marcondes, com colaboração de outros pós-graduandos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.

Segundo Virginia, a parceria possibilitou o desenvolvimento do biomaterial para esta finalidade. “Ela me mostrou o que precisava, e no laboratório trabalhamos para desenvolvê-lo. É um trabalho de parceria com vários pesquisadores. Nós colaboramos com a parte Química, desenvolvendo o biomaterial, o que torna possível que o experimento in vivo vire realidade. Para darmos prosseguimento à pesquisa de qualquer biomaterial, que conseguimos no laboratório, é preciso que se tenha um estudo na área de aplicação deste biomaterial. Para isso, fazemos parcerias com pesquisadores que sejam aptos a fazer essa aplicação”.

O compósito à base de quitosana, nanotubos de carbono e hidroxiapatita tem uma estrutura semelhante ao tecido ósseo. Ela lembra uma esponja de limpeza, porém mais rígida e não flexível. Funciona preenchendo as falhas ósseas e auxiliando no tratamento com placas e parafusos. “Pensamos no biomaterial que pudesse ser também um suporte de células, na tentativa de conseguir uma regeneração mais rápida e eficiente do osso do animal. Então, ele tem que preencher o espaço, ter alguma resistência mecânica, poder adicionar células, permitindo assim auxiliar na regeneração de tecido ósseo”, detalha a química.

Os resultados preliminares são animadores: os testes apontam para uma maior rapidez na recuperação e produção de um tecido semelhante ao tecido ósseo. Os pesquisadores estão trabalhando para o aperfeiçoamento do biomaterial. Virginia estima que sejam necessários mais dois anos de estudos para que o biomaterial esteja pronto para o uso.

Uma vida de trabalho com os biomateriais

O envolvimento de Virginia com a Química começou ainda no ensino médio, na década de 70, quando optou pelo curso técnico na área. Por influência de um professor, ela escolheu pelo curso na USP de São Carlos, onde ingressou em 1981. Fez mestrado e doutorado na área de concentração físico-química. Antes de terminar o mestrado, foi contratada para atuar como química no mesmo grupo de pesquisa no qual já trabalhava.

Durante os mais de 30 anos de trabalho na universidade, Virginia ajuda a dar forma a pesquisas nas mais diversas áreas. “Já fiz muitas pesquisas legais aqui e continuo fazendo todos os dias. Mandamos biomateriais para vários pesquisadores de outras faculdades nas áreas de odontologia, medicina e veterinária. Aqui fazemos a parte Química, e os outros pesquisadores fazem os ensaios biológicos para aplicação na regeneração de tecidos. E cada trabalho desenvolvido é mais conhecimento agregado”, pontua.

Fora o trabalho de produção de biomateriais para alguma aplicação especial, como foi o caso deste para a veterinária, no dia a dia Virginia acompanha e presta auxílio nos projetos dos alunos, desde a iniciação científica até os de doutorado. “Cada um estuda algo diferente, e eu aprendo com cada um deles. Adoro o que faço. Sinto que meus conhecimentos podem contribuir um pouco em cada projeto desenvolvido no grupo”, conclui.