Notícias

Terceira edição do “Projeto Inspiração” apresenta setor de bebidas e alimentos

O Conselho Regional de Química da 4ª Região (CRQ IV-SP) apresentou, na noite desta terça-feira (29), mais uma edição do “Projeto Inspiração”, criado para estimular estudantes e jovens profissionais na evolução da carreira, sempre focando nas perspectivas e possibilidades da Química. 

O tema abordado nesta live do CRQ IV, realizada no YouTube, foi o setor de alimentos e bebidas. O profissional da Química está diretamente envolvido na área alimentícia, com destaque para inserção em: produção; processos de boas práticas; gestão de qualidade; controle de qualidade; desenvolvimento; e gestão ambiental.

Para falar sobre esses assuntos foram convidadas a mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade de São Paulo, Jacqueline Mary Gerage; a técnica em Química, Farmacêutica e Mestre em Toxicologia de Alimentos, Renata Cerqueira; a técnica em Química, com 35 anos de experiência em controle de qualidade, segurança alimentar, Mirna Hitomi Sato; e Sandra Helena da Cruz, bacharel em Química com atribuições tecnológicas pela UNESP, e mediadora do evento. 

 Jacqueline Mary Gerage abriu a live contando que descobriu a Química no Ensino Médio, inspirada por um professor. “Eu pensei que se estudasse Química, poderia ganhar mais conhecimento e relacionar [o estudo] com muitas coisas da vida cotidiana. Me identifiquei com a Química. Foi muito prazeroso”, confessou a profissional. 

Jacqueline revelou que, em 2002, a ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo) tinha recém aberto um novo curso, de Engenharia de Alimentos, e que, ao conhecer a grade curricular, teve seu interesse automaticamente despertado.  

“Quando li a programação: transformação de alimentos, análises laboratoriais, Química Orgânica, Bioquímica, componentes químicos, conservação de alimentos. Resolvi prestar o vestibular”, relatou Jacqueline, com entusiasmo. 

Também com experiência na implementação de ferramentas de gestão de processos de qualidade, Jacqueline reforça que a vida universitária ajuda muito a dar um direcionamento profissional. 

“Eu consegui meu primeiro emprego numa indústria de laticínios e tive o desafio de avaliar os produtos e controles de processos. Toda pessoa nesta área precisa saber que é responsável por oferecer uma segurança nos alimentos. Na indústria, temos regras e critérios para não causarmos danos ao consumidor, desde o campo até a entrega para o consumidor”, garantiu. 

Segundo a especialista, a tendência no futuro será utilizar técnicas em 3D e substituição de proteínas animais por compostos à base de plantas. 

Ao encerrar seu depoimento, a profissional observa que a Química está além do jaleco do laboratório. “Temos uma aplicação mais ampla”, disse. 

De acordo com a mediadora Sandra Helena, a Química possibilita atuar em diferentes setores. Sandra comentou que foi para a área de bebidas e produção de etanol. “Agora, todo mundo quer fazer cerveja em casa. Está na moda por causa da pandemia.” 

Em seguida foi a vez da técnica em Química, Mirna Sato, discorrer sobre sua experiência profissional. “Eu comecei por causa do jaleco. No seriado japonês Nacional Kid tinha um personagem que usava jaleco. Meu pai trabalhava no Instituto Butantan. Fui para a Química e não parei mais”, manifestou com um sorriso a profissional.

Mirna trabalhou com insumos farmacêuticos. Teve passagens na indústria veterinária, de sorvetes, borrachas e cimento. Foi vendedora de resina até que chegou na área de regularização de produtos. “Eu regularizo os lançamentos de produtos. Estudo as legislações e dou entrada na Anvisa e no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para os produtos irem para as prateleiras dos mercados”, destacou. 

Renata Cerqueira começou a trabalhar com 14 anos como guarda-mirim na região de Sorocaba. “Lá tinha um laboratório fantástico e tinha um pessoal que usava avental. Fui para um curso técnico em Química e fiz estágio na 3M. Foi um amor muito bacana”, disse a química. 

Em sua fala, Renata lembra que passou por grandes empresas, com destaque para uma multinacional de chocolates. Os aromas e sabores chamaram sua atenção. No interior paulista,  trabalhou no controle de qualidade de uma fábrica de fragrâncias até chegar na organização multinacional que está atualmente, que atua no setor de alimentos e bebidas. Para quem está começando, ela recomenda: “o químico precisa estar sempre estudando.”

Mercado de Trabalho

Jacqueline disse que as corporações do setor alimentício, quando se trata do preparo de pratos e refeições, estão aliando valores relacionados à saúde e à praticidade. “O novo profissional vai ter que desenvolver habilidades para a conservação de alimentos. Não vejo dificuldades para entrar no mercado de alimentos. A indústria tem muitas regras para colocar um produto no mercado”, conta. 

A profissional ainda observa que o setor atua de forma intensa em virtude da pandemia, buscando suprir, emergencialmente, a demanda dos consumidores. 

Para Mirna, as empresas estão se reinventando: “ até as pequenas. E o CRQ tem uma ação importante, de fiscalizar.”

Renata complementou dizendo que a indústria tem que ser eficiente dando soluções para problemas antigos, com precisão na gestão e processos. “O profissional tem que se qualificar. Vejam o que vocês querem e tracem objetivos. Mirem nisso.”

Já Sandra alertou para o potencial da área em que atua, a de bebidas. Segundo ela, as fábricas de bebidas – não só alcoólicas – precisam de químicos.

Assista à live do CRQ IV em Projeto Inspiração: Alimentos e Bebidas