Sistema CFQ/CRQs realiza palestra sobre prevenção ao câncer de mama
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Na última quarta-feira (30), o Sistema CFQ/CRQs, por meio do Grupo de Trabalho “Mulher na Química”, promoveu a palestra “Outubro Rosa: câncer de mama e saúde da mulher”, conduzida pela Dra. Nara Fabiana da Cunha. A especialista abordou a importância do autocuidado e do diagnóstico precoce, ressaltando como o autoexame, a conscientização e a prevenção são essenciais para a saúde feminina.
Durante a palestra, a Dra. Nara destacou o surgimento do termo “câncer”, que, segundo ela, remonta à observação da forma de crescimento desordenado das células tumorais. “O termo câncer tem uma história curiosa; ele se relaciona ao formato das células malignas que, ao crescerem de forma irregular e invadirem tecidos ao redor, lembram as patas de um caranguejo. Daí surgiu o nome”, explicou a especialista.
Ela mencionou como a nomeação de doenças é um processo que envolve tanto a medicina quanto a percepção social e cultural, trazendo uma perspectiva humana e histórica ao entendimento da doença.
A médica radiologista também aproveitou a oportunidade para alertar sobre os fatores de risco para o câncer de mama, enfatizando que as mulheres possuem um risco 100 vezes maior do que os homens. Entre os principais fatores, ela apontou a faixa etária de 40 a 50 anos, histórico familiar de câncer de mama, ovário ou próstata, e exposições anteriores a radioterapias no tórax em jovens.
“A gente tenta fazer esse trabalho baseado em dados científicos, não é no achismo, para podermos falar da importância que têm os exames e a questão de você estar fazendo a prevenção em todos os sentidos”, pontuou.

Autoexame
Outro ponto destacado por Cunha na apresentação foi a importância do autoexame e do conhecimento do próprio corpo para identificar alterações que possam indicar riscos, sempre observando mudanças sutis no tecido mamário, na coloração da pele e na simetria dos mamilos.
“O autoexame permite que a mulher se conheça. Um dos principais pontos que reforçamos é observar pequenas mudanças, como retração do mamilo, alterações de cor e forma. Estes são sinais sutis que podem fazer toda a diferença na identificação precoce”, orientou.

Conscientização
Ela reforçou, ainda, o compromisso de conscientizar e desmistificar o câncer de mama: “O Outubro Rosa é mais do que um mês de conscientização; é um convite ao autocuidado e à prevenção. Aproveitamos esta oportunidade para orientar e desmistificar temas cercados por fake news, trazendo à tona a importância de se cuidar e de se informar com base em dados científicos”, ressaltou.
Chip da beleza
Ao final do encontro, a conselheira federal do CFQ, Raquel Fiori, questionou a especialista sobre um tema atual e delicado: o “chip da beleza”, que recentemente foi alvo de restrições pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devido aos riscos potenciais de câncer de mama e outras contraindicações relatadas por usuárias.
A Dra. Nara explicou que, embora a reposição hormonal possa beneficiar muitas mulheres, especialmente quando administrada de forma criteriosa, há preocupações crescentes sobre a utilização inadequada desse recurso. “Vejo muitas pacientes usando o chip sem uma real necessidade, muitas vezes para ganhar massa muscular ou melhorar o humor rapidamente, e acho que isso não é o ideal”, esclareceu.
Ela destacou também o uso irregular de certas substâncias nos chips disponíveis no mercado, algumas das quais contêm composições não autorizadas. “A situação acaba ficando desregulada, e entendo que a Anvisa tenha agido para controlar melhor o uso, talvez até abrindo caminho para uma reavaliação no futuro, mas com indicações mais rigorosas”, afirmou.
Conforme alertou, o acompanhamento médico adequado é fundamental para evitar efeitos indesejados. Ela lembrou que o que funciona bem para uma pessoa pode não ser seguro para outra. “É de extrema importância haver estudos contínuos para esclarecer os reais benefícios e riscos dos diferentes tipos de chips hormonais”, finalizou.