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Setor de cosméticos debate estratégias para explorar potencial da biodiversidade brasileira

O CRQ III promoveu na noite da terça-feira (13/04) uma live com o tema “Princípios Ativos da Biodiversidade Brasileira na Produção de Cosméticos”. O evento virtual foi organizado pela Câmara Técnica de Cosméticos, Fármacos e Assuntos Regulatórios (CTCFCS) da regional. A mediação ficou por conta de Valdir Florêncio, que é membro da Câmara Técnica de Cosméticos, Fármacos e Assuntos Regulatórios, professor do Instituto Militar de Engenharia (IME), e engenheiro químico pós-graduado em Química Orgânica.

A live contou com a participação de Letícia Scherer Koester, que é professora titular do Departamento de Produção e Controle de Medicamentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, farmacêutica e doutora em Ciências Farmacêuticas pela UFRGS; Maria Celia Reimberg, que é Farmacêutica-bioquímica e supervisora de PD&I na Beraca; e Gerson Valença, conselheiro de Administração, Químico e também  diretor técnico científico do Grupo Centroflora.

Os participantes falaram sobre suas experiências profissionais e acadêmicas no campo dos cosméticos e biodiversidade e abordaram temas que se relacionam e permeiam o assunto, como a produção de tecnologia cosmética, economia, fatores sociais e ambientais.

 

Para Gerson Valença, o mercado tem componentes que atendem às necessidades contemporâneas e é promissor.

“O consumidor está cada vez mais buscando soluções naturais. E sabemos que o cosmético natural consegue ser tão bom quanto os demais. Não há barreira tecnológica de eficácia e a aceitação é cada vez melhor. Então, temos tudo para crescer muito”.

E a base para a indústria cosmética baseada na biodiversidade parte da academia. É de lá que saem as pesquisas, novas tecnologias e recursos humanos que possibilitam esta  expansão, segundo Leticia Scherer.

“Hoje temos acesso a bases de dados riquíssimas em conhecimento, ferramentas de busca e muita gente nova querendo aprender e descobrir. É na academia que se inicia a geração de conhecimento cientifico e tecnológico, além da formação humana”.

Para a professora e pesquisadora, ainda são grandes os desafios da academia nas interações com a indústria, mas ela percebe que agências de fomento estão enxergando de outra forma a necessidade de interação entre academia e empresas.

“Hoje a indústria também está reconhecendo as competências e habilidades que são geradas na academia e que são essenciais para o mercado. A formação de recursos humanos se reverte para a indústria em agilidade, desenvolvimento de produtos, capacidade de resolução de problemas. E, com o tempo, cada vez mais isso vai ser reconhecido”, se anima.

“É muito gratificante ver a inserção de egressos no setor produtivo. Acho que, cada vez mais, temos que investir na aproximação e no diálogo para que se entenda o quão fundamental é a formação de recursos humanos”, complementa.

Com a experiência de quem distribui ingredientes cosméticos para mais de 40 países, Maria Celia Reimberg acredita que os desafios para inserir os produtos brasileiros no mercado internacional passam pela necessidade de parceria com as universidades e formação de pessoal.

“Não se faz inovação sozinho dentro da empresa. É necessário trabalhar em parceria com universidades, órgãos de fomento… A empresa precisa de pesquisa exploratória, é necessário ter um olhar holístico de desenvolvimento como um todo, avaliar impactos, pois é preciso desenvolver algo que seja sustentável. E isso inclui outro desafio, que é ter o inglês na ponta da língua, para leitura de artigos e uma comunicação eficiente”, acrescenta.

Os três são unânimes na aposta em um mercado cheio de possibilidades para a área da cosmética com bases na biodiversidade brasileira. Gerson prevê a necessidade de ajuste para uma cadeia de produção sustentável para todos.

“No futuro, eu vejo a tecnologia e a natureza como grandes aliados. A exploração ambiental  responsável, com boas práticas de cultivo, de extrativismo, rastreabilidade, repartição de benefícios… Também vejo como futuro o fortalecimento dos pequenos produtores locais, conectados com as grandes cadeias. Este é o caminho para levar justiça social às comunidades que trabalham com essa matéria-prima. Além disso, não podemos só pensar no mercado doméstico. Temos que pensar em levar a biodiversidade brasileira para todos os cantos do planeta, mas com diversidade e inclusão”.