Semana da Mulher na Química debate desafios, conquistas e o futuro das cientistas

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Painel promovido pelo CFQ destacou os avanços, barreiras e o papel das novas gerações na construção de uma ciência mais diversa

Quem abriu caminhos para as mulheres na ciência, quem fortalece essas conquistas hoje e quem ajudará a construir o futuro da Química. Essa foi a proposta de reflexão do painel virtual “Conectando Gerações”, realizado pelo Conselho Federal de Química (CFQ) como parte da programação da Semana da Mulher na Química.

O debate foi mediado pela conselheira federal e presidente do Comitê da Mulher na Química do CFQ, Andréa Piluski, e contou com a participação da gerente de Fiscalização e Administrativo no CRQ 9 (PR), Lilian Contarti, e da conselheira da regional do CRQ 17 (AL), Elisangela Costa. Ao longo do encontro, as palestrantes discutiram os avanços alcançados pelas mulheres na ciência, os desafios que ainda persistem e a importância de incentivar novas gerações de cientistas.

A discussão partiu de um recorte geracional. As participantes destacaram, inicialmente, o papel das cientistas pioneiras, responsáveis por abrir espaço para a presença feminina em um ambiente historicamente marcado por barreiras culturais e preconceitos. Entre as referências lembradas estão Marie Curie e Dorothy Hodgkin, que marcaram a história da Química e se tornaram inspiração para futuras gerações.

Em seguida, foi abordada a chamada geração da transformação, formada por mulheres que ampliaram e consolidaram essas conquistas. Com mais acesso à formação acadêmica e ao mercado de trabalho, essas profissionais contribuíram para fortalecer a presença feminina em universidades, centros de pesquisa e diferentes áreas da Química.

O painel também destacou o papel das novas gerações, caracterizadas pela forte conexão com tecnologia, inovação e colaboração científica. Para as participantes, o diálogo entre profissionais de diferentes idades e trajetórias amplia perspectivas e fortalece o desenvolvimento científico.

A carreira científica como reação química

Lilian Contarti utilizou uma metáfora da própria ciência para falar sobre a trajetória profissional na área. “Assim como nas reações químicas, diferentes elementos são necessários para que tudo aconteça. Na ciência, pessoas de diferentes gerações trazem experiências, ideias e perspectivas diversas, enriquecendo o ambiente acadêmico e profissional”, afirmou.

Segundo ela, nesse processo, algumas pessoas desempenham o papel de verdadeiros “catalisadores”, capazes de acelerar mudanças e inspirar outras mulheres a ingressar e permanecer na carreira científica.

Na mesma linha, Elisangela Costa destacou que nenhuma geração constrói o futuro sozinha. Para a professora, a troca entre diferentes experiências e trajetórias é fundamental para consolidar avanços e abrir novos caminhos na ciência.

Desafios e escolhas ao longo da carreira

Durante o painel, a mediadora Andréa Piluski também perguntou às palestrantes sobre os desafios enfrentados ao longo da carreira. Lilian destacou que muitas mulheres ainda precisam fazer escolhas difíceis para avançar profissionalmente.

Segundo Lilian, além de perseverança, é fundamental contar com uma rede de apoio que permita conciliar a vida profissional e pessoal. “Também precisamos saber onde queremos chegar e não desistir quando encontramos obstáculos. Eles existem e são muitos”, ressaltou.

Representatividade ainda precisa avançar

A questão da representatividade também foi destaque no debate. A professora Elisangela Costa chamou atenção para a baixa presença de mulheres negras em programas de pós-graduação, mestrado e doutorado na área científica. Ela explicou que, ao observar os programas de pós-graduação, mestrado e doutorado, ainda é possível perceber a baixa presença de mulheres negras nesses espaços.

Como exemplo de representatividade, citou a cientista Bárbara Carine, cuja trajetória tem inspirado jovens estudantes, embora ainda seja pouco conhecida em nível nacional.

Para Elisangela, incentivar meninas desde a educação básica é um passo fundamental para ampliar a diversidade na ciência. “Conectar gerações também significa incentivar meninas desde cedo, principalmente meninas negras, por meio de feiras de ciência, olimpíadas científicas e projetos educacionais que aproximem estudantes da química”, afirmou.

A pesquisadora também destacou que iniciativas voltadas à valorização da presença feminina na ciência já vêm sendo desenvolvidas em diferentes regiões do país, estimulando jovens a enxergarem a química como uma possibilidade de carreira. “É difícil, nem todos os caminhos são flores. Por isso precisamos persistir, insistir e nos unir para promover avanços”, disse.

Ao final do painel, as participantes reforçaram a importância de fortalecer redes de apoio entre mulheres cientistas e de ampliar o diálogo entre gerações.

“A química faz parte da vida e tem o poder de transformar gerações. Por isso, precisamos caminhar juntas”, concluiu Elisangela Costa.