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QuimTec: dicas e caminhos para virar empreendedor no Dia Nacional dos Profissionais de Nível Técnico

Para marcar as comemorações pelo Dia Nacional dos Profissionais de Nível Técnico e abrir um ciclo de palestras e eventos que vai integrar o calendário do Sistema CFQ/CRQs a partir de agora, foi realizado na quinta-feira o lançamento do QuimTec – um projeto promovido em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) voltado para o desenvolvimento da mentalidade empreendedora e da geração de oportunidades com o olhar voltado para os técnicos da área Química.

O pontapé inicial do QuimTec se deu em um evento híbrido (presencial e virtual), realizado a partir de um estúdio de gravação em Brasília. Da capital foi realizada, obedecendo todos os protocolos de segurança para a Covid-19, a palestra do especialista em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia, Agnaldo Dantas. Pelo telão, em evento transmitido ao vivo pelas redes sociais do CFQ, Dantas interagiu com os demais convidados.

Possibilidades de atuação dos técnicos da área Química são imensas

As saudações iniciais do evento couberam ao conselheiro federal Wagner Aparecido Contrera Lopes. Em nome do presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, ele manifestou a satisfação do Sistema CFQ/CRQs ao promover um evento voltado especificamente para o público dos técnicos da área Química e destacou que desde os primórdios do conselho profissional, já na Lei Mater dos Químicos (2.800/1956), a legislação já incumbe ao Sistema CFQ/CRQs zelar pelo exercício das atividades dos profissionais de nível técnico. Ele lembrou ainda que o CFQ mantém um comitê exclusivo de atenção a esses profissionais, o Comitê de Governança de Atuação dos Técnicos da Área Química (CGTEC).

“Temos um rol de mais de 80 modalidades profissionais que se enquadram como profissionais da área química, o que é natural uma vez que a Química está presente em diversos ramos da economia. Mais do que uma porta de entrada para os profissionais que buscam outras qualificações posteriormente, os currículos dos profissionais de nível técnico oferecem uma formação versátil. Respeitado o que está previsto na lei 2.800/1956, eles podem assumir a responsabilidade por empresas. Munidos de espírito empreendedor, eles acabam construindo essas empresas”, concluiu Contrera Lopes.

Em sua palestra, Dantas expôs um rápido compilado que mesclou princípios teóricos sobre inovação, empreendimento e modelos de negócio, pontuados pelos cases de profissionais técnicos da área Química que se lançaram em diferentes ramos e perseveraram. Ele defende que o aspecto pragmático, de resolução de problemas das pessoas, deve nortear os empreendimentos.

“Dificilmente alguém vai enriquecer sendo assalariado. Já um empreendedor, não. E o que é empreender? Empreender é ganhar dinheiro resolvendo o problema de alguém. Esse é o foco. Empreender e inovar são muito próximas. Inovar pode ser até botar uma barraca de cachorro quente: se for em um lugar onde não havia nenhuma, você inovou”, completa.

Dica do especialista: converse sobre suas ideias

Em linguagem bastante acessível, Dantas deu uma verdadeira aula sobre os princípios da inovação e o caminho para o sucesso. Entre as máximas sobre o tema, ele defendeu que o empreendedor que inova é aquele mais atento e que compartilha suas ideias para construir algo maior.

“Dificilmente seremos inovadores sozinhos. Se não compartilharmos, provavelmente aquilo será apenas uma ideia, como tantas outras. Converse com outras pessoas, até porque os investidores dificilmente investem em lobos solitários. E lembre-se de que 99% das inovações realmente são coisas já muito próximas de acontecer. Não há saltos, não há algo que parta do zero. A inovação geralmente é uma recriação sobre algo que já existe mas pode ser ainda melhor”, afirma.

Teresa Brandão: esforço do empreendedor é maior até consolidação

O primeiro case trazido pelo QuimTec é o da profissional Teresa Brandão, de Olinda (PE). Há dez anos ela fundou a Top Limp Serviços, empresa que executa serviços de limpeza, higienização e desinfecção em reservatórios de armazenamento de água.

“Trabalhei por 15 anos em laboratório. Depois, resolvi ter família. Pensei: preciso de mais tempo para criar os filhos… Aí criei a Top Limp, resolvi empreender. Avancei de serviços simples, de limpar uma caixa d’água por exemplo, e evoluímos para limpar grandes torres. Em muitas ações a gente utiliza até guindastes. Hoje temos 34 pessoas. É claro que não foi só um golpe de sorte e quando se começa a empreender, se trabalha 24h. Isso vai até que seu modelo se consolida”, afirma Teresa.

Captian diz que priorizar venda de produtos amplia margem

O segundo exemplo partiu do empreendedor Alexandre Captian, responsável pela Misque – uma unidade de negócios global que fornece sistemas e soluções técnicas para saneamento, através do tratamento e reuso de águas e esgotos, entre outros. A ideia do negócio, segundo Captian, veio ainda no projeto de conclusão do Curso Técnico em Química do SENAI.

“Trabalhei em empresas na área de inovação e percebi a necessidade do reuso de água. A maior parte das empresas atua com processos biológicos, mas nós atuamos com tecnologia própria e também com tecnologias de terceiros. Um dos destaques é usar tecnologia de outros fornecedores, agregando valor. Em todas as inovações que a gente faz, a nossa margem fica maior. O profissional tem a cultura de vender seu conhecimento, mas vender seus próprios produtos aumenta a margem, importante observar isso”, conclui o empreendedor.

Sinkunas: habilidade para empreender pode ser adquirida

Por último, o QuimTec trouxe a história de Miguel Sinkunas, proprietário da Quiminac, empresa que atua no ramo de limpeza industrial. Sinkunas aproveitou de sua experiência para enfocar aquilo que julga mais importante para aqueles que querem empreender agora – a ideia de que a capacidade para ser empreendedor não necessariamente é nata e que pode ser adquirida ao longo do tempo.

“Vou começar dizendo que todos devem conhecer um pouco de programação neurolinguística. Existem pessoas que nascem com um dom, um tino. Tenho como exemplo um ex-colega, ele tinha um relacionamento humano fantástico. Um belo dia levei essa pessoa numa apresentação neurolinguística. Ele saiu surpreso e eu disse: o senhor já faz tudo isso naturalmente. O que eu quero dizer? Se diz que a pessoa tem um tino, isso é bom. Mas, mais do que nunca, você pode aprender a ser um empreendedor”, afirmou o proprietário da Quiminac.

No encerramento do evento, Dantas destacou que é preciso identificar bem qual é o negócio da empresa e quais são os concorrentes. Muitas vezes, isso não é tão simples quanto parece.

“O negócio do McDonalds, por exemplo, não é vender sanduíches. Hoje em dia a gestão dos imóveis é mais representativa. E se você tem uma ideia não exatamente original isso não significa que ela deva ser abandonada. Muitas vezes, quem está estabelecido não executa a ideia da melhor forma. Dou como exemplo o Spotify. Quando eles surgiram, já havia outras plataformas de compartilhamento de músicas, mas eles foram os primeiros a executar bem essa ideia”, afirma o especialista.

Na mensagem final, Contrera Lopes deixou como dica aos técnicos que nunca deixem de buscar qualificação:

“O próprio Sistema CFQ/CRQs tem oportunizado bons cursos. Não parem de estudar!”

Quatro perguntas para Agnaldo Dantas

CFQ – Como você enxerga a possibilidade de inovação na Química, especificamente?

Dantas – A Química é um dos uma das áreas de maior potencial de inovação hoje no mundo. Tem uma série de áreas que hoje, quando você vai num banco de patentes, boa parte dos produtos patenteados são da área de Química, então é um potencial imenso.

CFQ – Este evento é especialmente para tratar dos técnicos em Química. O senhor observa algum embaraço para que os técnicos em Química empreendam?

Dantas – Nenhum. O que você precisa é ter uma boa ideia, compartilhar, trocar e identificar bons problemas que você consiga resolver e contratar as pessoas certas, independentemente de você ter nível médio, ou não, você pode contratar alguém para sua equipe que tenha nível superior. Não há impedimento nenhum de isso acontecer e ter uma diversidade de pessoas também trabalhando com você para fomentar novas ideias também é muito importante.

CFQ – Para muitos profissionais da Química, focados no dia a dia de sua atividade, empreender é algo de outro mundo…

Dantas – Olha, primeiro a capacitação. É importante fazer cursos do Sebrae, que oferece vários cursos na área de gestão. Não que, de repente, o técnico vai se envolver na área de gestão. Ele pode contratar um bom administrador para estar ao lado dele, mas é importante entender o cenário completo da empresa. Ele precisa entender isso e os cursos ajudam bastante. Ele precisa entender o contexto até para poder dar ordens e entender o que pode ser feito, o que não pode ser feito e principalmente. Há normas do Inmetro, normas da ABNT, que ele tem que cumprir.

CFQ – Para o profissional da Química que quiser procurar o Sebrae, qual é o caminho?

Dantas – O site do Sebrae já dá muita informação antes de você procurar o atendimento presencial. Hoje, com a questão da Covid-19, é muito importante as pessoas tentarem buscar o máximo de informação online. O Sebrae está à disposição de todos, tem vários pontos de atendimento em todo o país, mas se ele puder já antecipar algumas informações no site já ajuda bastante para sabermos qual curso vai ser mais adequado ao que ele pretende fazer.