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Projeto Inspiração promove live sobre a atuação na área ambiental

O Conselho Regional da 4ª Região (CRQ IV) realizou, na noite de terça-feira (25), mais uma live do Projeto Inspiração. A iniciativa, transmitida pelo canal do CRQ IV no YouTube, promove debates com experientes profissionais da Química com o intuito de apresentar aos estudantes da área – de nível médio e superior – os diferentes campos de atuação e as possibilidades de evolução na carreira. Nesta edição, o tema em destaque foi a atuação dos profissionais da Química na área ambiental, em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no próximo dia 5 de junho.

Enquanto a primeira live do projeto, realizada no dia 27 de abril, discutiu a atuação na área de Química Farmacêutica, a segunda edição do projeto focou na Química na área ambiental. Foram convidados para falar do tema os químicos Flávio Luis Alvarez Bragante, Dilcelli Soares Moura e Aluisio Soares. 

A mediação ficou sob a responsabilidade do engenheiro químico Wagner de Miranda Pedroso, que é mestre em Processos Químicos e Bioquímicos com ênfase em Meio Ambiente pelo Instituto Mauá de Tecnologia, além de ser membro da Comissão Técnica de Meio Ambiente do CRQ IV.

A noite começou com o químico Flávio Bragante. Ele fez uma breve apresentação da sua carreira profissional. “Eu comecei aos 14 anos com o Curso Técnico de Laboratorista Industrial. A ideia quando me formei era trabalhar num laboratório. Entrei, aos 16 anos, na Mercedes-Benz pelo Senai, passei por outros laboratórios. Até que um dia passei no concurso da Sabesp, que mudou totalmente a minha perspectiva na área Química. Comecei a ver outras situações, outros campos e áreas dentro da Química”, conta o profissional formado em Química pela Faculdade de São Bernardo do Campo (FASB), pós-graduado em Gestão Ambiental pela Universidade de Campinas (Unicamp) e com atuação na área ambiental há mais de 17 anos. 

Outro ponto observado por Bragante é a multidisciplinaridade da área ambiental, que pode contemplar diversas profissões, baseadas em suas expertises. Segundo ele, nesse espaço, é possível ter o químico, o biólogo e o advogado trabalhando de forma complementar. 

Para contextualizar um pouco desse cenário, em sua apresentação, o profissional mostrou dados sobre a área de gestão ambiental. De acordo com Bragante, o Brasil produz, a cada ano, cerca de 2,9 milhões de toneladas de resíduo industrial. “Para menos de 30% é dada a destinação correta. O restante é destinado de forma errada.” 

O potencial do setor de tratamento de resíduos industriais, com estimativas de arrecadação que podem gerar R$ 1 bilhão por ano no Brasil, em comparação com o fato de atualmente o setor gerar somente 1/4 desta soma, aproximadamente R$ 240 milhões por ano, também foi abordado por Bragante. 

Para exemplificar, o especialista fez um cálculo considerando as micro e pequenas empresas do estado de São Paulo, onde há 217 mil indústrias. “Estimando que cada uma dessas indústrias gere somente 17 quilos de resíduos por mês, contabilizaríamos uma geração de mais de 44 mil toneladas de resíduos perigosos ao ano. 

O desconhecimento da legislação e a falta de profissionais especializados são alguns dos entraves deste meio, que, segundo Bragante, agora está mudando. “Hoje, toda vez que for destinar um resíduo, antes de fazê-lo, a empresa tem que informar ao órgão ambiental dados sobre o transporte. A fiscalização está apertando na documentação e na emissão de documentos. Até os bancos, detentores de hipotecas, estão contratando profissionais químicos para análises de empréstimos”.

O próximo palestrante a dar o seu depoimento foi o químico Aluisio Soares, graduado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com mestrado e doutorado em Química Ambiental. 

Com mais de 15 anos de experiência em trabalhos de investigação da qualidade de solos, águas subterrâneas e projetos de remediação de áreas contaminadas, Soares também traz em seu currículo o desenvolvimento de projetos na área de qualidade de sedimentos e águas superficiais. 

“É uma inspiração para nós também, pois somos constantemente inspirados pelas pessoas que estão ao nosso redor. Eu sou privilegiado porque sou nascido em São Carlos [SP], onde há duas grandes universidades e institutos de Química. Venho de uma família de professores. Eu adoro essa profissão, apesar de não exercê-la”.

O químico ambiental trabalha, desde 2008, em projetos e consultoria em áreas contaminadas e em suas remediações. “Todo o processo é passivo de contaminação. Nas legislações mais antigas, eram permitidas ações menos rigorosas. Hoje, existem processos de licenciamento e monitoramento”, ressaltou. 

Conforme o profissional, todos os processos na área ambiental envolvem atividades da Química. “Todas as decisões são tomadas por meio de investigações, identificações, coletas de amostras, análises químicas e interpretações de relatórios. E, em parte das técnicas de remediação, são utilizados produtos químicos”, disse.  

A última convidada a se apresentar foi a química Dilcelli Soares Moura, formada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com mestrado em Química pela Universidade de São Paulo (USP). Ela possui mais de 10 anos de experiência nas áreas de Química Instrumental e Gestão de Qualidade, com enfoque nos ensaios analíticos e Amostragem de Matrizes Ambientais.

A química trouxe, especialmente, a sua trajetória como inspiração. “Queria fazer pesquisa e não só lecionar. Fiz doutorado na síntese de fármacos e me apaixonei pela área instrumental. Fui convidada para trabalhar em um laboratório e conheci sistemas de qualidade e gestão, ensaios e calibração. Faço o que eu gosto”, relatou.

A palestrante contou que, durante a profissão, foi despertando inspirações em outras pessoas. “Sejam cabeças pensantes, porque isso faz toda a diferença no desenvolvimento profissional, e busquem sempre novos desafios e aprendizado em áreas complementares”, aconselhou.

Para encerrar a noite, o mediador Wagner Pedroso fez alguns questionamentos aos convidados. 

Soares foi questionado sobre o tamanho do mercado. “Ele é multidisciplinar, incluindo, os químicos. Existe um campo vasto para se trabalhar em gerenciamento e remediação de áreas contaminadas, com uma gama de oportunidades”, destacou.

Sobre especializações, Dilcelli respondeu que o caminho é iniciar pelo básico, a parte acadêmica, passando por mestrados, doutorados, linhas de pesquisas ou instrumental, gestão de projetos ambientais, consultorias e ensaios .

Assista à live do CRQ IV sobre a atuação dos químicos na área ambiental:

https://www.youtube.com/watch?v=FJYx8BIUJwU