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Programa “Para Mulheres na Ciência” tem inscrições abertas

Todo ano, o programa “Para Mulheres na Ciência” premia sete jovens pesquisadoras das áreas de Ciências da vida, Ciências físicas, Ciências químicas e matemática com uma bolsa-auxílio para que deem prosseguimento aos estudos. Realizado em parceria com a Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidos (Unesco) no Brasil, com a Academia Brasileira de Ciências e com a L’Oréal, o prêmio tem como objetivo promover e reconhecer a participação da mulher na ciência, favorecendo o equilíbrio dos gêneros no cenário brasileiro.

Em 2019, uma das sete premiadas foi a química Taicia Fill. A professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi premiada pelo trabalho com doenças que acometem a citricultura. O cultivo de laranja é de extrema importância para o Brasil. Mas as doenças causadas por fungos e bactérias acabam causando muitos prejuízos à cadeia produtora. Pesquisas como a de Taicia se tornam fundamentais para o controle de pragas. “Nós trabalhamos estudando os fungos do ponto de vista químico e bioquímico, verificando quais são as armas químicas usadas pelo microorganismos para infectar a planta. Também buscamos novos produtos naturais para combater estas pragas”, explica.

O prêmio veio coroar um trabalho de quatro anos e dar ainda mais impulso para as pesquisas do grupo. “Receber um prêmio como este foi incrível e inesperado. Fiquei muito emocionada. Dá um gás grande para as pesquisas, e o grupo cresceu bastante desde que ganhamos o prêmio. Novos alunos vieram, conseguimos mais financiamento, visibilidade, credibilidade. É um divisor de águas, um sonho realizado”.

E este trabalho grande e diário com a Química tem sementes curiosas. Taicia começou a ter interesse pela Ciência graças aos seriados criminais que assistia com a mãe quando criança. “Sempre fui muito curiosa, e meus personagens preferidos eram os cientistas. Eles tinham muitos poderes, ficavam em seus laboratórios fazendo coisas incríveis”.

O encantamento com a Química Forense a levou a fazer graduação na área, mas na universidade ela conheceu o mundo da pesquisa e se apaixonou. “Hoje, como docente, sempre dou exemplos de crimes que foram solucionados utilizando ferramentas químicas nas aulas. Continuo encantada e ainda assisto a seriados”, diz, entre risos.

Vivendo a primeira gravidez, Taicia reflete sobre o mundo da Ciência para as mulheres e afirma que a falta de representatividade e até mesmo atitudes e palavras de colegas de trabalho acabam desestimulando muito as mulheres. “O machismo está incrustado na sociedade e na Ciência. Já passei por várias situações ao longo da minha carreira, até como docente, em que tive de enfrentá-lo. Mas outro fato que acaba desestimulando muito é ver poucas mulheres em altos cargos da Ciência, olhar para os números e ver que é muito difícil chegar lá”, pontua.

Para que o campo da Ciência seja melhor para as mulheres, ela acredita que o caminho é a implementação de políticas públicas de inclusão. “Se as universidades, instituições de pesquisa, sociedades científicas trazem estas políticas, aos poucos, as pessoas vão vendo a necessidade e a importância. E prêmios como este [Para Mulheres na Ciência] trazem questionamentos à tona. Isso provoca mudanças. As pessoas abrem os olhos para este problema e passam a entender de outra forma”.

Sobre o prêmio “Para Mulheres na Ciência”

O programa oferece uma bolsa-auxílio no valor de R$ 50 mil para mulheres cientistas. As inscrições foram prorrogadas até o dia 10 de junho. Esta edição de 2021 conta com uma novidade: um ajuste no regulamento permitiu maior prazo de conclusão do doutorado para cientistas que são mães, ampliando a oportunidade de inclusão.

Para participar, é necessário ter concluído o doutorado a partir de 01/01/2014, sendo que, para mulheres com um filho, o prazo se estende por mais um ano e, para quem tem dois ou mais filhos, o prazo adicional será de dois anos. Além disso, a cientista deve ter residência estável no Brasil, desenvolver projetos de pesquisa em instituições nacionais, entre outros requisitos. O regulamento completo e mais informações sobre o programa estão disponíveis no site Four Women in Science.

Ao longo de 16 anos, o programa “Para Mulheres na Ciência” já reconheceu e incentivou 103 cientistas brasileiras, premiando a relevância dos seus trabalhos, com a distribuição de mais de R$ 4,3 milhões em bolsas-auxílio.