Prevenção ao assédio e à discriminação: diálogo e responsabilidade no ambiente de trabalho
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Para propor soluções, procedimentos e revisitar regras de conduta, o Conselho Federal de Química (CFQ) promoveu, nesta terça-feira (09), o 2º Diálogo Aberto: Prevenção à Assédio e à Discriminação. Realizado em formato híbrido, o evento contou com Ângelo Calori como palestrante. Ele é especialista em traduzir complexidades regulatórias em estratégias práticas para fortalecer a ética e a governança corporativa, com mais de 20 anos de experiência internacional.
Na abertura, o presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, destacou o propósito de transformar o ambiente de trabalho do Conselho em um espaço seguro e acolhedor para todos. Oliveira Filho ressaltou que, desde 2022, a gestão tem promovido uma série de eventos com a temática do combate ao assédio e a todas as formas de violência no ambiente de trabalho. “Essa não é uma iniciativa isolada, mas sim uma política de gestão que reflete o nosso compromisso com a dignidade humana ”, afirmou.
Outro exemplo da consolidação dessa política é a Cartilha de Combate ao Assédio. Disponível no site do CFQ, o documento organizado pela Ouvidoria do CFQ contempla ferramentas práticas para o enfrentamento dessas violências. “Esse material é um guia fundamental para exemplificar as diversas formas de assédio — moral, sexual e de autoridade — e, principalmente, para indicar os canais e procedimentos seguros para denúncia, acolhimento e apuração”, reforçou Ribamar.

Para a ouvidora-geral do CFQ, Ana Elisa Matias, esta segunda edição do Diálogo Aberto reforça a relevância do tema e o papel fundamental da Ouvidoria como um espaço de acolhimento. Também destacou a importância de fortalecer ambientes respeitosos e inclusivos para todas as pessoas. “A prevenção ao assédio e à discriminação é essencial, pois muitas situações podem, e devem, ser evitadas. E é importante lembrar que ninguém precisa concordar com tudo para que possamos construir juntos um ambiente mais acolhedor. Mas precisamos ouvir, respeitar e agir”, reforçou a ouvidora-geral.
Diálogo e conscientização como ferramentas de prevenção
Com esse mote, e em uma palestra dinâmica e interativa, Ângelo Calori abordou os aspectos jurídicos e práticos de prevenção ao assédio, destacando estratégias que fortalecem a ética e o papel institucional essencial dos gestores nesse enfrentamento. Ao longo da exposição, reforçou a importância do diálogo e de iniciativas como o Diálogo Aberto para promover a educação, o aperfeiçoamento das regras e a reflexão crítica sobre relações de poder e influência no ambiente de trabalho.
“Quanto mais você se conscientizar das microagressões, mais capaz será de reconhecê-las em situações cotidianas. Decidir como e quando entrevistar é uma escolha pessoal”, destacou.
Utilizando trechos da cartilha produzida pelo CFQ e cenas do filme O Diabo Veste Prada, o palestrante apresentou de forma didática situações que caracterizam o preconceito estrutural e suas raízes, além de apontar caminhos para evitá-lo. Calori também apresentou formas de defesa para quem sofre esse tipo de violência, queda quando é como abordar o assunto.
Ao final da palestra, Ana Elisa questionou como tratar essas situações com mais celeridade no serviço público. Para Calori, a chave está em classificar e priorizar os casos. “O que é muito grave precisa ser tratado como prioridade e seguir a legislação. Existem iniciativas para reduzir entraves burocráticos, mas o mais importante é mitigar as ações de violência, promovendo debates como este”, complementou.
Presença feminina no mercado de trabalho
A coordenadora do Comitê da Mulher na Química e conselheira federal do CFQ, Andreia Piluski, também participou do evento e, em sua fala, apresentou dados sobre a presença feminina na academia e o acentuado declínio dessa participação à medida que as mulheres avançaram para cargas mais altas no mercado de trabalho, conhecidas como efeito tesoura.
Além dos números, Andreia apresenta vivências pessoais, detalhando os obstáculos enfrentados pelas mulheres na permanência e ascensão profissional e como o assédio pode comprometer trajetórias, levando inclusive ao abandono de carreiras. Também reforçou a importância da presença feminina no mercado de trabalho como elemento essencial para a promoção da justiça social e institucional.
” O assédio moral, o assédio sexual e as microagressões têm impacto direto na saúde mental das mulheres e são fatores decisivos para o abandono de carreiras que foram construídas com dedicação e excelência. Combater o assédio é garantir que as mulheres possam permanecer, crescer e ocupar espaços de decisão com dignidade e segurança “, afirmou Andreia Piluski.
Para consolidar o encontro e fortalecer a importância da representatividade feminina na Química, foi exibido um vídeo da conselheira federal e membro da Diretoria do CFQ, Tereza Neuma, que descreve sua trajetória profissional marcada por coragem, superação e conquistas ao longo da carreira.
O evento está disponível no canal do Conselho Federal de Química no YouTube. Assista e acompanhe o debate.