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Live aborda educação e ensino em tempos de pandemia

As mudanças que a pandemia de Covid-19 trouxe para a sociedade, de uma forma geral, foram muitas. Mas é possível afirmar que a área da educação foi uma das que mais mudaram. Pensando nestes efeitos no campo da educação, o Conselho Regional de Química da 5ª Região (RS) realizou na tarde desta quinta-feira (15/04) um evento online com o tema “Um ano de pandemia – o que pudemos aprender com o ensino remoto”. Quem apresentou o assunto foi o conselheiro Leandro Camacho, que é Bacharel e Licenciado em Química, além de mestre em Genética e Toxicologia Aplicada pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).

Com a experiência de quem é professor do ensino médio e atua como e coordenador regional do Programa Nacional de Olimpíadas da Área da Química desde 2017, além de ser diretor secretário da Associação Brasileira de Química do Rio Grande do Sul, Camacho reiterou que a pandemia trouxe à tona a necessidade de professores e alunos se reinventarem. “Tivemos de nos reeducar em vários sentidos e isso não foi e não está sendo nada fácil. É um desafio para todos os atores educacionais”.

Ele explica que existe uma grande diferença entre Ensino EAD e remoto. “O EAD é um ensino no qual não há a presença do professor na sala. As interações e estudos são feitos por meio de uma plataforma, um ambiente de ensino bem diferente de uma sala de aula e com tudo preparado pra quem está a distância. Diferente do que teve início no ano passado e temos até agora, que são aulas ao vivo. Isso é ensino remoto. É como se estivéssemos em sala, mas a transmissão é por meio do computador”, esclarece.

E esta nova forma de ensinar exigiu um tempo para adaptação. Foi preciso aprender a lidar softwares e ferramentas que passaram a fazer parte da rotina.  “Dar aula no formato híbrido, que une o EAD e o remoto (ou presencial) é totalmente diferente de estar na sala de aula. E há as questões ligadas ao estudante, pois o jovem não foi acostumado a ficar longos períodos sentado, olhando para uma tela. Há alunos que não têm condições de acessar internet, que não tem computador exclusivo, precisar dividir…  Então as dificuldades de adaptação foram muitas, somadas a outras de vários outros tipos”.

Camacho acredita que esta ruptura na forma de lecionar tem aspectos negativos e positivos. E o lado bom é que tanto os profissionais quanto a sociedade passaram a refletir de uma forma diferente no tocante ao ensino. “Eu comecei a questionar se eu queria mesmo continuar sendo professor e tive que me reinventar. Tivemos que pensar em como fazer para a aula não ser ainda mais monótona, para conquistar este aluno do outro lado da tela, para não deixá-lo desistir. Não somos meros passadores de conteúdo, o estudante não quer isso”.

E outro ponto positivo apontado por ele é que ficou ainda mais evidente a importância do trabalho que o professor exerce. “As pessoas começaram a se perguntar ‘Como esta professora tem 15, 20 alunos, e eu em casa apenas com um não consigo ensinar?’. Ou seja, a atividade de professor foi valorizada e ganhou outra dimensão. E a voz sobre a importância de ter aulas soou alto, viram que ficar com a educação parada é extremamente prejudicial”.

Um novo modelo educacional

O professor acredita em novos modelos educacionais pós-pandemia, nos quais o EAD e remoto serão parte de formatos bem diferentes do que estávamos acostumados. Para ele, os pontos positivos desta mudança que a pandemia trouxe foram vários, mas o principal é a reinvenção da escola. “Tudo isso nos mostrou que a escola era tradicional demais. A pandemia veio mostrar o quão parados no tempo estávamos, alunos sentados em colunas, um atrás do outros. Será que as salas virtuais não vieram revolucionar isso? Nossos estudantes têm muito potencial mas precisam de estímulos diferentes e acredito que estes novos tempos trazem experiências que vieram para ficar”.

Durante a live, Camacho mostrou um aplicativo desenvolvido para o uso de professores pela Universidade de Harvard, e explicou que as aulas remotas requerem avaliações e atividades complementares diferentes. “Agora eu posto aqui para os meus alunos podcasts, vídeos, consigo monitorar como os alunos estão consumindo estes materiais… As boas universidades e escolas estão aprendendo com a pandemia e muitas melhoraram o rendimento dos alunos. E o futuro é isso, pois já percebemos que pode dar muito certo”.

Como pontos que precisam ser melhorados, o professor não exita: investir nas pessoas, tanto alunos quanto professores e comunidade em geral. “Isso vai possibilitar que os colaboradores se atualizem e estejam mais adaptados. As escolas públicas precisam muito desta atenção, vistas as desvantagens que precisam enfrentar e que se agravaram muito com a pandemia.  É preciso levar informação e gás para que os alunos percebem que quem vai ganhar por ser protagonista do próprio futuro é ele, o aluno”.