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IV CONEPETRO: jovens contam o início da sua trajetória acadêmica e profissional

O último dia de realização do IV CONEPETRO (edição digital) foi marcado por uma conversa com quatro jovens que contaram um pouco da sua trajetória acadêmica e profissional. O CONEPETRO, evento multidisciplinar que contou com o apoio do Conselho Federal de Química (CFQ), acontece desde 2011 e se tornou referência pela qualidade científica e reconhecida credibilidade, sendo considerado um dos mais importantes da área no país.

Durante a mesa redonda “Jovens com Energia” realizada na sexta-feira (28), os depoimentos dos jovens surpreenderam até as mediadoras, as professoras de Química da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Rucilana Cabral e Adriana Cutrim, que classificaram o encontro online como “histórias inspiradoras”.

Esses jovens foram motivados também pela descoberta da camada do pré-sal no litoral brasileiro e as novas oportunidades que se desenhavam diante de seus olhos.

Em comum, eles têm a idade – menos de 30 anos -, a formação em Engenharia de Petróleo, o intercâmbio pelo programa governamental Ciência Sem Fronteiras, o fato de estarem em posições de destaque dentro de suas organizações e o de possuírem muita garra, resiliência e determinação para atingir seus objetivos e sonhos.

Isabella Rossetti trabalha como geóloga na empresa Aker BP e mora na distante e fria Noruega. Formou-se em Engenharia de Petróleo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul.

Isabella logo percebeu, quando saiu da faculdade em 2017, que necessitava de experiência profissional. “Eu precisava construir minha personalidade profissional”, conta a gaúcha, que atualmente é responsável por contratos de licença no Mar do Barheim e na Noruega.

A jovem, que fez intercâmbio pelo Ciência Sem Fronteiras na Austrália, conta que sempre foi muito ativa na universidade e se envolvia em atividades extracurriculares. Antes de partir para novos desafios, pensou em trocar de área, pois se sentia desmotivada. “As oportunidades no Brasil estavam escassas. Foi muito difícil tomar essa decisão de ir embora”. Consciente do cenário mundial, ela emenda: “estamos em um processo de mudança de matrizes energéticas”.

Ela diz que ainda enfrenta a barreira cultural e linguística, além da saudade dos familiares, mas garante que a decisão valeu a pena e aconselha para quem está começando se dedicar às atividades fora da grade curricular.

O pernambucano Lucas Mota tem 27 anos e se formou na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Chegou a estagiar no Ministério de Minas e Energia, na capital federal, e a ocupar um cargo de confiança no órgão. “O maior desafio foi interagir com profissionais de outras áreas no ministério e na atual corporação que trabalha”, afirma.

Pelo Programa Ciência Sem Fronteiras, Lucas passou por três universidades norte-americanas. Em julho do ano passado foi contratado pela Energy Platform, empresa especializada em projetos de exploração, produção, refino e infraestrutura de petróleo e gás.

Para ele, a dica para os futuros profissionais é também ir além da grade curricular. “É um ponto bastante positivo”, argumenta.

Muito emocionada, Marianna Dantas deu o seu depoimento profissional e pessoal. Após participar do Ciência Sem Fronteiras, em 2016, foi chamada para um estágio na Schlumberger, onde hoje é colaboradora efetiva da corporação.

Ela é grata e orgulhosa da sua trajetória, pois foi a única brasileira entre estudantes da China, Índia e Cazaquistão a participar de um treinamento em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A jovem também se formou em Engenharia de Petróleo.

“Estou realizando meu sonho de trabalhar numa empresa multinacional e com muita responsabilidade. Explore as oportunidades e programas que a universidade oferece. Crie um plano, identifique seus objetivos e use todas as ferramentas ao seu dispor”, aconselha a jovem, que também participou da segunda edição da CONEPETRO.

Na opinião de Marianna, um dos momentos mais desafiadores foi fazer a defesa do mestrado, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2019, conciliando com o trabalho. Mas, para ela, a virada de chave veio com a participação no Laboratório de Petrofísica, na Universidade Estadual do Norte Fluminense, onde teve contato com muitas empresas.

Formado em Engenharia de Petróleo pela UFCG, José Vinícius Miranda de Figueiredo participou do Ciências sem Fronteiras nos Estados Unidos, na Universidade de Oklahoma.

“Em 2019, fui convidado para assumir uma posição de coordenação de projetos em campos maduros (campos de petróleo com longos anos de exploração)”, conta Vinícius

De acordo com o rapaz de 28 anos, o importante é ser perseverante e não ter medo do novo. Vinícius cursa mestrado em Engenharia Mecânica pela UFRJ, e se orgulha ainda de ter sido, em 2013, o coordenador do Capítulo Estudantil da Sociedade de Engenheiros de Petróleo, da Universidade do Estado de Santa Catarina.

“Respire fundo, encare os desafios, seja pró-ativo e tenha jogo de cintura. Eu agradeço à universidade por ter me ensinado a resolver problemas e ter tomado decisões de forma mais acertiva”, conclui seu testemunho.

Futuro e pandemia

Os jovens foram questionados pelas moderadoras sobre o atual momento do mercado de óleo e gás e como o setor está lidando com a pandemia da Covid-19.

Para José Vinícius, a era da digitalização foi acelerada por conta da pandemia e o trabalho em home office veio para ficar. “Talvez tenhamos um formato híbrido nesse cenário, mas percebo novas oportunidades surgindo”.

Lucas também concordou que a pandemia dissipou a tendência de home office. “Isso vai influenciar as relações de trabalho. O atual momento trouxe muita versatilidade. Os talentos podem trabalhar de qualquer lugar”, justificou.

Nós nos adaptamos bem. Otimizamos o tempo, e as empresas estão se ajustando em trabalhos híbridos”, contou Marianna.

Já Isabella disse que sente falta da integração social no trabalho. “É importante que haja um esforço entre a empresa e o funcionário sobre horários e disposições. Mas, esse será o novo normal”, afirmou.